Nordeste Magazine
Cultura

Chegou na Netflix a comédia romântica adorável com Cameron Diaz, Toni Collette e Shirley MacLaine

Chegou na Netflix a comédia romântica adorável com Cameron Diaz, Toni Collette e Shirley MacLaine

“Em Seu Lugar”, dirigido por Curtis Hanson, começa apresentando duas irmãs incapazes de ocupar o mesmo espaço sem transformar a convivência em desgaste emocional. Rose Feller (Toni Collette) trabalha como advogada em um escritório da Filadélfia. Tem rotina organizada, paga as próprias contas e tenta manter alguma estabilidade sentimental, embora passe boa parte do tempo sozinha. Maggie Feller (Cameron Diaz) vive no extremo oposto. Dorme até tarde, perde empregos, bebe demais e circula pela vida dos outros esperando acolhimento automático. A morte da mãe ainda pesa dentro da família e aparece silenciosamente em cada discussão.

Maggie mora com o pai e a madrasta, Sydelle (Candice Azzara), mas a convivência desanda depois de mais uma sequência de irresponsabilidades. Sydelle perde a paciência ao perceber que Maggie atravessa a casa inteira sem colaborar com absolutamente nada. Depois de ser expulsa, ela procura Rose, que aceita recebê-la mesmo sabendo exatamente o tamanho do problema que está levando para dentro do apartamento. O filme não transforma essa relação em reconciliação fofa desde o início. As duas se gostam, mas também carregam anos de inveja, irritação e comparação familiar.

Rose tenta seguir trabalhando normalmente enquanto Maggie ocupa o apartamento inteiro. Usa roupas sem pedir autorização, mexe nas gavetas da irmã, invade conversas privadas e transforma pequenas tarefas domésticas em confusão coletiva. Existe uma cena especialmente desconfortável em que Maggie flerta com um homem ligado à vida afetiva de Rose sem demonstrar qualquer culpa. Curtis Hanson filma esses momentos de maneira seca, quase constrangedora. A câmera permanece perto dos rostos, deixando silêncios longos ocuparem a cena até alguém explodir emocionalmente ou abandonar o ambiente.

Desgate invisível

O longa funciona muito bem quando acompanha o desgaste invisível entre as irmãs. Rose passa o dia cercada de processos, reuniões e clientes exigentes, mas chega em casa e continua desempenhando o papel de adulta responsável da família. Toni Collette interpreta essa exaustão com enorme precisão. Rose fala pouco, engole comentários ofensivos e tenta manter educação mesmo quando está prestes a perder o controle. Seu armário cheio de sapatos funciona quase como compensação emocional. Enquanto a vida afetiva fracassa repetidamente, ela compra pares novos numa tentativa meio desesperada de preencher algum vazio.

Cameron Diaz surpreende porque Maggie poderia facilmente virar apenas uma personagem irritante. Em muitos momentos ela realmente é insuportável. Mente, manipula situações e desaparece quando surge qualquer responsabilidade mínima. Ainda assim, a atriz evita transformar Maggie em caricatura. Existe fragilidade naquela postura infantil. Maggie vive procurando aprovação masculina, atenção familiar e algum sinal de que ainda pertence àquela casa. Ela fala demais, ri em momentos inadequados e toma decisões ruins em sequência, mas o filme deixa evidente que existe tristeza escondida sob toda aquela irresponsabilidade.

A situação explode quando Rose percebe que Maggie ultrapassou um limite impossível de ignorar. A convivência chega ao fim de maneira amarga e Maggie sai sem destino definido. É nesse momento que “Em Seu Lugar” muda discretamente de tom. Vasculhando a mesa do pai atrás de dinheiro, Maggie encontra um endereço escondido entre papéis antigos. A descoberta leva até Ella Hirsch (Shirley MacLaine), avó das irmãs, afastada da família há décadas.

Chegada que impacta

A entrada de Shirley MacLaine muda completamente a energia do filme. Ella vive em outra cidade, leva uma vida tranquila e não demonstra interesse em dramatizar o passado. Maggie chega até aquela casa esperando acolhimento automático, mas encontra uma mulher objetiva, irônica e pouco disposta a sustentar comportamentos infantis. Pela primeira vez, Maggie precisa conviver com alguém que não cai facilmente em suas desculpas. Ella estabelece horários, impõe pequenas obrigações e trata a neta como adulta, algo raro na vida dela.

Boa parte da força emocional do filme nasce dessas cenas mais simples. Maggie trabalhando numa casa de repouso. Rose tentando sair com homens que claramente não sabem lidar com sua insegurança. As irmãs telefonando uma para a outra sem coragem de dizer o que realmente sentem. Curtis Hanson observa esses momentos cotidianos sem transformar tudo em grande declaração sentimental. Ele prefere mostrar pessoas cansadas tentando sobreviver aos próprios defeitos.

O romance aparece de maneira discreta, acompanhando o amadurecimento das personagens. Rose conhece Simon Stein (Mark Feuerstein), um advogado casado cuja presença só aumenta sua sensação de inadequação. Maggie se aproxima de Jim Danvers (Richard Burgi), professor ligado ao universo da literatura, e pela primeira vez alguém parece enxergá-la além da aparência física. O filme trabalha essas relações sem fantasia exagerada. Adultos aqui carregam inseguranças permanentes, mesmo quando tentam parecer confiantes.

“Em Seu Lugar” também envelheceu melhor do que muitas comédias românticas lançadas nos anos 2000 porque não transforma independência feminina em slogan publicitário. Rose e Maggie erram constantemente. Ferem pessoas próximas, fazem escolhas ruins e acumulam frustrações constrangedoras. Ainda assim, o roteiro permite que ambas sejam contraditórias, egoístas, carentes e engraçadas ao mesmo tempo.



Fonte

Veja também

Diversão garantida e zero preocupações: a comédia com Liam Neeson na Netflix que vai dar um upgrade no seu dia

Redação

Uma das histórias mais bonitas na Netflix e você talvez nem tenha visto ainda

Redação

Baseado em best seller de Nicholas Sparks, esse é um dos romances mais amados dos anos 2000 e está no Prime Video

Redação

Leave a Comment

* By using this form you agree with the storage and handling of your data by this website.