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A comédia romântica do Prime Video que está mexendo com quem já viveu uma grande história de amor

A comédia romântica do Prime Video que está mexendo com quem já viveu uma grande história de amor

Dirigido por Roberto Girault, “Com Você no Futuro” reúne Michel Brown, Sandra Echeverría, Mauricio Barrientos e Mariané Cartas em uma comédia romântica que começa quando o casamento já terminou. Carlos e Elena estão prestes a assinar o divórcio quando um estranho aparece e os manda de volta a 1994, ano em que se conheceram. O filme parte daí, de um casal esgotado, de um visitante inesperado e da chance de remexer justamente no ponto em que tudo começou.

Girault não demora a pôr a fantasia em movimento. Vai logo. O estranho entra em cena no meio da crise e empurra os dois para os anos 1990 sem cerimônia, como se a viagem precisasse ter mesmo a brusquidão de um susto. Quando Carlos e Elena chegam a 1994, o longa se apoia em sinais concretos, fitas cassete, pop-rock, jaquetas de couro e cabelos de época, e acerta ao prender a mudança no tempo a objetos, roupas e gestos, não a explicações.

O interesse está menos no truque do que no que ele desenterra entre os dois. Carlos e Elena voltam para interferir. Eles não andam pelo passado como quem visita uma lembrança boa, mas como duas pessoas ressentidas, curiosas e dispostas a testar se o amor entre eles deveria mesmo ter existido. Quando o roteiro aproxima os adultos cansados de seus “eus” mais jovens e do instante em que se conheceram, a história encontra firmeza porque cada tentativa de correção bate no fracasso do presente.

A fita cassete com cinco canções ajuda muito a dar peso material ao enredo. Ela organiza tudo. Não aparece só como lembrança decorativa, mas como um objeto que junta memória, prazo e afeto enquanto Carlos e Elena tentam mudar o rumo da relação. O estranho que provoca a viagem tem algo de Cupido inconveniente, meio árbitro, meio provocador, e o filme encosta em modelos conhecidos como “Back to the Future” e “It’s a Wonderful Life” sem largar sua base mais concreta, a de um casal à beira do divórcio tentando remexer na própria origem.

As melhores passagens surgem quando a fantasia permanece ligada a comportamento, hesitação e risco emocional. Aí ele melhora. Em vez de largar os personagens num parque de quinquilharias noventistas, Girault os mantém sob pressão, obrigados a rever o começo da relação e a encarar a suspeita de que o casamento talvez já tenha nascido errado. O problema aparece quando a decoração de época, a trilha e os sinais dos anos 1990 passam a disputar espaço demais com aquilo que sustenta o longa, o atrito entre duas pessoas que voltaram ao início para tentar desmontar a vida que construíram juntas.

Ainda assim, “Com Você no Futuro” tem base suficiente para se manter de pé. Tem o casal em ruína, o visitante inesperado, a volta a 1994 e a insistência em perguntar se ainda existe algo a salvar naquele primeiro encontro. Carlos e Elena carregam para o passado o ressentimento do presente, a curiosidade amarga de rever o próprio começo e a tentação de corrigir à força o que já apodreceu, e isso segura o filme mesmo quando a nostalgia pesa mais do que devia. Fica a imagem de uma fita cassete girando devagar, sob luz morna, enquanto uma canção antiga volta a ocupar o quarto.

Filme:
Com Você no Futuro

Diretor:

Ano:
2025

Gênero:
Comédia/Romance

Avaliação:

8/10
1
1




★★★★★★★★★★



Fonte

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