RIO DE JANEIRO – O setor de parques e atrações turísticas vive um momento de expansão no Brasil. A avaliação é de Cinthia Marques, representante da ONU Turismo, que acompanha a evolução do mercado e destaca o aumento de projetos voltados ao entretenimento integrado ao turismo. Durante entrevista concedida no Sindepat Summit 2026, a executiva comenta o crescimento do setor nos últimos anos e relaciona esse avanço ao aumento do fluxo turístico nacional e internacional no país. Segundo ela, os números apresentados durante o evento mostram um cenário de expansão contínua para parques temáticos, atrações e empreendimentos voltados ao lazer.
Ao comentar os dados apresentados durante o painel do evento, Cinthia cita o aumento de associações e projetos ligados ao setor de parques no Brasil. Ela também compara o cenário brasileiro ao mercado mexicano e ressalta o potencial de crescimento nacional. “São mais de 120 associações, no que começou com 12, está crescendo e crescerá ainda mais, os números provam isso”, afirma.
Para a representante da ONU Turismo, a tendência para os próximos anos aponta para uma integração maior entre parques, hotelaria, resorts e outras experiências de entretenimento. Segundo ela, os empreendimentos deixam de funcionar de forma isolada e passam a atuar dentro de grandes polos turísticos. Ela cita como exemplo o projeto do Polo Turístico Cabo Branco, na Paraíba, apresentado durante o evento e relembra a lógica de integração entre diferentes equipamentos turísticos que amplia o interesse dos visitantes e fortalece o destino como um todo. “Nesse setor, um mais um é sempre três, não é dois, é sempre mais gente para visitar os parques”, relata.
Brasil já é competitivo no turismo de atrações e parques
A executiva também avalia que o Brasil já se torna competitivo internacionalmente no segmento de parques temáticos e atrações turísticas. Segundo ela, o país vive um processo de profissionalização do setor, acompanhado por novos investimentos e pela chegada de marcas internacionais interessadas no mercado brasileiro. “Muita gente hoje sai do Brasil para ir para Disney, para Universal Studios, para Orlando, para outros parques, mas os parques brasileiros estão se profissionalizando de uma maneira fenomenal”, aponta.
Ao comentar exemplos nacionais, Cinthia cita o Beto Carrero World e menciona a “Nerf Mania”, instalada recentemente no parque. Ela também menciona o interesse de grupos internacionais no mercado brasileiro, como a Warner Bros e relembra do parque da Cacau Show, o “Cacau Park”, que prevê atrações ligadas ao universo do chocolate e entretenimento familiar.
Além da expansão física dos parques, Cinthia aponta que os eventos do setor também exercem um papel estratégico para o desenvolvimento do turismo e para a troca de experiências entre empresários, operadores, investidores e entidades públicas. Ao comentar a importância do Sindepat Summit 2026 para a ONU Turismo, ela afirma que encontros como esse permitem aproximação com o trade e contribuem para discussões ligadas ao futuro do setor. “Podemos colaborar de como fazer que esse setor seja um setor mais inclusivo, um setor mais sustentável”, afirma.
Durante o painel realizado no evento, Cinthia havia questionado os participantes sobre o legado deixado pelos empreendimentos turísticos para os destinos onde estão inseridos. “O que as atrações deixam de legado para o destino? Não é só o lucro. Lucro é importante, claro, mas tem um destino por trás daquilo e tem pessoas por trás daquilo”, ressalta. Na avaliação da executiva, o crescimento do turismo precisa gerar impactos econômicos e sociais permanentes para a população local. Entre os pontos mencionados por ela estão qualificação profissional, desenvolvimento regional e aumento do gasto médio dos visitantes.
O crescimento do setor de parques acompanha a expansão do turismo brasileiro nos últimos anos. Dados da Embratur mostram que o Brasil registra recorde de entrada de turistas internacionais em 2025, com 9,3 milhões de visitantes estrangeiros no período. Para especialistas do setor, o avanço da infraestrutura turística e a diversificação das atrações ajudam a consolidar o país como um destino competitivo também no segmento de entretenimento temático. A tendência observada no mercado aponta para empreendimentos multiuso, que unem hospedagem, gastronomia, lazer, compras e experiências imersivas em um mesmo complexo.
No caso brasileiro, a estratégia também acompanha mudanças no comportamento do consumidor, que busca viagens mais longas e experiências completas dentro de um único destino. Nesse contexto, resorts integrados a parques aquáticos, atrações temáticas, museus e rodas-gigantes passam a ganhar espaço em diferentes regiões do país. A movimentação do mercado também desperta o interesse de investidores nacionais e internacionais, especialmente diante do crescimento do turismo doméstico e da ampliação da conectividade aérea em estados brasileiros. Para representantes do setor, a expansão dos parques pode contribuir para aumentar o tempo de permanência dos turistas nos destinos e ampliar a geração de empregos ligados ao turismo e ao entretenimento.
Como destaca Cinthia Marques, o desafio agora envolve equilibrar crescimento econômico, sustentabilidade e desenvolvimento social. O futuro dos parques brasileiros, para ela, passa pela capacidade de integrar diferentes experiências turísticas sem perder de vista o impacto gerado nas cidades e comunidades locais.
