A demanda global por transporte aéreo cresceu 2,1% em março de 2026, segundo a IATA
A demanda global por transporte aéreo de passageiros avançou 2,1% em março de 2026 na comparação com o mesmo mês de 2025, segundo dados divulgados hoje (29), pela Associação do Transporte Aéreo Internacional (IATA).
O resultado foi influenciado pela forte retração das operações internacionais de companhias do Oriente Médio, que registraram queda de 60,8% no tráfego e limitaram a expansão global do setor.
O volume total de passageiros cresceu 2,1%, enquanto a oferta de assentos recuou 1,7% no período. Com isso, a taxa média global de ocupação alcançou 83,6%, alta de 3,1 pontos percentuais em relação a março de 2025.
Tráfego internacional e crise no Oriente Médio
A demanda internacional apresentou retração de 0,6% em março frente ao mesmo período do ano anterior. A capacidade internacional caiu 6,2%, enquanto o fator de ocupação subiu para 84,1%, avanço de 4,7 pontos percentuais.
Segundo a IATA, a principal razão para a queda foi a redução expressiva no tráfego das transportadoras do Oriente Médio, afetadas por restrições operacionais e impactos regionais sobre a malha aérea.
Mercado doméstico
O segmento doméstico manteve o crescimento do transporte aéreo global em março. A demanda interna avançou 6,5% na comparação anual, com expansão de 5,6% na capacidade ofertada. A taxa de ocupação doméstica chegou a 83%, alta de 0,7 ponto percentual.
China e Brasil lideraram novamente o desempenho entre os mercados domésticos, com crescimento em dois dígitos no volume de passageiros transportados. Austrália e Japão também apresentaram aceleração relevante, enquanto a Índia registrou retração, possivelmente associada à redução de voos alimentadores para hubs conectados ao Oriente Médio.
América Latina
As companhias aéreas da América Latina tiveram crescimento de 12,1% na demanda de passageiros em março de 2026 na comparação anual. A capacidade aumentou 8,4% no mesmo período, e a taxa de ocupação atingiu 83,8%, com avanço de 2,7 pontos percentuais.
O desempenho regional reforça a recuperação operacional e o aumento da conectividade no mercado latino-americano, especialmente em rotas domésticas e internacionais de curta e média distância.
Pressão do preço do combustível
Além da demanda, a IATA destacou preocupação com o fornecimento e o preço do querosene de aviação, fator que pode impactar o comportamento dos passageiros nos próximos meses.
Segundo Willie Walsh, diretor geral da entidade, regiões com maior dependência de suprimentos vindos do Golfo, como Ásia e Europa, podem enfrentar restrições de abastecimento. O executivo também afirmou que o aumento do custo do combustível já começa a ser refletido nas tarifas aéreas.
O gestor acrescentou que, até o momento, não houve impacto relevante sobre o tráfego de março nem sobre as reservas futuras, mas alertou para a necessidade de estabilização no fornecimento e nos preços do combustível, além de maior flexibilidade regulatória na gestão de slots aeroportuários diante das restrições de espaço aéreo e possíveis medidas de racionamento.
