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A hipnose realmente funciona ou apenas uma bobagem que colocaram na sua cabea?

No final do sculo XVIII, o mdico alemo Franz Anton Mesmer fascinava a Europa, curando doenas que iam de distrbios nervosos cegueira, ou pelo menos era o que ele afirmava. Segundo Franz, um fluido magntico invisvel animava todos os seres vivos, e perturbaes nesse fluido causavam doenas. Para o suposto “tratamento”, Franz fazia com que seus pacientes formassem uma corrente em torno de um dispositivo cheio de gua que ele alegava magnetizar. Ento, com gestos de suas mos, os pacientes entravam em convulses que supostamente restauravam sua sade.

Alguns, no entanto, eram cticos, incluindo o rei Lus XVI, que incumbiu pesquisadores renomados de investigar os mtodos de Franz em 1784.

Eles conduziram o primeiro ensaio clnico duplo-cego com placebo da histria da cincia, informando aos participantes que estavam recebendo o tratamento magnetizado, embora no estivessem, e vice-versa.

O comit, conduzido por Benjamin Franklin, concluiu que quaisquer resultados positivos no eram atribuveis ao magnetismo. Na verdade, eram resultados da prpria imaginao dos participantes, respondendo a sugestes sobre a eficcia do tratamento.

Franz tomou ch de sumio, mas ele j estva podre de rico e a concluso intrigante permaneceu. E dcadas depois, o cirurgio escocs James Braid comeou a utilizar aspectos do mesmerismo, sem o magnetismo.

James acreditava que induzia um estado semelhante ao sono, ento chamou-o de hipnotismo. A prtica hoje ocupa um lugar fascinante na fantasia popular. Mas h alguma verdade no que ela pode realizar?
Ou apenas iluso?

Embora a hipnose de palco tenha contribudo para a concepo de que as pessoas hipnotizadas perdem o controle sobre suas aes, isso no parece preciso.

Independentemente de estarem ou no hipnotizados, um estudo, de 1965, realizado por Martin T. Orne e Frederick J. Evans, descobriu que os participantes tinham a mesma probabilidade de mergulhar as mos em cido.

Isso pode ocorrer porque se sentiram motivados a correr riscos dentro dos limites presumivelmente seguros de um experimento de psicologia.

Da mesma forma, os participantes no palco podem cooperar em um contexto de presso social e diverso, talvez com algum efeito de hipnose.

A hipnose se baseia no poder da sugesto nos seres humanos, mas foi retratada em filmes como um “poder” para forar as pessoas a fazerem coisas que normalmente no fariam. Como tal, foi relegada ao reino do absurdo.

Mas a hipnose usada na medicina hoje diferente; nenhum acessrio necessrio. E embora a hipnose tenha sido inicialmente considerada um estado semelhante ao transe, agora entendida mais como um conjunto de procedimentos focados em sugestes.

Por mais informais que sejam, as sugestes so caractersticas naturais das interaes mdico-paciente e agora sabemos que podem influenciar a experincia do paciente com o tratamento.

Sesses de hipnose com respaldo cientfico geralmente comeam com uma induo hipntica, onde um profissional treinado prepara o paciente para sugestes, chamando sua ateno para tarefas simples, como relaxar certos msculos.


Franz Anton Mesmer.

A induo tem como objetivo facilitar uma mentalidade mais receptiva. Em seguida, os profissionais fazem sugestes com o objetivo de alterar um aspecto da percepo do paciente, muitas vezes descrevendo algo como se fosse acontecer e ser observado passivamente.

A sesso pode ser encerrada com uma desinduo para garantir que o paciente esteja totalmente alerta. A maioria das pessoas parece ser moderadamente receptiva sugesto hipntica, enquanto pequenas porcentagens so extremamente receptivas ou no receptivas.

A hipnotizabilidade de uma pessoa no tende a mudar muito com o tempo, embora certos medicamentos e estimulao cerebral possam aument-la temporariamente.

No est claro o que determina a hipnotizabilidade, mas certos traos parecem estar associados.

Pessoas altamente hipnotizveis tendem a ser mais abertas hipnose, mais propensas fantasia e com maior probabilidade de se absorverem em atividades e acreditarem em qualquer bobagem.

Elas tambm relatam experincias perceptivas e dissociativas mais incomuns em geral.

Quando uma sugesto hipntica funciona, os efeitos podem ser considerveis e rastreveis. Em alguns estudos, pesquisadores induziram participantes altamente hipnotizveis a perceber coisas que, de outra forma, estavam ausentes.

Em resposta, a atividade cerebral dos participantes hipnotizados demonstrou mudar de maneiras diferentes do que observado em processos imaginativos, assemelhando-se mais percepo real.

Para aqueles com quem funciona, a hipnose pode ser uma ferramenta mdica til, embora seu escopo seja geralmente limitado psiquiatria.

Em um estudo, pacientes hipnotizveis que receberam sugestes para reduo da dor durante a cirurgia relataram menos dor e necessitaram de menos opioides posteriormente.

Entre pacientes com leses cerebrais, observou-se que a hipnose melhora a memria de trabalho, ou seja, a capacidade de reter informaes, como sequncias de nmeros, por curtos perodos.

Isso pode ocorrer porque as sugestes, de alguma forma, aliviam os dficits cognitivos causados pelas prprias crenas do paciente sobre suas habilidades ps-leso.

E para certas coisas, incluindo parar de fumar, a hipnose parece ser to eficaz quanto tratamentos como aconselhamento e exerccios.

Mas, embora a hipnose possa ajudar algumas pessoas a lidar com condies como ansiedade e depresso, h poucas evidncias de que ela possa tratar doenas como a esquizofrenia. Quando a hipnose ajuda, certamente no graas a fluidos magnetizados, mas sim ao poder auto-sugestionvel da prpria mente.

Aps ser desacreditado pela comisso real em 1784, que considerou seu “magnetismo animal” coisas que colocaram em sua cabea, Franz Anton Mesmer deixou Paris.

Ele viveu na obscuridade e vagou pela Europa antes de se aposentar em Meersburg, na Alemanha, onde viveu tranquilamente at sua morte em 1815.

Aps a investigao de 1784, Franz perdeu seu prestgio profissional, o apoio pblico e se tornou motivo de chacota no meio cientifico.

Ele passou um tempo na Inglaterra, Alemanha e Sua, evitando os olhos do pblico, e chegou a ser deportado brevemente de Viena em 1793.

Ele se estabeleceu em Frauenfeld, na Sua, e mais tarde em Meersburg, no Lago de Constana, desfrutando da fortuna que fez em Paris.

Ele viveu em relativo isolamento por muitos anos, sofrendo de problemas na bexiga, e morreu em 1815 aos 80 anos de idade.

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Fonte

Redação

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