A Gol articula sua entrada como terceira interessada no processo do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) que analisa o aporte da American Airlines na Azul. Fontes afirmam que a companhia aérea brasileira se movimenta para participar do caso, cujo prazo para ingresso de terceiros se encerra nesta segunda-feira (27).
A American Airlines mantém uma parceria histórica com a Gol e já deteve cerca de 5% do capital da companhia brasileira. Essa participação foi diluída durante o processo de reestruturação financeira da Gol, concluído nos Estados Unidos em junho de 2025. Além da Gol, o Instituto de Pesquisas e Estudos da Sociedade e Consumo (IPSConsumo) também deve ingressar como terceiro interessado na análise conduzida pelo Cade.
O investimento da American Airlines na Azul integra um pacote de aportes que inclui também a United Airlines, com cada uma comprometendo US$ 100 milhões na reestruturação da companhia brasileira. No caso da United, o Cade já aprova a operação, considerando que a empresa norte-americana já era acionista da Azul antes do processo de reestruturação.
A análise do aporte da American Airlines ocorre separadamente. A estratégia adotada pela Azul consiste em dividir os processos, o que permite avaliações distintas por parte da autoridade concorrencial. A Superintendência-Geral do Cade inicia a análise no começo de abril, após notificação formal da operação.
A entrada da American Airlines na reestruturação da Azul surpreende agentes do mercado. Havia expectativa de que o investimento fosse direcionado à Gol, considerando a relação entre as empresas. No entanto, o aporte não se concretiza na companhia parceira e é redirecionado à Azul.
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Aporte da American Airlines na Azul
O movimento reacende discussões sobre a atuação das companhias aéreas norte-americanas no Brasil. Informações divulgadas pela imprensa internacional indicam que o presidente da United Airlines, Scott Kirby, mantém conversas com integrantes do governo dos Estados Unidos sobre uma possível fusão com a American Airlines. Segundo relatos, Kirby critica a recusa da concorrente em considerar a operação. Ele atua anteriormente como executivo da American antes de assumir posição na United em 2016.
A Gol e a American Airlines mantêm acordo de “codeshare”, que permite o compartilhamento de voos entre as empresas. Esse tipo de parceria amplia a oferta de rotas aos passageiros e integra operações comerciais.
O investimento conjunto de American e United na Azul gera questionamentos por parte do IPSConsumo. A entidade aponta que as duas companhias norte-americanas possuem participação na holding Abra, que controla a Gol e a Avianca. Diante desse cenário, o instituto solicita análise detalhada sobre possíveis impactos concorrenciais.
Em fevereiro, o Cade aprova o investimento da United Airlines na Azul. A participação da empresa, já existente anteriormente, sofre diluição durante a reestruturação da companhia brasileira, concluída no mesmo mês.
A estimativa indica que, ao final do processo, tanto a American quanto a United detenham cerca de 8% do capital da Azul. As duas empresas passam a figurar como acionistas de referência, com presença no conselho de administração. Nesse contexto, Jeff Ogar é indicado para o conselho da Azul, enquanto Patrick Wayne Quayle já integra o colegiado.
Em março, o Cade decide, por unanimidade, encaminhar à Superintendência-Geral um pedido do IPSConsumo que aponta possível consumação antecipada de operação, conhecida como “gun jumping”, envolvendo Azul e American Airlines. O instituto menciona potenciais reflexos na governança corporativa e na troca de informações sensíveis com a United Airlines. Cabe à área técnica avaliar se há infração à legislação concorrencial.
Procuradas, Azul, American Airlines e Gol não se manifestam sobre o caso.
*Com informações de Valor Econômico.
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