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O Prime Video esconde um dos filmes mais subestimados de Ti West — e ele envelheceu melhor do que parecia

O Prime Video esconde um dos filmes mais subestimados de Ti West — e ele envelheceu melhor do que parecia

A vida e seus golpes inesperados muitas vezes fazem-nos ter a certeza de que estamos num imenso tabuleiro, onde alguém controla o que pensamos, subverte nossas vontades e eis que chega a hora de encarar no susto uma mudança sem a qual todos passariam muito bem. Esses abusos do destino, a que todos têm de se acostumar porque inevitáveis, determinam de que maneira cruzaremos o trecho que resta da estrada, se olhando mais o chão, ou, se, ao contrário, quanto mais alta a cabeça, mais próximos estaremos da verdade. Os quartos vazios de um resort distante podem ocultar mistérios indevassáveis — e saborosas esquisitices —, como provou Kubrick com “O Iluminado” (1980), e em “Hotel da Morte” Ti West recorre à mesma proposição para levar uma história de medos fantasiosos e concretos. “Hotel da Morte” serve de prólogo à exitosa trilogia de West, composta por “X: A Marca da Morte” (2022), “Pearl” (2022) e “MaXXXine” (2024), nos ousados primeiros movimentos de cenas que instigam emoções nada óbvias.

Realismo fantástico

O mundo, um lugar cuja hostilidade persegue-nos sem descanso, fica ainda mais perigoso depois de certas experiências, de certos passeios pelo que quase nunca se mostra, e o diretor-roteirista explicita muito bem essa ideia. West escolheu situar boa parte de seu filme no Yankee Pedlar Inn, um hotel esquecido de Torrington, Connecticut (e efetivamente abandonado em 2015) e, querendo ou não, essas impressões de um cenário que é mais que um estúdio repleto de detalhes prevalecem. Restam neste Yankee Pedlar a recepcionista Claire e Luke, o mensageiro, e a única hóspede, Leanne Rease-Jones, que encerrou a carreira na televisão para estudar os assuntos ligados à paranormalidade. Sem muito em comum, os três acabam por se unir em volta dos moradores invisíveis do prédio, fantasmas, para Claire e Luke, ou espíritos, que merecem dedicação exclusiva e aprofundamento teórico, como tem feito Leanne. O pulo do gato aqui é acompanhar a maneira de que West lança mão para questionar a leviandade com a qual os dois funcionários lidam com o tema, o que, por uma ironia magistralmente deslindada pouco depois, facilita o trabalho da ex-atriz, agora quase uma bruxa. Sara Paxton, Pat Healy e Kelly McGillis entendem aonde o diretor quer chegar, e ele continua a fazer do terror não apenas um manancial de boas intervenções estéticas, mas também uma leitura original do estranhamento da vida.



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