A Itália assinou contrato de 1,4 bilhão de euros com a Airbus para adquirir seis aeronaves-tanque A330 MRTT
O Ministério da Defesa da Itália assinou um contrato de 1,4 bilhão de euros com a Airbus para a aquisição de seis aeronaves-tanque A330 MRTT (Multi-Role Tanker Transport) destinadas à Força Aérea Italiana.
O acordo, registrado no portal europeu Tenders Electronic Daily (TED), foi formalizado em abril e prevê duração de até dez anos.
A seleção da plataforma ocorreu em dezembro de 2025 e, segundo os documentos publicados, a Airbus apresentou a única proposta válida no processo licitatório. As novas aeronaves substituirão a atual frota de quatro KC-767A em operação na Aeronautica Militare.
Renovação de frota
Documento emitido pela Direção Italiana de Armamentos Aeronáuticos e Aeronavegabilidade (Armaereo), datado de abril, classifica o programa de renovação da frota de aviões-tanque como prioridade estratégica. O mesmo documento cita que o contrato teria sido assinado em 23 de fevereiro, divergindo da data apresentada pelo portal TED.
Embora os dois registros indiquem o mesmo valor contratual, o documento da Armaereo menciona duração de 96 meses, equivalente a oito anos. Nenhuma das publicações diz se a Itália adotará a configuração padrão do A330 MRTT ou a versão mais recente MRTT+.
Histórico de tentativas
A Itália já havia iniciado anteriormente outros programas para substituir os KC-767A. Em 2022, o Ministério da Defesa planejou adquirir dois Boeing KC-46 Pegasus e atualizar os quatro KC-767A existentes para o mesmo padrão operacional.
O projeto, no entanto, foi considerado inviável por uma comissão técnica encarregada de avaliar a proposta. Posteriormente, a solução evoluiu para a compra de seis KC-46, apontada à época como a única alternativa operacionalmente viável.
Em junho de 2024, entretanto, o programa foi suspenso devido a “necessidades alteradas e imprevistas”, segundo a Força Aérea Italiana. A instituição não detalhou se a decisão estava relacionada diretamente à aeronave ou a outras prioridades orçamentárias e operacionais.
Poucas semanas depois, a Aeronautica Militare retomou o processo de substituição da frota de reabastecedores, alertando o Ministério da Defesa de que a ausência de renovação poderia comprometer capacidades operacionais estratégicas.
Licitação anterior sem propostas
O novo programa recebeu a designação “Renovação, fortalecimento e Suporte Logístico Integrado da frota de reabastecedores pesados multimissão da Força Aérea Italiana” e teve orçamento ampliado para mais de 1,41 bilhão de euros, acima dos 1,2 bilhão previstos na iniciativa anterior.
Segundo a imprensa europeia, fontes ligadas ao processo indicaram que outras fabricantes e plataformas chegaram a ser consideradas. O requisito, contudo, permaneceu inalterado: a aquisição de seis aeronaves, ampliando o tamanho da frota italiana de aviões-tanque.
A licitação aberta inicialmente em abril terminou sem participantes. Posteriormente, o governo italiano lançou um novo processo restrito ao Espaço Econômico Europeu, que resultou apenas na proposta apresentada pela Airbus.
Favorecimento ao A330 MRTT
Caso a aquisição do KC-46 tivesse avançado, a Itália seria o único operador europeu da aeronave da Boeing. Atualmente, França, Espanha e Reino Unido operam o Airbus A330 MRTT, enquanto Bélgica, República Tcheca, Alemanha, Luxemburgo, Noruega e Países Baixos compartilham aeronaves A330 MRTT no âmbito da frota multinacional da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) (MMF – Multinational MRTT Fleet).
A crescente integração entre países europeus na área de defesa é apontada como um dos fatores que favorecem a padronização logística e operacional em torno do A330 MRTT.
Outro requisito relevante da Força Aérea Italiana envolve a necessidade de operar simultaneamente os sistemas de reabastecimento “flying boom” e “hose and drogue”, capacidades oferecidas tanto pelo KC-46 quanto pelo A330 MRTT.
Capacidades
Baseado no Airbus A330-200 comercial, o A330 MRTT acumula 85 encomendas de dezoito países desde sua entrada em serviço em 2011, somando mais de 340.000 horas de voo.
A aeronave foi desenvolvida desde sua origem para missões combinadas de transporte estratégico e reabastecimento em voo. O modelo pode transportar até 111 toneladas de combustível, capacidade considerada uma das maiores atualmente disponíveis entre aeronaves-tanque.
O sistema de reabastecimento inclui quatro estações: dois pods subalares Cobham 905E, uma unidade Cobham 805E instalada na fuselagem e o sistema de boom rígido ARBS (Aerial Refuelling Boom System).
Além das missões de reabastecimento aéreo, o jato multimissão pode transportar até 45 toneladas de carga útil, acomodar até trezentos passageiros e levar até 37 toneladas de carga no porão inferior.
Versão MRTT+ baseada no A330neo
Durante o Farnborough Airshow de 2024, a Airbus apresentou o A330 MRTT+, variante baseada no A330neo.
Segundo o fabricante, o modelo incorpora motores Rolls-Royce Trent 7000, melhorias aerodinâmicas e novas pontas de asa derivadas do A330-800 comercial. A empresa afirma que as modificações permitem redução de até 8% no consumo de combustível e menor emissão de ruído, mantendo 95% de comunalidade estrutural com o A330 MRTT atual.
A nova versão também eleva o peso máximo de decolagem de 233 para 242 toneladas, ampliando alcance operacional, capacidade de transferência de combustível e flexibilidade de emprego.
Paralelamente, a Airbus trabalha no desenvolvimento da tecnologia A3R (Automatic Air-to-Air Refueling), sistema automatizado de reabastecimento em voo projetado para reduzir a carga de trabalho do operador de boom e aumentar a segurança operacional durante missões de transferência de combustível em voo.
