Sem juros, com parcelas previsíveis e a promessa de adquirir um bem ao longo do tempo, o consórcio aparece como uma alternativa mais em conta do que o financiamento. Mas isso não significa que se deva entrar em um grupo sem planejamento, pois existem questões importantes que vão além da compra em si.
Dá para entrar mesmo com dívidas? Precisa ter dinheiro guardado? Quanto da renda faz sentido comprometer? E o que acontece se o plano não sai como esperado no meio do caminho?
Essas respostas são o que acabam definindo se o consórcio vai ajudar no planejamento financeiro. Veja a seguir o que especialistas falaram ao InfoMoney sobre o tema.
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O que considerar antes de entrar em um consórcio
O primeiro ponto é óbvio e passa pela situação financeira de quem está pensando em entrar em um consórcio.
Por ser um compromisso de médio a longo prazo, ele exige algum nível de organização, principalmente para evitar interrupções no meio do caminho, alerta Ana Carolina Melo, especialista em consórcio e planejadora financeira do Grupo Nexco.
Isso não significa que seja preciso estar com tudo resolvido. Mas alguns sinais ajudam a indicar se é o momento adequado: renda estável, contas em dia e uma visão clara do próprio orçamento.
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Outro fator importante é o quanto da renda pode ser comprometida com as prestações. Embora não exista uma regra única, algumas referências podem ajudar na decisão.
“Algo entre 10% e 20% da renda já é um bom começo, podendo chegar a até 30%, dependendo do perfil. O mais importante é ser sustentável no tempo”, diz Ana Carolina.
Por outro lado, o consórcio também pode ajudar quem tem dificuldade de poupar, justamente por criar uma obrigação recorrente, diz Thiago Savian, sócio-diretor da Unifisa.
“O consórcio acaba sendo um ‘boleto do bem’, uma forma de se programar e reservar um valor todos os meses”, avalia.
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Precisa ter dinheiro guardado? Como funcionam os lances
Uma das dúvidas mais comuns é se é necessário ter uma reserva antes de entrar em um consórcio. A resposta é não, mas isso influencia diretamente o tempo até a contemplação, pois sem recursos próprios, o participante depende mais do sorteio.
Uma alternativa para acelerar mesmo sem dinheiro é usar uma parte da carta de crédito como lance (o chamado “lance embutido”). Lembrando que isso reduz o valor disponível lá na frente, como alerta Thiago Savian.
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O lance embutido ganha peso na definição de algumas estratégias. Em alguns casos, faz sentido contratar uma carta de crédito um pouco maior justamente para ter margem de manobra no lance sem comprometer tanto o valor final.
“Às vezes, o consorciado ajusta o valor da carta já pensando nisso, para conseguir antecipar a contemplação sem perder capacidade de uso depois”, diz Savian.
Outro fator importante é entender o que torna um lance competitivo. Não basta olhar para um número ou percentual isolado; é preciso antes observar o comportamento do grupo ao longo do tempo, alerta Ana Carolina.
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“O ideal é olhar o histórico, pelo menos, dos últimos seis meses. Hoje, muitos lances ficam entre 50% e 70% da carta, geralmente com uso de embutido”, afirma a especialista.
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Resumo para avaliar:
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| Aspecto | O que observar |
|---|---|
| Lances | – Não precisa ter dinheiro guardado (mas ajuda). – Lance embutido usa parte da carta e reduz valor final. – Lances competitivos costumam ficar entre 50% e 70% da carta (estratégia importa mais do que percentual). |
| Planejamento e disciplina | – Funciona como organização financeira no longo prazo. – Ajuda quem tem dificuldade de poupar regularmente. – “Boleto do bem”: forma de reservar um valor todos os meses. |
| Desistência | – O valor pago sofre descontos. – Há sorteios mensais para antecipar a devolução. |
