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Rebeldia e invasão alienígena em filme divertido e intrigante com John Boyega, na Netflix

Rebeldia e invasão alienígena em filme divertido e intrigante com John Boyega, na Netflix

Em “Ataque ao Prédio”, lançado em 2011 e dirigido por Joe Cornish, uma noite de fogos no sul de Londres vira um cerco alienígena dentro de um conjunto habitacional. Samantha Adams (Jodie Whittaker), uma enfermeira em treinamento, volta para casa durante a noite de Guy Fawkes quando é cercada por um grupo de adolescentes do bairro. Moses (John Boyega), Pest (Alex Esmail), Dennis, Jerome e Biggz assaltam a jovem perto do prédio onde todos vivem. A cena é incômoda porque o filme não tenta suavizar o que acontece. Samantha está sozinha, com medo, e os garotos usam a intimidação para parecer maiores do que são. A situação só muda quando um objeto cai do céu e atinge um carro estacionado.

Esse acidente, que poderia ser apenas uma distração, abre o caminho para algo muito pior. Samantha consegue fugir, enquanto Moses se aproxima dos destroços atrás de dinheiro ou qualquer coisa que possa render algum valor. Ele acaba atacado por uma criatura pequena, agressiva e estranha. Ferido no rosto, o garoto reúne os amigos e corre atrás do bicho. Quando eles matam a criatura, acreditam que acabaram de ganhar uma história grandiosa para contar. Na cabeça deles, aquilo pode render fama, dinheiro ou, no mínimo, respeito dentro do bairro. É uma lógica juvenil, absurda e bastante humana.

Rebeldia e invasão alienígena

Joe Cornish trabalha bem essa mistura entre ameaça real e comportamento adolescente. Os meninos falam demais, se exibem, improvisam coragem e tomam decisões ruins com uma convicção quase engraçada. Pest (Alex Esmail), especialmente, parece sempre pronto para transformar pânico em comentário inconveniente. O filme tem graça porque não força piadas fora de hora. O riso nasce da pressa, da arrogância e da falta de preparo dos personagens. Eles querem agir como soldados de rua, mas continuam sendo garotos assustados em corredores escuros.

A situação piora quando novos objetos caem do céu. O grupo sai novamente pelo bairro, agora armado de forma improvisada, acreditando que pode enfrentar outras criaturas. O problema é que os novos alienígenas são muito maiores, mais fortes e mais perigosos. A aventura juvenil vira uma fuga desesperada. O pitbull de Dennis morre, os adolescentes perdem a pose e a noite passa a cobrar caro por cada escolha errada. O prédio, que antes era território conhecido, deixa de ser abrigo seguro.

Samantha reaparece escoltada por policiais, e Moses acaba preso. Por alguns minutos, parece que a ordem conhecida voltou ao bairro. Mas os alienígenas atacam a viatura, matam os agentes e deixam Samantha presa ao lado do próprio assaltante. Essa virada é importante porque o filme obriga os dois a dividirem o mesmo espaço sem apagar o que aconteceu antes. Samantha não esquece o assalto. Moses não vira herói por decreto. Eles continuam marcados pela violência inicial, só que agora precisam sobreviver a uma ameaça que a polícia não consegue conter.

Escolhas técnicas e criativas

O roteiro é esperto ao manter tudo dentro do conjunto habitacional. O Wyndham Tower vira campo de batalha, esconderijo e armadilha. Escadas, elevadores, apartamentos, grades e corredores passam a determinar quem consegue avançar e quem fica para trás. Quando Pest é mordido, o grupo precisa procurar ajuda. A surpresa é descobrir que Samantha mora ali também. Ela trata o ferimento do garoto, ainda desconfiada, enquanto tenta compreender se aqueles adolescentes estão inventando uma desculpa ou se, de fato, há criaturas caçando pessoas pelo prédio.

A confirmação vem quando um alienígena invade o apartamento de Samantha. Moses usa uma espada decorativa para matar o bicho, e a enfermeira passa a encarar a história de outra maneira. A relação entre eles não se resolve com sentimentalismo. Ela nasce da necessidade. Samantha sabe que os garotos a atacaram. Também percebe que eles conhecem o prédio, os moradores e os caminhos de fuga melhor do que qualquer policial. Essa tensão dá ao filme uma camada mais interessante do que a simples caçada a monstros.

O elenco ajuda muito nesse equilíbrio. John Boyega faz de Moses um adolescente duro na aparência, mas ainda imaturo nas escolhas. Ele fala pouco, observa bastante e tenta sustentar uma autoridade que a própria noite começa a desmontar. Jodie Whittaker dá a Samantha uma presença firme, sem transformá-la em vítima passiva. Ela sente medo, sente raiva e age quando precisa. Alex Esmail, como Pest, injeta energia cômica sem quebrar o clima de perigo. O resultado é um grupo caótico, falho e reconhecível.

Outra ameaça

A chegada de Hi-Hatz, criminoso local, acrescenta outra ameaça à noite. Enquanto os alienígenas cercam o prédio, ele culpa Moses pela morte de um capanga e tenta cobrar lealdade no pior momento possível. A disputa de poder entre homens armados e adolescentes apavorados parece ridícula diante das criaturas, mas faz sentido naquele ambiente. O bairro já tinha seus predadores antes da queda dos meteoros. A diferença é que agora todos eles estão trancados no mesmo labirinto de concreto.

O filme também tem bons momentos quando aproxima ação e humor físico. Fogos de artifício viram arma, uma sala de cultivo de maconha vira refúgio e Brewis, estudante de zoologia vivido por Luke Treadaway, tenta explicar a biologia dos alienígenas em meio ao caos. Ele percebe uma substância brilhante no casaco de Moses e levanta a hipótese de que os monstros estão seguindo aquele cheiro. A informação dá ao grupo uma chance de planejar uma saída. Moses carrega a marca deixada pela primeira criatura que matou, e isso faz dele o alvo principal.

A partir daí, “Ataque ao Prédio” ganha força porque transforma culpa em ação concreta. Moses precisa assumir que sua primeira decisão colocou todos em risco. Samantha, por não estar marcada pelo cheiro alienígena, consegue atravessar partes do prédio e preparar uma armadilha com o gás do apartamento. O plano é simples, perigoso e adequado ao universo do filme. Nada depende de tecnologia mirabolante. Tudo depende de coragem, conhecimento do espaço e uma boa dose de imprudência adolescente.

Joe Cornish fecha a história sem limpar demais seus personagens. Moses não deixa de ter assaltado Samantha. Samantha não esquece isso. Ainda assim, quando a polícia chega e tenta responsabilizar os sobreviventes por toda a destruição, ela se recusa a entregar uma versão cômoda dos fatos. Diz que aqueles garotos são seus vizinhos e que a protegeram. É um gesto pequeno, mas decisivo dentro daquela noite. Na viatura, Moses escuta os moradores gritando seu nome e sorri. Pela primeira vez, o reconhecimento vem não pelo medo que ele causou, mas pelas pessoas que conseguiu salvar.



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