Sindicato de comissários solicita triagem sanitária antes do embarque nos voos após mortes ligadas a surto de hantavírus
Um sindicato que representa comissários de bordo de companhias aéreas dos Estados Unidos, solicitou formalmente no fim da última semana, a adoção de triagem sanitária pré-embarque para identificar possíveis casos de hantavírus em voos comerciais.
O pedido ocorre após a morte de três pessoas ligadas a um surto registrado no cruzeiro MV Hondius, episódio que já teve desdobramentos operacionais em voos internacionais com destino a Amsterdã e Zurique.
A entidade alega que o atual protocolo sanitário adotado pelas companhias aéreas é insuficiente diante do risco de exposição de tripulantes e passageiros em ambientes fechados, especialmente em aeronaves de longo curso.
Caso em voo da KLM
A preocupação do sindicato aumentou após uma comissária da KLM ser hospitalizada nos últimos dias depois de prestar assistência a uma passageira com sintomas gastrointestinais severos em um voo procedente de Joanesburgo, na África do Sul.
A passageira fazia parte do grupo de turistas que estava a bordo do cruzeiro MV Hondius e morreu poucas horas após ser retirada da aeronave para atendimento médico.
Segundo o sindicato, exames de PCR realizados na tripulante apresentaram resultado negativo. Ainda assim, o sindicato avalia que o episódio evidenciou vulnerabilidades nos protocolos de biossegurança adotados na aviação comercial.
Cepa Andes
De acordo com informações divulgadas sobre o surto, a cepa identificada é a Andes orthohantavirus, considerada a única variante conhecida do hantavírus com capacidade comprovada de transmissão entre humanos.
O vírus pertence à família Bunyaviridae e tradicionalmente é transmitido pela inalação de partículas provenientes de fezes, urina ou saliva de roedores infectados.
A variante foi inicialmente identificada na região da Patagônia e preocupa especialistas por sua possibilidade de transmissão interpessoal — fator que amplia os desafios sanitários em aeronaves comerciais, onde passageiros permanecem por longos períodos em espaço confinado.
Embora aviões comerciais utilizem sistemas de filtragem com tecnologia HEPA (High Efficiency Particulate Air), considerados eficazes na retenção de partículas, especialistas apontam que o risco de contágio por contato próximo prolongado continua sendo um fator operacional relevante.
Medidas propostas
O plano apresentado pelo sindicato prevê mudanças nos procedimentos de embarque adotados por companhias aéreas.
Entre as medidas solicitadas estão o envio de comunicados por e-mail antes da viagem, anúncios adicionais nos portões de embarque, questionamento sobre contato recente com roedores, verificação de contato com pessoas sintomáticas nos últimos 45 dias, impedimento de embarque para passageiros considerados de risco, remarcação sem cobrança de taxas e o uso obrigatório de máscaras N-95 em voos com casos suspeitos.
A proposta impactaria diretamente operações internacionais de companhias aéreas como United Airlines, Alaska Airlines e Frontier Airlines, cujos tripulantes são representados pelo sindicato. Pelo menos uma delas faz voos regulares para o Brasil.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) mantém, até o momento, a avaliação de que o risco global permanece baixo, embora autoridades sanitárias continuem monitorando passageiros, tripulações e voos potencialmente expostos ao surto.
