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Épico histórico de Oliver Stone, com Colin Farrell, Val Kilmer e Jared Leto, chega à Netflix

Épico histórico de Oliver Stone, com Colin Farrell, Val Kilmer e Jared Leto, chega à Netflix

“Alexandre” começa acompanhando a infância e a juventude de Alexandre da Macedônia, vivido por Colin Farrell, dentro de um ambiente dominado por guerra, rivalidade familiar e ambição política. O jovem cresce ouvindo que nasceu para algo grandioso, embora ninguém pareça concordar exatamente sobre o que isso significa. Filipe II, interpretado por Val Kilmer, quer transformar o filho em líder militar. Olímpia, personagem de Angelina Jolie, alimenta no garoto uma ideia quase mística de destino. O problema é que cada um tenta moldá-lo para interesses próprios, e Alexandre aprende cedo que confiança dentro do palácio vale menos do que espada afiada.

Oliver Stone acompanha esse início com interesse especial pelas disputas internas da corte. Antes mesmo das batalhas gigantescas aparecerem, o filme já mostra um rapaz cercado por traições, ciúmes e jogos de influência. Quando Filipe organiza novos casamentos e amplia alianças políticas, Alexandre percebe que sua posição como herdeiro pode ficar ameaçada. O pai lidera exércitos inteiros, mas dentro da família a situação funciona de maneira bem menos estável. Uma conversa atravessada durante um banquete consegue causar mais estrago do que muita batalha.

A morte de Filipe muda completamente a situação. Alexandre assume o trono ainda jovem e precisa agir depressa para evitar rebeliões e disputas pelo poder. Ele reúne aliados, elimina ameaças políticas e decide expandir o domínio macedônio sobre territórios cada vez maiores. O rapaz que antes tentava sobreviver à pressão familiar agora passa a carregar a responsabilidade de comandar milhares de soldados por regiões desconhecidas.

Guerras intermináveis

Depois da coroação, o filme mergulha nas campanhas militares contra o Império Persa. Alexandre atravessa desertos, cidades fortificadas e campos de batalha enquanto tenta derrotar Dario III. Stone dedica bastante tempo às estratégias de guerra e ao desgaste físico dessas viagens. Os soldados passam anos longe de casa. Muitos começam a questionar até onde vale continuar avançando. Alexandre, por outro lado, acredita que parar seria admitir fraqueza.

As cenas de batalha ocupam boa parte do longa e mostram um diretor interessado em transmitir confusão, sujeira e cansaço. Não existe glamour constante ali. Cavalos caem, soldados se perdem no meio da fumaça e os generais passam boa parte do tempo tentando entender quem ainda está vivo. Em alguns momentos, o filme parece tão interessado em registrar o peso físico da guerra que quase faz o espectador sentir areia na roupa.

Ao derrotar Dario, Alexandre ganha acesso a um império gigantesco. Só que vencer territórios é muito mais simples do que governá-los. Ele começa a incorporar costumes persas, adota roupas diferentes e aproxima líderes orientais da administração do reino. Parte dos macedônios interpreta isso como traição cultural. Os generais que marcharam ao lado dele desde a juventude passam a desconfiar das novas alianças. O imperador quer unir povos distintos sob uma mesma liderança. Seus homens querem voltar para casa carregando ouro e prestígio.

Amores e desconfianças

Rosario Dawson aparece como Roxana, princesa da Báctria que se torna esposa de Alexandre. O relacionamento entre os dois mistura desejo, política e necessidade de estabilidade. Roxana entende rapidamente o ambiente em que entrou. Ela sabe que qualquer passo errado dentro daquela corte pode virar motivo para disputa entre militares e conselheiros.

O filme também acompanha a relação de Alexandre com Heféstion, interpretado por Jared Leto. Mais do que amigo próximo, Heféstion funciona como uma das poucas pessoas capazes de falar com honestidade ao imperador. Enquanto vários oficiais tentam agradar o governante por interesse, Heféstion ainda conversa com ele sem cálculo político. Isso cria uma diferença importante dentro do círculo de confiança do rei.

Anthony Hopkins surge narrando parte da história como Ptolomeu já envelhecido. O recurso ajuda a construir a imagem de Alexandre como figura histórica quase impossível de separar da lenda. Cada personagem parece guardar uma versão diferente daquele homem. Para alguns, ele era visionário. Para outros, um líder incapaz de perceber quando parar. Stone trabalha essa contradição durante todo o filme.

Existe também um detalhe curioso no comportamento de Alexandre. Quanto maior seu império fica, mais isolado ele parece. O personagem passa boa parte do tempo cercado por soldados, conselheiros e amantes, mas raramente demonstra tranquilidade verdadeira. Ele conquista cidades inteiras e ainda assim vive observando quem pode traí-lo na próxima reunião.

O peso da grandeza

Oliver Stone tenta construir “Alexandre” como um épico histórico interessado mais nos custos do poder do que em celebração heroica. O filme acompanha alguém tratado desde jovem como figura extraordinária, mas que passa boa parte da vida lidando com insegurança, paranoia e desgaste físico. Colin Farrell interpreta Alexandre com energia constante. O personagem fala rápido, toma decisões impulsivas e parece sempre pressionado pelo medo de ser lembrado apenas como mais um rei.

A duração extensa do longa permite observar mudanças importantes nas relações entre os personagens. Generais antes leais começam a demonstrar irritação. Soldados cansados resistem às novas campanhas. O próprio Alexandre passa a agir de maneira mais agressiva quando percebe sua autoridade ameaçada. O império cresce enquanto a confiança dentro do exército diminui.

Mesmo com alguns excessos típicos do cinema épico dos anos 2000, “Alexandre” é melhor quando abandona a pose monumental e observa pequenos momentos de desgaste humano. Um olhar atravessado durante uma reunião militar, um aliado cansado de marchar ou uma conversa silenciosa dentro da tenda revelam mais sobre aquele governante do que qualquer discurso grandioso diante das tropas.



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