A hotelaria do estado de São Paulo registrou, em março de 2026, um desempenho alinhado às projeções do setor, refletindo a retomada gradual da demanda corporativa e um arrefecimento no segmento de lazer. Os dados fazem parte da 69ª edição da pesquisa divulgada pela ABIH-SP, que aponta crescimento nos principais indicadores em relação a fevereiro e estabilidade frente ao mesmo período do ano anterior.
A Taxa de Ocupação (TO) alcançou 60,01% no mês, com avanço de 12,36% sobre fevereiro. Já a Diária Média (DM) ficou em R$ 539,44, registrando leve alta de 0,99%, enquanto o RevPar (receita por apartamento disponível) atingiu R$ 323,72, um aumento de 13,47% na comparação mensal e o segundo maior índice da série histórica.
Na análise anual, apenas a Taxa de Ocupação apresentou leve retração, de quase 1% frente a março de 2025. Em contrapartida, a Diária Média cresceu 7,67% e o RevPar avançou 6,55%, indicando um cenário de maior rentabilidade mesmo com ajustes na ocupação.

A movimentação do período confirma uma mudança sazonal típica do setor. A partir de março, o turismo corporativo tende a ganhar força, enquanto o lazer perde intensidade – ainda que feriados prolongados, como os registrados no calendário, continuem funcionando como impulsionadores pontuais da demanda.
Desempenho regional revela contrastes
Entre as regiões turísticas monitoradas (MRTs), apenas três registraram queda na Taxa de Ocupação: Vale do Rio Grande, Oeste Paulista/Terra do Sol e Vale do Paraíba Serras. As demais apresentaram crescimento, reforçando o cenário positivo no consolidado estadual.
No caso da Diária Média, sete MRTs tiveram retração, mas o desempenho das regiões com perfil corporativo compensou as perdas, mantendo o indicador geral em alta. Já o RevPar apresentou queda em apenas três regiões, refletindo o impacto combinado de ocupação e tarifas.
Os destaques negativos ficaram novamente com Vale do Rio Grande e Vale do Paraíba-Serra, que tiveram recuos mais expressivos. Por outro lado, Entradas e Bandeiras Polo Corporativo e Capital Paulista lideraram os resultados, consolidando a expectativa de aquecimento do turismo de negócios.
Perfil da hotelaria e desafios operacionais
A pesquisa também detalha o perfil dos empreendimentos participantes. Entre os respondentes, 47,83% se classificam como econômicos, 47,83% como midscale e 5,43% como upscale. Em relação ao posicionamento, 55,43% dos hotéis têm foco corporativo, 32,61% atendem tanto lazer quanto negócios e 11,96% são voltados exclusivamente ao lazer.
Outro ponto de atenção é a relação entre número de funcionários e unidades habitacionais (UHs), que permaneceu estável em 0,58 em março. Apesar da estabilidade, o indicador ainda está 3,33% abaixo do registrado no início da série histórica, iniciada em julho de 2020, e segue com tendência de crescimento.
A percepção geral do setor indica que a contratação de mão de obra qualificada continua sendo um desafio. Ao mesmo tempo, mudanças recentes na legislação trabalhista podem contribuir para atrair profissionais de volta à atividade.
Custos operacionais e rentabilidade
No campo financeiro, a relação entre despesas e receitas apresentou queda de 6,43% em relação a fevereiro, com média de 66,28% nos últimos 12 meses — o equivalente a cerca de dois terços da receita bruta comprometidos com custos operacionais.
Na comparação anual, no entanto, houve aumento de 7,68% nesse indicador, evidenciando pressão sobre a rentabilidade. O levantamento considera exclusivamente a relação entre receitas e despesas informadas pelos hotéis, sem incluir métricas como EBITDA.
Amostragem e aprimoramento da base de dados
A edição contou com respostas de 92 propriedades, abrangendo 321 municípios e representando 138.678 unidades habitacionais, cerca de 70,15% do total considerado na amostragem. Os hotéis respondentes somaram 11.761 UHs.
A entidade também informou que está finalizando uma atualização da base de dados, com o objetivo de aprimorar a precisão das análises. O trabalho inclui cruzamento de informações do Cadastur, plataformas digitais, sites de prefeituras e uso de inteligência artificial para filtragem.
Com a atualização, a pesquisa passa a considerar todos os municípios das MRTs, ampliando a representatividade e oferecendo um retrato mais fiel da oferta de hospedagem no estado.
Perspectivas para os próximos meses
A expectativa da hotelaria para abril e o início de junho é de continuidade no aquecimento da demanda corporativa, mesmo com a presença de feriados prolongados como Semana Santa e Tiradentes, que tendem a gerar picos no lazer.
O setor projeta manutenção do equilíbrio entre ocupação e rentabilidade, com atenção especial às regiões que ainda enfrentam desempenho abaixo da média estadual.
