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A mistura perfeita de humor ácido e crime, com Olivia Cooke, na HBO Max

Vingança pode até começar como um plano elegante, mas quase sempre termina como uma fuga desesperada. Em “Pixie”, Olivia Cooke assume o controle da história com uma energia afiada e um sorriso que mistura cálculo e impaciência. Sua personagem, Pixie Hardy, acredita que um assalto bem executado resolverá duas coisas de uma vez: vingará a morte da mãe e financiará sua saída definitiva da pequena cidade irlandesa onde todo mundo sabe demais sobre a vida dos outros. O problema é que o golpe dá errado, e o erro não é pequeno, ele chama a atenção de gente perigosa, inclusive do padre McGrath, interpretado por Alec Baldwin, líder de uma organização criminosa que funciona com disciplina quase empresarial.

A partir daí, o filme troca o plano milimetricamente pensado por uma corrida improvisada pelas estradas da Irlanda. Pixie é forçada a se unir a dois sujeitos que já cruzaram seu caminho antes: Harland, vivido por Rory Fleck Byrne, e Frank, interpretado por Fra Fee. Eles são leais, mas não exatamente brilhantes sob pressão. A graça do filme nasce dessa combinação instável: uma protagonista prática e decidida tentando conduzir dois parceiros que falam demais, discutem no pior momento possível e complicam o que já estava complicado. A comédia surge do contraste entre o perigo real e a falta de preparo emocional da dupla, e funciona porque os diálogos têm ritmo e ironia.

Olivia Cooke segura o filme com naturalidade. Sua Pixie não é caricatura de “garota durona”; ela calcula, perde a paciência, respira fundo e segue em frente. Há sempre algo em jogo quando ela toma uma decisão, e a atriz consegue equilibrar frieza e vulnerabilidade sem transformar a personagem em símbolo de nada. Ela quer sair dali. Só isso já basta para entendermos cada escolha.

Alec Baldwin, como McGrath, compõe um antagonista que prefere organizar a ameaça a gritar. Ele fala pouco, mas deixa claro que controla recursos, contatos e homens dispostos a agir. O fato de ser padre adiciona uma camada de ironia, mas o filme não se perde em discurso moral. Interessa mais mostrar como ele reage quando é desafiado e como isso encurta o tempo de Pixie na estrada.

A Irlanda não é cartão-postal inocente. As paisagens amplas contrastam com a sensação de cerco constante. A direção de Barnaby Thompson mantém o ritmo ágil, sem transformar a história em espetáculo exagerado. Quando a tensão aumenta, ela vem de decisões práticas: pegar ou não determinado caminho, confiar ou não em certo aliado, gastar ou guardar o dinheiro restante. O suspense é construído a partir dessas escolhas simples, que têm consequências imediatas.

“Pixie” dá mais certo quando abraça sua natureza híbrida. É um filme de crime com humor ácido, mas também é uma história sobre alguém que quer romper com o próprio passado e descobre que sair de uma cidade pequena é mais difícil do que parece. Nada aqui é grandioso demais; o que move tudo é a soma de erros, improvisos e tentativas de recuperar o controle.

Dá para dizer que o interesse do filme está mais na dinâmica entre os três fugitivos. A cada obstáculo, Pixie precisa decidir se impõe sua liderança ou cede ao caos dos parceiros. Essa tensão mantém a narrativa viva até o fim. Pode não é inovador, mas oferece duas horas de perseguição espirituosa, personagens carismáticos e uma protagonista que sabe exatamente o que quer, mesmo quando o mundo insiste em atrapalhar seus planos.

Filme:
Pixie

Diretor:

Barnaby Thompson

Ano:
2020

Gênero:
Comédia/Crime/Suspense

Avaliação:

8/10
1
1




★★★★★★★★★★



Fonte

Redação

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