PURTO VARAS – Cruzar a Cordilheira dos Andes entre Chile e Argentina é uma experiência que mistura deslocamento e contemplação em partes praticamente iguais. Ao longo de cerca de 12 horas de viagem, lagos glaciais, montanhas nevadas, florestas fechadas e pequenas vilas isoladas acompanham os passageiros durante todo o percurso entre Puerto Varas e Bariloche. E acredite: tudo isso transforma a viagem em um portal para vivências únicas, em cenários que parecem irreais, onde o tempo perde a importância.lhe.
Depois da passagem por Puerto Varas, a viagem promovida pela Diversa entrou em uma nova etapa com o grupo de 14 agentes embarcando no tradicional Cruce Andino. A travessia conecta os dois países por meio de navegações e trajetos terrestres que atravessam algumas das paisagens mais conhecidas da Patagônia.
O percurso começa cedo, ainda no centro de Puerto Varas, cidade chilena localizada às margens do Lago Llanquihue e conhecida pela forte influência da colonização alemã em sua arquitetura e gastronomia. Aos poucos, a paisagem urbana desaparece e dá espaço para rios transparentes, mata nativa e montanhas que acompanham praticamente toda a rota.

O primeiro trecho terrestre segue até Puerto Petrohué, dentro do Parque Nacional Vicente Pérez Rosales. Durante o caminho, o Vulcão Osorno domina a paisagem. Mesmo para quem já conhece a região, a presença constante da montanha coberta de neve chama atenção ao longo da estrada.
Em determinadas épocas do ano, muitos viajantes aproveitam a parada para visitar os Saltos de Petrohué, conhecidos pelas águas em tom esverdeado que correm sobre antigas formações vulcânicas. Durante o inverno, porém, a parada normalmente não acontece devido às condições climáticas da região.
Primeira navegação revela um dos cenários mais conhecidos da Patagônia chilena
A partir de Petrohué, no Chile, começa a primeira navegação da travessia. O catamarã cruza o Lago Todos los Santos em direção a Villa Peulla, pequeno vilarejo cercado pela vegetação patagônica.
O silêncio durante parte do percurso acaba sendo interrompido apenas pelo som da água e pelas conversas baixas dos passageiros espalhados pelo barco tentando registrar a paisagem. Em dias abertos, os vulcões aparecem refletidos no lago de tonalidade esverdeada.
Ao longo da viagem, o grupo da Diversa acompanhou a mudança constante dos cenários. Em poucos quilômetros, o clima muda, as nuvens descem sobre as montanhas e novas paisagens aparecem pela janela.

Para muitos agentes, a travessia também reforçou a importância de conhecer pessoalmente os destinos antes de apresentá-los aos clientes.
“Esse Cruce Andino é incrível. Ele conecta o Chile à Patagônia argentina e passa por paisagens exuberantes, lagos cristalinos verdes, montanhas com neve nos picos e vulcões durante praticamente todo o percurso. É indescritível. Tem que viver a experiência para entender a dimensão do lugar”, afirmou Lúcia Teixeira, da Agrotur Turismo Intercâmbio, de Lavras (MG).
Segundo a agente, a vivência prática acaba influenciando diretamente na relação com os passageiros. “Quando a gente vive a experiência, consegue passar tudo com mais verdade para os clientes. É algo que fica no coração e traz muito mais propriedade na hora de falar sobre o destino”, completou.
Villa Peulla funciona como ponto de parada antes da travessia internacional. Além do almoço e do descanso rápido, o local concentra os procedimentos migratórios de saída do Chile. Com poucas construções e cercada praticamente apenas por mata nativa, Peulla transmite a sensação de isolamento típica de algumas regiões da Patagônia.
Travessia da Cordilheira acontece entre lagos glaciais e montanhas

Depois da imigração, os passageiros seguem viagem em veículos menores pela Cordilheira dos Andes até Puerto Frías, já na Argentina. A estrada corta áreas preservadas cercadas por rios e montanhas nevadas. Em alguns trechos, a sensação é de estar atravessando regiões praticamente intocadas.
Na sequência acontece outra navegação, desta vez pelo Lago Frías. A coloração clara das águas chama atenção logo nos primeiros minutos do percurso. O tom esverdeado acontece por causa dos minerais vindos do degelo da Cordilheira.
A etapa seguinte leva os passageiros até Puerto Blest, uma das regiões históricas do Parque Nacional Nahuel Huapi.
Ali começa a última navegação da travessia, cruzando o Lago Nahuel Huapi até Puerto Pañuelo. O cenário já muda novamente. As montanhas continuam presentes, mas o lado argentino traz uma paisagem mais aberta, com hotéis, pequenas construções e o movimento típico da chegada em Bariloche. A previsão média de chegada ao centro da cidade argentina acontece por volta das 20h.

Quanto custa fazer o Cruce Andino entre Chile e Argentina
Os valores do Cruce Andino variam conforme a época do ano e a disponibilidade. Atualmente, a tarifa para brasileiros no trecho entre Puerto Varas e Bariloche gira em torno de US$ 355 por pessoa, valor próximo de R$ 1,8 mil na cotação atual.
O preço inclui:
- navegações
- trajetos terrestres
- transporte de bagagens
- coordenação operacional da travessia
Já refeições, hospedagem, entradas em parques e gastos pessoais costumam ser cobrados separadamente. No sentido Bariloche para Puerto Varas, também pode existir uma pequena taxa local entre US$ 2 e US$ 5 por passageiro em alguns pontos da rota.
Apesar de funcionar como ligação entre Chile e Argentina, o Cruce Andino acaba sendo encarado por muitos turistas como parte principal da viagem.
Mais do que ligar Chile e Argentina, o Cruce Andino transforma o próprio caminho em parte da viagem. Entre barcos, lagos glaciais e montanhas nevadas, o trajeto até Bariloche passa longe da correria comum dos deslocamentos tradicionais. Para os agentes que participaram da travessia, a experiência ficou marcada principalmente pela imensidão das paisagens e pela sensação de atravessar a Cordilheira em meio a cenários que mudam o tempo todo.
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*O M&E viaja com proteção GTA
