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Realismo fantástico na Netflix: o vencedor de 3 Oscars que conquistou o mundo

Realismo fantástico na Netflix: o vencedor de 3 Oscars que conquistou o mundo

Em 1918, na cidade de Nova Orleans, nasce Benjamin Button, vivido por Brad Pitt, com o corpo de um idoso e uma expectativa de vida incerta. Assustado, seu pai o abandona na porta de um asilo. Quem decide acolhê-lo é Queenie, a cuidadora que administra o lugar e assume a criação daquela criança improvável. Em “O Curioso Caso de Benjamin Button”, Cate Blanchett interpreta Daisy, a menina que cruza o caminho de Benjamin ainda na infância, quando ambos têm a mesma idade cronológica, mas vivem fases completamente diferentes.

Benjamin cresce cercado por idosos, aprende a andar com dificuldade e observa o mundo de dentro de um espaço onde a despedida é rotina. Ele se adapta porque precisa. Testa os limites do próprio corpo, aprende tarefas simples e conquista pequenas liberdades, como circular pelos corredores e sair à rua. O asilo funciona como abrigo e também como limite, já que tudo ali gira em torno do fim da vida, enquanto ele, de forma estranha, caminha na direção oposta.

Quando Daisy aparece, ainda criança, o encontro acontece sem grandes explicações. Eles conversam, se reconhecem e criam um vínculo que depende de visitas e permissões. Não há promessa grandiosa, mas existe curiosidade e uma espécie de entendimento silencioso. O problema surge com o tempo. Daisy cresce, se desenvolve, entra no balé; Benjamin rejuvenesce. A cada reencontro, a diferença entre eles muda de forma, o que impede qualquer continuidade simples.

Caminhos que não se alinham

Já adulto, Benjamin decide trabalhar em um rebocador e passa longos períodos longe de Nova Orleans. A escolha aumenta seu mundo, mas cobra distância. Ele ganha experiência, dinheiro e independência, enquanto Daisy, interpretada por Cate Blanchett, constrói sua carreira como bailarina, enfrenta lesões e tenta manter o foco em um ambiente competitivo. Eles se escrevem, se encontram quando possível, mas nunca estão exatamente no mesmo momento da vida.

Esse desencontro constante não vem de falta de vontade. Ele acontece porque o tempo impõe ritmos incompatíveis. Quando Benjamin retorna, mais jovem, ele encontra Daisy em outra fase, mais madura, mais exigente com a própria vida. Em certos momentos, eles se aproximam; em outros, se afastam. Cada tentativa de se encaixar exige escolha prática: ficar ou partir, insistir ou recuar.

Quando o tempo permite

Existe um período em que Benjamin e Daisy finalmente se encontram em condições semelhantes. Ele já não parece velho, ela já não é tão jovem. É quando decidem viver juntos. A relação ganha forma concreta: casa, rotina e responsabilidades. Eles deixam de ser encontros ocasionais e passam a dividir o cotidiano, o que exige ajustes constantes.

Esse trecho da história tem algo de quase banal, e é justamente aí que reside sua força. Eles cozinham, conversam, dormem no mesmo espaço, enfrentam pequenas tensões do dia a dia. Mas há um detalhe que não desaparece: o relógio continua em movimento contrário para Benjamin. Enquanto Daisy envelhece, ele se torna cada vez mais jovem, e essa diferença começa a produzir consequências práticas.

Decisões que custam caro

Quando Benjamin percebe que continuará rejuvenescendo, ele passa a antecipar um problema: não conseguirá sustentar a vida que construiu ao lado de Daisy. A ideia de se tornar dependente, de inverter completamente os papéis, pesa nas decisões que precisa tomar. Ele não dramatiza em excesso, mas age. E agir, nesse caso, significa abrir mão de permanecer.

Daisy, por sua vez, precisa lidar com a própria vida, sua carreira e o impacto dessas escolhas. Ela não é espectadora passiva; reage, questiona, tenta entender até onde vale insistir. A relação entre os dois nunca se sustenta por idealização. Ela depende de condições reais, e quando essas condições mudam, o vínculo também se transforma.

“O Curioso Caso de Benjamin Button” conta essa história sem pressa, acompanhando décadas de mudanças, perdas e reencontros. David Fincher aposta na observação contínua dos personagens, deixando que cada fase revele um novo tipo de conflito. Brad Pitt constrói um Benjamin discreto, muitas vezes silencioso, enquanto Cate Blanchett dá a Daisy uma presença firme, marcada por decisões difíceis.

Ao longo do filme, o tempo não é metáfora distante. Ele interfere, separa, aproxima e impõe limites que nenhum personagem consegue negociar. Benjamin tenta viver como qualquer pessoa, mas carrega uma condição que o impede de permanecer no mesmo lugar por muito tempo. Cada escolha que ele faz altera sua posição no mundo e redefine o que é possível manter.

Quando a história avança para seus momentos finais, não há grandes discursos ou soluções fáceis. O que existe são gestos concretos, decisões tomadas sob pressão e consequências que se acumulam. Benjamin segue seu caminho, cada vez mais distante do ponto de partida, enquanto Daisy precisa continuar a própria vida. O tempo, que nunca para, apenas segue seu curso, indiferente a qualquer tentativa de controle.



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