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Ficção científica de John Carpenter, com Jeff Bridges, está na Netflix

Ficção científica de John Carpenter, com Jeff Bridges, está na Netflix

Antes de assistir “Starman: O Homem das Estrelas”, que chegou recentemente à Netflix, li diversas críticas. O filme, lançado em 1984 sob direção de John Carpenter, é aclamado por demonstrar a versatilidade do cineasta, conhecido principalmente por seus terrores, além de ser tratado como uma obra melancólica marcante daquela década. Além dos elogios rasgados da crítica, a indicação ao Oscar pela atuação de Jeff Bridges me convenceu de que aquela obra valia meu tempo.

Entendo que muitos se sintam emocionalmente conectados àquela ficção científica excêntrica e romântica, mas, do meu ponto de vista, as coisas não soaram tão fantásticas assim. O enredo gira em torno de Jenny (Karen Allen), uma mulher que perdeu recentemente seu marido, Scott (Jeff Bridges). O luto claramente não foi superado, se é que se supera esse tipo de coisa. Mas, em uma noite misteriosa, ela percebe que sua casa foi invadida por uma criatura inumana. Trata-se de uma criatura extraterrestre que assume uma forma antropomórfica. Primeiro, é um bebê no chão, que vai crescendo e se transformando em uma criança, adolescente e, por fim, em um homem adulto. Mas não qualquer adulto: Scott.

Uma fuga pela estrada

É um extraterrestre que, percebido pelas autoridades estadunidenses, passa a ser perseguido. O intuito da captura é, obviamente, eliminá-lo ou submetê-lo a testes científicos macabros. No entanto, ele assume a forma de Scott, o que lhe dá mais tempo para fugir até chegar a um ponto específico: a Meteor Crater, no Arizona, onde a nave-mãe irá resgatá-lo. A aparência faz com que, além de tudo, ele consiga transformar Jenny em uma aliada, alguém que irá ajudá-lo a empreender a fuga.

Então, ele faz com que ela entre no carro com ele para que peguem a estrada rumo à Meteor Crater. A princípio, Jenny sente medo, terror e espanto. Ela acredita que está sendo feita refém e que seu sequestrador irá machucá-la. O filme se transforma em um road movie tradicional, com paradas, fugas e aventuras. O Scott de Jeff Bridges é um homem com mentalidade infantil. Ele está aprendendo a lidar com o mundo e com suas malícias. Não conhece bem o idioma e tenta se camuflar sem muita experiência naquela realidade tão diferente da sua. Ao perceber o quanto o alienígena no corpo de Scott é frágil, delicado e puro, Jenny fica emocionalmente confusa e começa a se apaixonar por ele.

Um romance sobre despedidas

Embora tenha nascido como um sci-fi, a entrada de Carpenter no projeto definiu a linha emocional da obra: um romance impossível e melancólico sobre o luto. O enredo quer dar a Jenny a despedida do marido que ela não teve nos momentos finais da vida dele. Desde o começo do filme sabemos que Starman não pode ficar na Terra. Ele precisa partir para se preservar. Eles ficam juntos por apenas três dias. Isso quer dizer que o alienígena não substitui Scott nem muda seu destino. Ele apenas dá a Jenny mais tempo para se despedir.

A intenção é bonita, mas as limitações tecnológicas da época atrapalham um pouco a experiência para quem vê o filme pela primeira vez. É inevitável sentir desconforto em algumas cenas, sobretudo em determinadas ações e reações de Bridges como Scott e nos efeitos bizarros que hoje se tornam involuntariamente cômicos. A cena da transformação de Starman em Scott é muito rudimentar, beira o grotesco. A atuação de Bridges não ficou apenas anacrônica, ficou forçada. O que na época era visto como inocência, charme e delicadeza hoje é algo engraçado e até estranho: os olhos arregalados, a fala pausada e o jeito infantilizado. Compreendo a nostalgia de quem viu o filme na época e gostou, mas isso não funciona tão bem para quem o descobre agora.

Compreendo a profundidade narrativa que Carpenter quis dar à história, tentando transformá-la em uma espécie de “ET” para adultos, embora a inspiração estrutural mais citada seja “It Happened One Night”, clássico de 1934 que também influenciou “Encontro Marcado” (1998). Funcionou nos anos 1980, claramente, já que o filme marcou aquela geração, recebeu aclamação crítica e foi indicado a prêmios importantes. Hoje, não sei se funciona para todo mundo. Para mim, não só não funcionou como também me deixou um pouco decepcionada com Carpenter.



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