Nordeste Magazine
Turismo

Aeronautas alertam para colapso na aviação civil no Brasil

Aeronautas alertam para colapso na aviação civil no Brasil

Sindicato Nacional dos Aeronautas dizem que aviação brasileira enfrenta risco e cita três frentes simultâneas

O Sindicato Nacional dos Aeronautas (SNA) divulgou nesta sexta-feira (1), um manifesto em que diz que o sistema aéreo brasileiro “caminha para um colapso sem precedentes”, citando três frentes simultâneas: a tramitação do Projeto de Lei nº 539/2024, a revisão do RBAC 117 (fadiga de tripulantes) e a paralisação do PLP nº 42/2023 (aposentadoria especial).

O documento foi direcionado ao Congresso Nacional, ao Poder Executivo e a instituições da República.

O PL nº 539/2024, aprovado na Câmara dos Deputados no último dia 22 de abril, autoriza empresas estrangeiras a operarem voos domésticos na Amazônia Legal com tripulação estrangeira. Emendas propostas pelo SNA para exigir tripulação integralmente brasileira foram rejeitadas. O texto segue para análise no Senado Federal.

Segundo o sindicato, a medida cria assimetria regulatória entre companhias aéreas brasileiras e operadores estrangeiros. “As companhias aéreas brasileiras são obrigadas por lei a operar com 100% de tripulação nacional, arcando com todos os custos trabalhistas e previdenciários do país”, diz o manifesto.

O SNA sustenta que a flexibilização pode induzir “concorrência predatória e desleal”, com efeitos potenciais sobre oferta de rotas, dimensionamento de frotas e emprego na aviação de negócios e no transporte aéreo regular.

O documento também argumenta que a exigência de tripulação nacional em rotas domésticas não impede a entrada de capital estrangeiro ou de aeronaves — incluindo jatos comerciais e turboélices —, mas busca evitar regimes de trabalho considerados incompatíveis com diretrizes da Organização da Aviação Civil Internacional (ICAO).

RBAC 117

A revisão do RBAC 117, que trata do gerenciamento do risco de fadiga humana, é apontada como outro ponto crítico. O sindicato disse que não houve avanço concreto na atualização normativa, enquanto operações aéreas registrariam aumento de jornadas e flexibilizações.

O texto cita relatório apresentado anteriormente por Luiz Ricardo de Souza e afirma que propostas ampliariam jornadas sem “a devida construção coletiva”. “Hoje, a realidade é clara: os aeronautas estão voando extremamente fatigados”, diz o manifesto, acrescentando que a fadiga teria deixado de ser risco pontual para se tornar condição recorrente.

De acordo com o SNA, evidências científicas associam jornadas extensas e madrugadas consecutivas à redução do desempenho cognitivo e ao aumento do risco de falhas operacionais, com implicações diretas para a segurança de voo.

Saúde ocupacional

O documento registra aumento de casos de Síndrome de Burnout, ansiedade, depressão e distúrbios do sono entre tripulantes. O sindicato associa esses quadros à carga de trabalho e à gestão de escalas, destacando impactos acumulados ao longo da carreira em operações de aviação comercial e de negócios.

Aposentadoria especial

O PLP nº 42/2023, que regulamenta aposentadoria especial para trabalhadores expostos a agentes nocivos — incluindo aeronautas —, foi retirado da pauta da Comissão de Finanças e Tributação da Câmara sob alegação de ausência de fonte de custeio.

O SNA contesta o argumento e menciona entendimento do Superior Tribunal de Justiça favorável ao direito à aposentadoria especial para a categoria. “A judicialização massiva custa mais aos cofres públicos do que a aprovação do projeto”, diz o manifesto.

O texto também referencia estudos da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) sobre exposição a radiação cósmica em altitude — acima de 28.000 pés —, além de fatores como microvibrações e variações de pressurização.

Convergência de fatores

O SNA sustenta que cabotagem com tripulação estrangeira, ausência de atualização adequada do RBAC 117 e indefinição previdenciária compõem um “vetor único de precarização” da aviação civil brasileira. Segundo o sindicato, o conjunto de medidas transferiria riscos para tripulantes e passageiros.

Recomendações institucionais

No manifesto, o sindicato pede ao Senado Federal a rejeição do PL 539/2024 nos moldes atuais ou aprovação de emendas que exijam tripulação integralmente brasileira em voos domésticos na Amazônia Legal e que a Câmara dos Deputados retome a tramitação do PLP 42/2023 para regulamentar a aposentadoria especial.

A entidade pede também que a Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) retome o diálogo técnico sobre o RBAC 117 com base em evidências científicas e negociação coletiva, que o Ministério de Portos e Aeroportos coordene institucionalmente a revisão regulatória alinhada à segurança operacional.

O documento conclui com apelo à sociedade e à categoria. “Quando um piloto ou comissário está descansado, amparado por leis justas e seguro quanto ao seu futuro, quem ganha é cada brasileiro que embarca em um avião”, diz o SNA.

Procuradas por AERO Magazine, o Senado Federal, a Câmara dos Deputados, a ANAC e o Ministério dos Portos e Aeroportos não haviam se posicionado sobre o caso até a publicação desta matéria.





Fonte

Veja também

Avião da United Airlines atinge caminhão e um poste nos EUA

Redação

Hantavírus em cruzeiro deixa mortos no Atlântico

Redação

Falência da Spirit Airlines paralisa voos nos EUA a partir deste sábado (02); saiba o que fazer

Redação

Leave a Comment

* By using this form you agree with the storage and handling of your data by this website.