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No Prime Video, o suspense de terror que fez muita gente se arrepender de assistir sozinho à noite

No Prime Video, o suspense de terror que fez muita gente se arrepender de assistir sozinho à noite

Como se destapasse uma caixa em que estivesse boa parte dos males da vida, o diretor Jung Bum-shik se sai bem ao promover um escrutínio nada professoral e tecnicamente impecável de episódios que, queira-se ou não, causam espécie. Asiáticos — e tanto mais sul-coreanos — são pródigos em esventrar organizações ruinosas e expor as más condutas dos governos e da iniciativa privada, mas em “Gonjiam: Hospital Maldito” denúncias não podem levar a uma solução real. O recurso do found footage, as imagens com equipamento caseiro, servem bem ao propósito de mostrar incorporações, espíritos, fantasmas e demônios que se apossam de pessoas e falam por elas, ainda que tais fenômenos toquem mais ao inconsciente do que ao fantástico, ao extraterreno ou ao maligno. Semelhantemente à história do manicômio a que o título alude.

Sonhos possíveis

A sensação de desconforto de que o espectador é tomado deve-se em boa medida à atmosfera claustrofóbica da edição de Jung. O diretor parece inspirar-se em obras-primas do cinema recente a exemplo de “A Chegada” (2016), do franco-canadense Denis Villeneuve, e quem assiste é envolvido pela trama — sem que se gaste a fortuna que despendem os grandes estúdios em produções como a de Villeneuve. O formato screenlife (“tela viva”, numa tradução livre, ou “vida na tela”, literal), proporciona toda a autonomia que realizadores independentes reivindicam, frisando a natureza experimental que justifica o longa. E ela é bem-aproveitada.

Tem gosto para tudo

Jung e o corroteirista Sang-min Park miram a boçalidade de muito do que é publicado no YouTube e apresentam uma equipe de produtores de conteúdo que visita o Hospital Psiquiátrico de Gonjiam, desativado em 1996. Agora um, vá lá, ponto turístico de Gwangju, o prédio transformou-se num dos lugares mais horripilantes da Terra, e Ha-joon, o líder do grupo interpretado por Wi Ha-joon, distribui GoPros e câmeras de visão noturna para que ninguém perca um só detalhe. Originalidade não é bem um dos maiores predicados de “Gonjiam”, mas louve-se o esforço bastante sul-coreano de Jung quanto a sugerir que a instituição fora fechada devido a problemas bastante terrenos como canos enferrujados e desvios de verba pública. Mas todo mundo tem o direito de se enganar.

Como se destapasse uma caixa em que estivesse boa parte dos males da vida, o diretor Jung Bum-shik se sai bem ao promover



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