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Drones com radar podem localizar água em Marte

Drones com radar podem localizar água em Marte

Estudo da Universidade do Arizona mostra que drones podem localizar gelo subterrâneo em Marte e auxiliar futuras missões espaciais

Pesquisadores da Universidade do Arizona, nos Estados Unidos, demonstraram que drones equipados com radar de penetração no solo podem ser utilizados para localizar depósitos de gelo enterrados sob rochas e sedimentos em Marte, tecnologia que poderá apoiar futuras missões de perfuração e exploração humana no planeta vermelho.

O estudo foi publicado eno fim de abril no periódico científico Journal of Geophysical Research: Planets e testou o sistema em geleiras cobertas por detritos nos estados do Alasca e de Wyoming.

A equipe do Lunar and Planetary Laboratory utilizou drones com radares embarcados para sobrevoar geleiras terrestres cobertas por camadas de rochas, ambiente considerado análogo às formações identificadas em Marte.

O objetivo foi medir a profundidade da camada de detritos que cobre o gelo subterrâneo — uma informação considerada crítica para futuras operações no planeta.

Se você quer tomar decisões sobre onde perfurar em Marte, precisa saber se o gelo que está tentando encontrar está sob um metro de detritos ou sob 10 metros”, disse Roberto Aguilar, pesquisador de doutorado do Lunar and Planetary Laboratory e autor principal do estudo. “Esse é o tipo de informação que um sistema baseado em drones pode fornecer.”

Segundo os pesquisadores, radares de penetração no solo já eram utilizados em geleiras expostas, onde o gelo é visível na superfície. No entanto, identificar gelo coberto por rochas é uma tarefa mais complexa, enquanto satélites em órbita não conseguem oferecer resolução suficiente para medições detalhadas.

Operação aérea

Ao voarem em baixa altitude, os drones conseguem gerar imagens com resolução superior à obtida por espaçonaves orbitais, permitindo identificar com maior precisão a profundidade dos depósitos subterrâneos.

Durante os testes, os pesquisadores ajustaram parâmetros operacionais do sistema, incluindo altitude ideal de voo, velocidade e alinhamento do radar.

Já sabíamos que o radar de penetração no solo funcionava, mas esta foi a primeira vez que o instalamos em drones e testamos como colocá-lo em prática”, disse Aguilar. “Aprendemos, por exemplo, em que altitude e velocidade o drone deve voar, além da importância de seguir a direção do fluxo da geleira.”

Validação dos dados

Para confirmar a precisão das medições, a equipe comparou os dados obtidos pelos drones com informações coletadas por meio de escavações e perfurações realizadas nas geleiras.

De acordo com os pesquisadores, os resultados foram compatíveis, validando a tecnologia para futuras aplicações em missões planetárias.

Aplicação em missões a Marte

Imagens de satélite já identificaram geleiras cobertas por detritos em regiões de latitude média de Mars, localizadas entre o equador e as calotas polares.

Parte desses depósitos está em crateras preenchidas por gelo e posteriormente cobertas por poeira. Outros estão em vales e áreas montanhosas protegidas por deslizamentos de rochas.

A proposta é que drones autônomos realizem missões de reconhecimento antes da chegada de astronautas, identificando depósitos de gelo mais acessíveis para extração.

A água em Marte é considerada um recurso estratégico para futuras operações espaciais. Além do consumo humano, ela pode ser utilizada para geração de oxigênio, apoio à produção agrícola e estudos sobre o histórico climático do planeta, incluindo possíveis evidências de vida antiga.

Experiência da NASA

A agência espacial norte-americana (NASA) já demonstrou a viabilidade de operações aéreas em Marte com o helicóptero Ingenuity, que chegou ao planeta junto ao rover Perseverance.

Entre 2021 e 2024, o helicóptero realizou mais de setenta voos no planeta, abrindo caminho para futuras plataformas aéreas voltadas à prospecção de recursos.

Desafios logísticos

Os testes em ambiente terrestre também exigiram esforço operacional da equipe científica.

No Alasca, pesquisadores transportaram equipamentos em terrenos irregulares sob grandes concentrações de mosquitos. Já em Wyoming, parte das áreas de teste exigiu caminhadas sobre campos de rochas para alcançar pontos mais elevados das geleiras.

Não é divertido caminhar sobre essas rochas”, disse Aguilar. “É por isso que é melhor usar um drone.”





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