Após três meses de inscrições e centenas de obras registradas, o 4º CURTA! Festival — Documentários e Ficções BR anunciou os 25 títulos selecionados para a mostra Outras Janelas. A edição de 2026, apresentada pela Claro, será exibida online e gratuitamente para todo o Brasil entre 1º de junho e 1º de julho. Ao todo, o festival terá quatro mostras competitivas e distribuirá mais de R$ 170 mil em prêmios, definidos por voto popular e júri especializado.
A mostra Outras Janelas reúne documentários e séries documentais brasileiros produzidos a partir de 2023, com ou sem exibição prévia em TV ou streaming. A seleção contempla obras ligadas aos eixos editoriais do Canal Curta!, como Música, Artes, Cena & Cinema, Pensamento e História & Sociedade. Segundo a organização, a curadoria levou em conta critérios como relevância temática, qualidade técnica e artística e originalidade na abordagem.
Entre os destaques da programação estão produções que atravessam a música popular brasileira, o teatro, a contracultura, a diáspora africana, a memória urbana e debates sociais contemporâneos. O documentário “Antes que Me Esqueçam, Meu Nome É Edy Star — O Filme”, dirigido por Fernando Moraes, revisita a trajetória do artista baiano Edy Star e a efervescência da contracultura brasileira entre as décadas de 1960 e 1980, com depoimento de Caetano Veloso.
A música também aparece em “Fernanda Abreu — da Lata 30 Anos”, de Paula Severo, que retoma o processo de criação do álbum lançado em 1995. O filme apresenta imagens inéditas de estúdio e depoimentos de nomes como Herbert Vianna, Lenine e Deborah Colker. Outro título ligado à canção brasileira é “Eu Sou o Samba, Mas Pode Me Chamar de Zé Keti”, de Luiz Guimarães de Castro, que reconstitui a vida e a obra do compositor carioca com depoimentos de Cacá Diegues, familiares e parceiros.
A programação musical inclui ainda “Villa-Lobos em Paris”, de Marcelo Machado e Alexandre Guerra. O documentário acompanha a relação do compositor Heitor Villa-Lobos com a capital francesa após a repercussão de sua participação na Semana de Arte Moderna de 1922, explorando encontros e influências que redefiniram sua produção artística.
No campo das artes cênicas, um dos títulos de destaque é “Palco Cama”, de Jura Capela, dedicado ao universo de Zé Celso Martinez Corrêa, um dos nomes centrais do teatro brasileiro, morto em 2023. Já “Bate Cabelo!”, de Luís Knihs, investiga a origem do movimento criado por Márcia Pantera no palco da boate Nostromondo, em São Paulo, no início dos anos 1990, e sua importância para a cena noturna brasileira.
A mostra também abre espaço para investigações históricas e sociais. “Agudás, os ‘Brasileiros’ do Benin”, de Aída Marques, examina os vestígios culturais e as contradições deixadas por três séculos de relação entre Brasil e África, a partir das histórias de descendentes de africanos escravizados no Brasil que retornaram ao continente africano após a Abolição. Já a série “Homens sem Lei”, de José Francisco, aborda a Scuderie Le Cocq, grupo de extermínio surgido no Rio de Janeiro em meados dos anos 1960, com depoimentos de Aguinaldo Silva, Zuenir Ventura e outros convidados.
Além da Outras Janelas, o CURTA! Festival 2026 terá outras três mostras: Produção Canal Curta!, Brasiliana e Porta Curtas.
A Produção Canal Curta!, já consolidada no evento, será dedicada a filmes e séries documentais sobre artes e humanidades viabilizados pelo Fundo Setorial do Audiovisual e exibidos no Curta! entre junho de 2025 e maio de 2026. Nessa categoria, o público define os finalistas e o júri especializado escolhe os vencedores.
A nova Mostra Brasiliana reunirá filmes de ficção nacional disponíveis no streaming Brasiliana TV, incluindo clássicos e obras contemporâneas. Já a Porta Curtas será voltada a curtas-metragens de ficção, documentário e animação selecionados pelo desempenho no streaming homônimo. A categoria também terá uma seção hors concours com clássicos do curta-metragem brasileiro, como “Ilha das Flores”, de Jorge Furtado; “Recife Frio”, de Kleber Mendonça Filho; “Nelson Cavaquinho”, de Leon Hirszman; e “A Dama do Estácio”, de Paulo Thiago.
Nas mostras Brasiliana e Porta Curtas, os vencedores serão escolhidos pelo público. Os dois streamings fazem parte do Grupo Curta! e estão disponíveis na Claro tv+.
Após a etapa online, o festival terá programação presencial em agosto. Entre os dias 3 e 6, serão realizadas as Salas de Montagem, com sessões de filmes em finalização acompanhadas por diretores e montadores, além de masterclasses com realizadores. A cerimônia de premiação está marcada para 7 de agosto.
O festival tem patrocínio da Claro, por meio da Lei Rouanet de Incentivo à Cultura, do Ministério da Cultura, e apoio da Academia Internacional de Cinema, Estação NET, Quanta, RioFilme, Start Locadora, Revista de CINEMA, Associação Brasileira de Cinematografia e Revista Bula.
Agudás, os Brasileiros do Benin, documentário de Aída Marques
Amazônia Negra — Expedição Amapá, documentário de Marcel Lapa
Amor e Morte em Julio Reny, documentário de Fabrício Cantanhede
Antes que Me Esqueçam, Meu Nome É Edy Star — O Filme, documentário de Fernando Moraes
Até Onde a Vista Alcança, documentário de Alice Villela e Hidalgo Romero
Bate Cabelo!, documentário de Luís Knihs
Black Future, Eu Sou o Rio, documentário de Paula Severo
Cobra Canoa, documentário de Enio Staub
Coisas Daqui — 4ª Temporada, série de João Flores
Como Nascem os Heróis, série de Iberê Carvalho
Concerto de Quintal, documentário de Juraci Júnior
Eu Sou Neta dos Antigos, documentário de Adriana Miranda
Eu Sou o Samba, Mas Pode Me Chamar de Zé Keti, documentário de Luiz Guimarães de Castro
Fernanda Abreu — da Lata 30 Anos, documentário de Paula Severo
Homens sem Lei, série de José Francisco
InDUBtável 2 — Reggae Documento, documentário de William Sernagiotto
Itacoatiaras, documentário de Sérgio Andrade e Patrícia Gouvêa
Nelson Pereira dos Santos — Vida de Cinema, documentário de Aída Marques
Palco Cama, documentário de Jura Capela
Rio — do Barroco ao Contemporâneo, um Museu a Céu Aberto, documentário de Dario Menezes
Sede de Rio, documentário de Marcelo Abreu Góis
Sin Embargo, uma Utopia, documentário de Fabiana Parra
Topo, documentário de Eugenio Puppo
Utopia Tropical, documentário de João Amorim
Villa-Lobos em Paris, documentário de Marcelo Machado e Alexandre Guerra
