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A mais bela e subestimada história de amor de Derek Cianfrance chegou ao Prime Video

Por que o mais humano dos sentimentos muitas vezes não é o bastante para humanizar gente embrutecida em sua tristeza? Dores que se eternizam vão matando qualquer mínima possibilidade de afeto mais duradouro, envenenando um amor iminente, e aí frustrações e rancores grassam. Paradoxalmente, quanto mais alguém considera-se pronto para amar, mais desafiadores são os obstáculos, mais intransponíveis as barreiras e em algum meandro escuro da alma resta a dúvida. Trapaças de um destino sádico rodeiam Thomas Sherbourne, o atormentado protagonista de “A Luz entre Oceanos”, melodrama que exige do público toda a delicadeza. Derek Cianfrance adapta o romance homônimo da australiana M.L. Stedman recorrendo a primeiríssimos planos que parecem querer capturar o vaivém de emoções de Tom, um homem acossado por memórias lúgubres que experimenta uma súbita felicidade, só para ser puxado para uma espiral de infortúnios não muito depois. Junto com as duas pessoas que passaram a ser sua vida.

Tom lutara na Primeira Guerra Mundial (1914-1918) e escapou sem um arranhão — a não ser o que hoje se conhece por transtorno de estresse pós-traumático (TEPT), que o leva a sofrer de crises de tristeza fortes o bastante para mantê-lo numa letargia permanente e crônica. O roteiro do diretor concentra-se na culpa do personagem, que dá a sensação de não se conformar com o fato de ter sobrevivido enquanto soldados muito mais jovens morreram em combate, sem nunca mais ter a chance de recuperar o tempo perdido. Sua autopenitência é pleitear o emprego de vigilante de um farol na ilha Janus, na coordenada que divide os oceanos Pacífico e Antártico, nos confins da Austrália. Todos julgam-no qualificado demais para o posto, mas sua determinação não autoriza nenhuma outra atitude se não ratificá-lo como o novo faroleiro, e desse modo o veterano ganha a simpatia dos moradores do continente. Em especial de Isabel Graysmark, uma moça de família tradicional algo ansiosa por casar-se e gozar os prazeres da vida doméstica. 

A aproximação entre os dois, claro, termina no altar e, na sequência, Isabel engravida, mas perde o bebê, sozinha. O casal é contemplado com uma segunda gestação, mas a tragédia se repete, e quando já estão para desistir, um barco chega à praia. Nele, um recém-nascido, ao lado de um cadáver, reavivam as esperanças de terem a família com que sonhavam. Ninguém no vilarejo soube da segunda gravidez de Isabel, o que a faz decidir-se por adotar a menina. Como de resoluções equivocadas sempre brotam mais vicissitudes, a mãe da criança aparece. Conforme já fizera em “Namorados para Sempre” (2011), Cianfrance demonstra novamente sua vocação para dirigir atores, obtendo de Michael Fassbender e Alicia Vikander um amálgama de desilusão, paranoia e histeria. No terceiro ato, Rachel Weisz reforça a essência trágica do enredo, encarnando também a ambiguidade de uma mulher que só deseja recuperar o que perdeu — e isso é o bastante para ser odiada. Os três estão desnorteados, e a audiência também padece desse martírio.

Filme:
A Luz entre Oceanos 

Diretor:

Derek Cianfrance

Ano:
2016

Gênero:
Drama/Romance

Avaliação:

8/10
1
1




★★★★★★★★★★



Fonte

Redação

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