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A aventura épica que vai te fazer esquecer da realidade e mergulhar em um mundo fantástico, no Prime Video

A aventura épica que vai te fazer esquecer da realidade e mergulhar em um mundo fantástico, no Prime Video

“A Pequena Sereia” (2023), dirigido por Rob Marshall, acompanha a inquietação de Ariel, uma jovem sereia vivida por Halle Bailey, que cresce sob a autoridade rígida do pai, o rei Tritão, interpretado por Javier Bardem, em um reino submarino onde a curiosidade pelo mundo humano é tratada quase como infração, e é justamente essa proibição que a empurra para uma decisão sem volta.

Desde o início, Ariel não parece satisfeita com o que lhe é dado. Enquanto suas irmãs seguem o protocolo da corte, ela coleta objetos humanos como quem monta um quebra-cabeça proibido. Garfos, bússolas e pedaços de embarcações viram pistas de um universo que ela não conhece, mas insiste em decifrar. Não é rebeldia vazia, é interesse concreto: ela quer entender como aquele outro mundo funciona, e, principalmente, quer fazer parte dele.

Virada de destino

O ponto de ruptura acontece quando Ariel salva o príncipe Eric, vivido por Jonah Hauer-King, de um naufrágio. O encontro é rápido, mas suficiente para reorganizar tudo. Eric acorda com a lembrança difusa de uma voz que o resgatou, enquanto Ariel volta para o fundo do mar com algo que nunca teve antes: um objetivo claro. Não é mais sobre curiosidade, é sobre alcançar alguém específico, em um lugar onde ela não pode estar.

Tritão reage como um pai que não negocia território. Ele não apenas desaprova, ele interdita. A superfície deixa de ser um mistério e passa a ser uma ameaça oficial. Ao destruir o acervo de objetos da filha, ele tenta cortar o vínculo dela com o mundo humano, mas o efeito é o oposto: Ariel perde o pouco que tinha e entende que, se quiser avançar, vai precisar agir por conta própria.

Acordo

É aí que entra Úrsula, interpretada por Melissa McCarthy, uma figura que opera fora das regras do reino. Ela cobra. O acordo é direto: Ariel ganha pernas por três dias e precisa conquistar o beijo de amor verdadeiro de Eric. Em troca, entrega sua voz. Não há espaço para interpretação, é contrato com prazo e consequência.

Ariel aceita.

E essa escolha muda completamente o jogo.

Sem voz, ela chega à superfície em desvantagem evidente. O que antes era sua principal forma de conexão, o canto, a expressão, vira ausência. Ainda assim, ela insiste. Aprende a andar tropeçando, observa os costumes humanos com uma mistura de fascínio e estranhamento, e tenta se comunicar como pode. Há algo quase cômico nesses momentos: Ariel usando um garfo como pente, por exemplo, revela não só ingenuidade, mas também esforço genuíno de adaptação.

Eric, por sua vez, não entende completamente quem ela é, mas percebe que há algo ali que faz sentido. Ele tenta ajudar, aproxima, oferece espaço. A relação entre os dois cresce no gesto, no olhar, na convivência, o que torna tudo mais frágil e, ao mesmo tempo, mais concreto. Não há declarações grandiosas, há tentativas.

Enquanto isso, o tempo corre.

Úrsula não desaparece após o acordo. Ela observa, calcula e interfere quando necessário. Seu interesse não é o romance, é o cumprimento do contrato, e, se possível, o controle do resultado. Cada avanço de Ariel com Eric representa um risco para Úrsula, que passa a agir para garantir que o desfecho favoreça seus próprios planos.

Tritão, por outro lado, tenta recuperar o controle da situação a partir do mar. Mas agora Ariel está em outro território, sujeita a outras regras. A distância entre pai e filha se transforma em algo maior do que espaço físico: vira conflito de autoridade. Ele perde alcance, ela ganha autonomia, ainda que sob risco constante.

Desafio injusto

Há uma tensão silenciosa que atravessa o filme: Ariel precisa ser vista e escolhida por quem não pode ouvir sua voz. É quase injusto, e talvez seja essa a graça amarga da situação. Ela abriu mão do que tinha de mais próprio para se aproximar de alguém que nem sabe exatamente quem ela é.

E mesmo assim, continua.

“A Pequena Sereia” constrói sua narrativa sobre decisões que têm preço. Nada aqui é gratuito. Cada avanço exige uma renúncia, cada escolha encurta o tempo disponível. O filme mantém o espírito do conto original, mas trabalha esse percurso com mais ênfase nas consequências práticas: perder a voz não é metáfora solta, é um problema real que interfere em tudo.

A história não se constrói só no romance, mas no esforço constante de Ariel para existir em um lugar onde ela não foi feita para estar. E isso, por si só, já carrega uma carga emocional que vai além da fantasia.

Ela não quer apenas conhecer outro mundo. Ela quer pertencer a ele, e descobre, no processo, o quanto isso pode custar.



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