Uma ocorrência envolvendo duas aeronaves comerciais chamou a atenção na manhã desta quinta-feira (30), no Aeroporto de Congonhas, na zona sul de São Paulo. Um Boeing 737-800 da Gol Linhas Aéreas e um Embraer E195-E2 da Azul Linhas Aéreas registraram perda de separação durante procedimentos simultâneos de pouso e decolagem, chegando a uma distância mínima de aproximadamente 22 metros entre si.
O episódio ocorreu por volta das 11h34, no horário local, quando o Boeing 737-800, de matrícula PR-GXN, realizou aproximação para pouso na cabeceira 17R, procedente de Salvador, no voo G31629. Ao mesmo tempo, o Embraer E195-E2, de matrícula PS-ADE, iniciou decolagem com destino a Confins, no voo AD6408. Durante a fase final da aproximação, o controle de tráfego aéreo orientou o piloto da aeronave da Gol a executar uma arremetida. A manobra consiste na interrupção do pouso para retomada de altitude, procedimento padrão em situações que exigem reavaliação das condições de aterrissagem. No mesmo intervalo, o jato da Azul iniciou a corrida de decolagem e passou a subir.
Dados da plataforma FlightRadar24 indicam que, durante a subida inicial do E195-E2, as aeronaves atingiram separação vertical mínima de 75 pés, equivalente a cerca de 22 metros, enquanto sobrevoavam a região da Rua Raiz da Serra, no bairro do Jabaquara. A proximidade ocorreu em um momento crítico das operações, quando ambas as aeronaves se encontravam em alta velocidade e baixa altitude. Após a redução da separação, os pilotos executaram manobras evasivas: o Boeing 737-800 iniciou curva à direita, enquanto o Embraer E195-E2 realizou curva à esquerda, ampliando o afastamento entre as trajetórias.
Relatos de passageiros, funcionários do aeroporto e moradores da região foram encaminhados ao portal Aeroin. Segundo esses depoimentos, as aeronaves passaram “muito mais próximas do que o habitual”, o que provocou apreensão entre quem presenciou a cena. As informações são baseadas em testemunhos coletados após o ocorrido.
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Apesar da proximidade, não houve registro de colisão ou danos às aeronaves

Após a arremetida, o Boeing da Gol realizou nova aproximação e pousou em segurança no Aeroporto de Congonhas. Já o Embraer da Azul manteve a rota prevista e segue para Confins, onde completou o voo sem intercorrências. O controle de tráfego aéreo conduziu a situação e manteve a segurança operacional, evitando consequências mais graves. A atuação envolve a coordenação entre torre de controle e tripulações, com instruções para ajuste de trajetória e separação das aeronaves.
Casos de arremetida fazem parte da rotina da aviação comercial e podem ocorrer por diferentes fatores, como condições de pista, tráfego aéreo ou necessidade de manter parâmetros de segurança e evitar colisão. A perda de separação, no entanto, é tratada como ocorrência relevante e pode ser analisada por órgãos responsáveis pela investigação aeronáutica. O episódio reforça a complexidade das operações no Aeroporto de Congonhas, que opera com alta frequência de voos e limitações operacionais características, como pista única e localização em área urbana. Essas condições exigem coordenação precisa entre pilotos e controladores.
A perda de separação entre aeronaves ocorre quando a distância mínima prevista entre aviões não é mantida. No caso registrado, a separação vertical de 22 metros está abaixo dos padrões usuais adotados na aviação comercial, que variam conforme a fase do voo e o tipo de operação. A investigação de ocorrências desse tipo busca identificar fatores contribuintes, como comunicação, procedimentos operacionais e condições do tráfego aéreo. Os dados registrados por sistemas de monitoramento, como o FlightRadar24, podem auxiliar na reconstituição dos fatos.
*Com informações de Aeroin e Cidade Alerta.
