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O anti-herói de Keanu Reeves em sequência da maior franquia de ação dos últimos 15 anos na Netflix

O anti-herói de Keanu Reeves em sequência da maior franquia de ação dos últimos 15 anos na Netflix

Quando “John Wick: Um Novo Dia para Matar” começa, John Wick (Keanu Reeves) ainda tenta limpar os destroços deixados pela violência do primeiro longa. Seu carro continua desaparecido, sua casa parece um mausoléu silencioso e a promessa de aposentadoria vai ficando cada vez mais distante. Chad Stahelski faz essa continuação sabendo exatamente o que tornou o personagem tão popular: John não é um herói carismático que entra numa briga por prazer. Ele parece um homem cansado, irritado e sem paciência para lidar com mais uma madrugada cheia de cadáveres.

A primeira missão do filme envolve justamente o Mustang de 1969 roubado por Abram Tarasov (Peter Stormare), irmão do mafioso russo que entrou em guerra com John anteriormente. Wick invade um galpão cercado por criminosos, destrói carros raríssimos durante a perseguição e recupera o veículo depois de uma negociação curta e violenta. Há um humor curioso nessa sequência porque todos ao redor reconhecem quem ele é. Ninguém comemora sua chegada. Os personagens apenas lamentam o azar de estar no mesmo prédio que John Wick.

Uma dívida impossível

Depois de recuperar o carro, John acredita que poderá fechar as portas da violência novamente. A esperança dura pouco. Santino D’Antonio (Riccardo Scamarcio) aparece em sua casa carregando um marcador de sangue, medalhão utilizado para cobrar favores juramentados entre assassinos. Anos antes, John aceitou ajuda de Santino para abandonar o crime e viver ao lado da esposa. Agora o mafioso exige pagamento.

John se nega inicialmente porque sabe que voltar ao serviço significa abrir espaço para novas perseguições. Santino responde destruindo a casa inteira com um lança-granadas. O gesto muda completamente a situação. John perde o último lugar onde ainda parecia um homem comum. Restam o cachorro, o carro recuperado e uma dívida impossível de ignorar.

Winston (Ian McShane), proprietário do Hotel Continental, confirma que o marcador precisa ser honrado. O personagem fala baixo, quase como um gerente elegante tentando resolver problemas administrativos, mas sua palavra possui peso absoluto naquele universo. John aceita a missão e viaja para Roma sabendo que não encontrará saída confortável.

Roma como campo minado

A chegada à Itália expande o tamanho daquela organização criminosa. “John Wick: Um Novo Dia para Matar” troca becos escuros por hotéis luxuosos, passagens subterrâneas e festas da elite mafiosa. O curioso é que tudo funciona como uma empresa extremamente sofisticada. Há alfaiates especializados em roupas resistentes a tiros, sommeliers que entregam armas como se apresentassem vinhos raros e atendentes que tratam assassinatos com educação corporativa.

Stahelski cria humor sem transformar ninguém em piada. John atravessa corredores dourados ouvindo explicações técnicas sobre pistolas enquanto funcionários perguntam calmamente se ele prefere munição de maior impacto. A naturalidade daqueles diálogos torna o cenário ainda mais estranho.

Santino revela então o verdadeiro objetivo: John deve matar Gianna D’Antonio (Claudia Gerini), irmã do mafioso e integrante importante da Camorra. O crime permitirá que Santino assuma uma posição mais poderosa dentro da alta cúpula criminosa. Wick compreende rapidamente que foi usado como ferramenta política. Mesmo assim, cumprir a missão ainda parece menos perigoso do que quebrar as regras daquele código subterrâneo.

Todos querem John Wick

A sequência ambientada em Roma concentra algumas das melhores cenas do longa. John invade uma celebração luxuosa cercada por seguranças, músicos e corredores tomados por assassinos profissionais. Quando encontra Gianna em uma área privada do spa, os dois conversam com serenidade desconfortável. Ela entende o motivo da visita antes mesmo de ouvir qualquer detalhe.

O problema começa depois. Santino decide apagar rastros e envia sua guarda-costas, Ares (Ruby Rose), para eliminar John ainda na Itália. De repente, o homem contratado para resolver o problema se transforma na principal testemunha inconveniente daquela conspiração.

O filme cresce justamente nesse momento porque passa a tratar John como alvo público. Surge uma recompensa milionária por sua cabeça, e assassinos espalhados por Nova York começam a observá-lo em metrôs, praças, museus e estações lotadas. Uma simples caminhada vira ameaça constante. Até músicos de rua parecem suspeitos. Há uma paranoia divertida nessa ideia de que qualquer cidadão carregando um celular pode receber uma oferta para matar Keanu Reeves antes do café da manhã.

Keanu carrega o filme nas costas quase sem diálogos. Seu corpo comunica cansaço, irritação e concentração absoluta. Quando John luta, cada golpe parece pensado para encerrar a briga rapidamente porque perder tempo significa atrair mais perseguidores. Chad Stahelski filma essas sequências com uma dinâmica admirável. A câmera acompanha quedas, tiros e facadas sem transformar a ação numa bagunça tremida impossível de entender.

As regras do Continental

De volta a Nova York, John decide procurar Santino dentro do Continental, hotel que funciona como território neutro para criminosos. Nenhum assassinato pode acontecer ali. A regra mantém certa estabilidade entre facções perigosas e impede guerras abertas naquele espaço.

Ian McShane domina essas cenas com enorme elegância. Winston administra assassinos como alguém organizando reservas de restaurante. Cada frase parece um aviso educado prestes a terminar em execução. Quando Santino usa o hotel como proteção, John percebe que entrou num labirinto sem alternativas seguras.

“John Wick: Um Novo Dia para Matar” transforma corredores silenciosos, espelhos, estações vazias e salões luxuosos em armadilhas permanentes. Quase sempre existe alguém observando, esperando uma distração mínima para sacar uma arma.

Ao longo da história, John perde dinheiro, proteção e aliados enquanto tenta encerrar uma dívida criada muitos anos antes. A aposentadoria sonhada no começo desaparece aos poucos entre contratos, corredores subterrâneos e perseguições incessantes. Quando toma sua decisão mais arriscada dentro do Continental, ele altera sua posição naquele universo criminoso e transforma o próprio nome numa recompensa ambulante espalhada pelos telefones de Nova York.



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