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A deliciosa comédia romântica de ficção científica da HBO Max que faz você pensar por semanas

Em geral, filmes são indicadores de precisão quase imbatível quanto a apontar as mudanças pelas quais as sociedades ao redor do mundo anseiam, bem como também têm o poder de, antes que deixemo-nos fazer presas da tola admiração por possíveis serviços e ideias, elencar uma infinidade de razões muito pertinentes quanto à impropriedade e, pasmem, mesmo aos perigos de tais revoluções. Maria Schrader erige em “O Homem Ideal” os argumentos mais sofisticados que poderia a fim de discorrer sobre uma das novas perdições do homem, desde o princípio dos tempos condenado a satisfazer suas vontades. Schrader e os corroteiristas Emma Braslavsky e Jan Schomburg tocam questões verdadeiramente trágicas da tal pós-modernidade, sob um ângulo destemidamente original. Mas sem aventurar-se a dar respostas ou impor opiniões, ainda mais num assunto polêmico e confuso pela própria natureza.

Alma, uma pesquisadora do Instituto de Arqueologia de Berlim, aceita participar de um experimento nada comum e passa a dividir sua rotina com Tom, um andróide desenvolvido para suprir sua constante necessidade de uma boa conversa e de quebra também inflar-lhe um pouco o ego, nunca discorda, nunca discute, programa suas reações conforme o que o algoritmo lhe sugere ser o melhor para satisfazer os critérios de “compatibilidade perfeita” da tutora e esforça-se por oferecer todos os elementos para que Alma elabore sua autoanálise e compreenda suas humanas imperfeições. A diretora usa a premissa juntando essas duas pontas da história, assumidamente nonsense, até que vai explicando onde quer chegar, afinal. Engenhosamente pensado por humanos, falhos, vaidosos e cheios de ardis, Tom é mesmo um espécime melhorado?

Os perigos da inteligência artificial residem justamente em sua capacidade de ultrapassar os limites de quem a criou, reproduzindo também preconceitos e o que de pior existe no homem. Schrader apenas arranha o tema, mantendo o tom bem-humorado de uma comédia futurista e inteligente e preferindo deter-se sobre esse novo mal-estar da civilização. Quase como uma involuntária ironia, a atuação de Maren Eggert e Dan Stevens são um lembrete de que há coisas de que só nós mesmos somos capazes. A Eggert e Stevens une-se Sandra Hüller, sempre decisiva, ainda que num papel secundário. Não, os robôs não podem ensinar-nos tudo. Nem muito do que insistimos em desaprender.

Filme:
O Homem Ideal

Diretor:

Maria Schrader

Ano:
2021

Gênero:
Comédia/Ficção Científica/Romance

Avaliação:

8/10
1
1




★★★★★★★★★★



Fonte

Redação

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