A entrega do primeiro Airbus A350-1000ULR da Airbus para a Qantas sofreu novo atraso devido a problemas não detalhados na cadeia de suprimentos, segundo informações divulgadas pelo fabricante e reportadas no último domingo (24), pela Bloomberg News.
A aeronave faz parte do Projeto Sunrise, iniciativa da companhia australiana para operar voos sem escalas entre Sydney e cidades como Londres e Nova York.
A previsão inicial era receber o primeiro jato de ultra longo alcance até o fim deste ano. Com o novo cronograma, a entrega deve ocorrer apenas no início de 2027, impactando também o início das operações comerciais das rotas ultralongas.
Projeto Sunrise
O Projeto Sunrise foi anunciado pela Qantas há cerca de uma década e tem como objetivo estabelecer os voos comerciais sem escalas mais longos do mundo. O plano contempla ligações entre Sydney e Londres, no Reino Unido, além de Sydney e Nova York, nos Estados Unidos.
O programa enfrentou atrasos anteriores em decorrência da pandemia de covid-19 e da crise global de fornecimento da indústria aeroespacial, cenário que ainda afeta fabricantes e operadores mesmo com a retomada da demanda do transporte aéreo internacional.
Segundo a Bloomberg, o primeiro A350-1000ULR funcional deixou recentemente a linha de montagem em Toulouse, na França. Apesar do novo adiamento, a Qantas projeta acelerar o recebimento das aeronaves posteriormente, com expectativa de contar com cinco unidades até novembro de 2027.
A companhia havia dito anteriormente que os voos inaugurais só começariam após a chegada de ao menos três aeronaves e a conclusão de todos os processos de certificação e preparação operacional.
Configuração específica
O Airbus A350-1000ULR desenvolvido para a Qantas deriva do A350-1000 convencional, atualmente o maior widebody em produção do fabricante europeu. O modelo incorpora modificações estruturais, aerodinâmicas e operacionais voltadas para missões de ultra longo alcance.
A aeronave utiliza motores de alta eficiência e melhorias aerodinâmicas para ampliar a autonomia sem depender apenas do aumento da capacidade de combustível. O projeto também inclui adaptações internas voltadas à redução dos impactos fisiológicos de voos superiores a vinte horas.
Entre os recursos previstos estão menor altitude de cabine e redução de ruído interno. Graças à fuselagem em materiais compostos, a cabine poderá operar com pressurização equivalente a aproximadamente 6.000 pés, abaixo dos tradicionais 8.000 pés observados em aeronaves comerciais mais antigas. A proposta é reduzir efeitos como fadiga e desidratação durante as viagens.
Assentos limitados
Embora o A350-1000 possa transportar até 350 passageiros em configurações convencionais, a frota da Qantas será limitada a 238 assentos para ampliar espaço interno e acomodar áreas dedicadas ao conforto em voos de ultra longa duração.
A configuração inclui seis suítes privativas de primeira classe, 52 assentos executivos com portas deslizantes e camas totalmente reclináveis, cabine premium economy, classe econômica com pitch de 33 polegadas e área comum de bem-estar aberta a todos os passageiros.
O espaço compartilhado ficará localizado entre as cabines premium economy e econômica. A área contará com barras de apoio para alongamentos, superfícies específicas para exercícios leves, estação de hidratação e opções de alimentação consideradas adequadas para viagens prolongadas.
Mercado de voos ultralongos
A estratégia da Qantas amplia a competição no segmento de voos ultralongos, atualmente liderado pela Singapore Airlines com o Airbus A350-900ULR operando rotas entre Singapura e os aeroportos de Newark e Nova York JFK desde 2018.
Com o A350-1000ULR, a Qantas pretende superar a duração dessas operações e ampliar participação no mercado internacional premium, em um cenário marcado pelo aumento dos custos operacionais e maior concorrência entre companhias aéreas globais.
O contexto geopolítico também segue influenciando o setor. Segundo a Bloomberg, as oscilações recentes no preço do combustível de aviação acompanham os desdobramentos diplomáticos envolvendo Irã e Estados Unidos, fator que afeta diretamente os custos das operações de longo curso.
