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Al Pacino e Karl Urban formam uma dupla improvável em história policial cheia de pistas sinistras na Netflix

Al Pacino e Karl Urban formam uma dupla improvável em história policial cheia de pistas sinistras na Netflix

Aprendemos ainda em tenra idade que o diabo nunca é tão feio quanto se pinta. Manifestações do mal rondam a existência humana sob as formas mais insuspeitas, são muitas vezes até contraditoriamente belas, e justamente por essa razão inspiram uma delicadeza rara, de que poucos são capazes, e acendem em nós o instinto de preservação mais básico, que surge ninguém sabe ao certo como nem de onde, mas que acaba por nos servir muito mais que somente um protetor: torna-se um guia poderoso, de que nos valemos em todas as circunstâncias onde o risco é imperioso. Johnny Martin sustenta em “Letras da Morte” a elementar conclusão de que o existir, a despeito das circunstâncias em que se acham os indivíduos, não prescinde jamais de sua natureza heterogênea e absurda. Martin e os roteiristas Michael Caissie e Charles Huttinger urdem uma história de crimes aterradores, cheia de subtramas, levada por dois policiais aplicados, corretos, uma boa pista para se entender o que quiseram contar.

O jogo do predador

O cinema deve muito a suas figuras malditas, em especial a seus homens solitários, infelizes misantropos que, desta ou daquela maneira, encarnam o melhor e o pior da humanidade, suas contradições, seu balanço dialético para a origem do mal e a salvação. Aqueles que mantêm a humanidade a salvo da vileza do mundo precisam descobrir um predicado qualquer que convença os demais de que vale a pena sair da cama e encarar o mundo e seus desdouros — e o fascinante nisso é que, quanto mais exóticos melhor. Ray Archer é um fauno, um pecador, uma criatura endiabrada que não se submete a ninguém e não aceita que digam-lhe o que fazer. O único a ganhar desse velho detetive algum laivo de sensatez e doçura é Will Ruiney, o chefe do departamento de polícia de Monroe, uma cidade fictícia do sul dos Estados Unidos, e os dois se unem na tarefa de antever os passos de um assassino que usa o corpo de suas vítimas para escrever as letras que compõem uma certa palavra, como se jogasse forca. Al Pacino se sai muito bem, mas Karl Urban o supera. Bravos!



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