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Austrália irá antecipar aposentadoria de seus C-27J Spartan

Austrália irá antecipar aposentadoria de seus C-27J Spartan

Retirada do C-27J Spartan será para substituição por aeronaves comerciais, com foco em transporte logístico no Pacífico e ampliação da frota de C-130J

A Austrália decidiu retirar de serviço sua frota de dez aeronaves de transporte tático Leonardo C-27J Spartan, da Leonardo, e substituí-la por aeronaves comerciais, conforme estabelece a Estratégia Nacional de Defesa 2026 (NDS), divulgada ontem (16).

A medida encerra a operação do modelo na Royal Australian Air Force (RAAF) pouco mais de uma década após sua introdução. Não há, até o momento, cronograma definido para a desativação nem especificação do modelo substituto.

A NDS enquadra a decisão como parte de um reposicionamento mais amplo da RAAF, com ênfase em capacidades de longo alcance, inteligência, vigilância e reconhecimento (ISR) e poder de ataque ampliado. Segundo o documento, a frota de Spartan dará lugar a “uma frota de aeronaves comerciais para apoiar o transporte de pessoal e logística através do Pacífico”.

A retirada do C-27J integra um conjunto de nove prioridades estratégicas, que incluem a integração dos mísseis AGM-158 JASSM-ER e LRASM aos caças F/A-18F Super Hornet e F-35A, o desenvolvimento de armas hipersônicas, investimentos no drone de combate MQ-28A Ghost Bat e a aquisição de um sistema moderno de gerenciamento de batalha aérea.

Histórico

A aquisição dos C-27J ocorreu em maio de 2012 por meio do programa Foreign Military Sales (FMS) dos Estados Unidos. As aeronaves foram produzidas pela então Alenia Aermacchi, atualmente integrada à Leonardo. O modelo foi selecionado após superar o Airbus C-295 em requisitos operacionais da RAAF.

O primeiro exemplar foi entregue em 2015, e a frota foi completada em 2018. Operados pelo Esquadrão Nº 35 na base de Amberley, os Spartans constituem o menor vetor de transporte da RAAF, ao lado dos Lockheed Martin C-130J Hercules e Boeing C-17A Globemaster III.

Desafios de disponibilidade

Desde sua introdução, o C-27J enfrentou dificuldades persistentes de sustentação, com baixos índices de disponibilidade atribuídos a problemas na cadeia de suprimentos.

Relatórios indicam que o modelo de aquisição via FMS contribuiu para a complexidade logística, ao canalizar o suporte por intermediários norte-americanos, em contraste com a rede direta utilizada por outros operadores.

Em 2021, a Força de Defesa Australiana redirecionou o emprego da aeronave para missões de assistência humanitária e resposta a desastres (HADR), afastando-a de sua função original de apoio a operações de combate no exterior.

Emprego operacional

O C-27J demonstrou utilidade em cenários de emergência, incluindo a crise de incêndios florestais de 2019–2020 e operações recentes de socorro a enchentes em Queensland, operando em pistas curtas ou não preparadas. Ainda assim, essas capacidades específicas — como rampa traseira e desempenho em pistas austere — podem ter menor relevância nas missões rotineiras de transporte regional previstas na nova estratégia.

Substituição

Embora a NDS não detalhe o substituto, a diretriz aponta para aeronaves comerciais capazes de assumir tarefas de menor complexidade, como transporte de pessoal e carga paletizada no Pacífico. Paralelamente, a Austrália mantém um pedido de vinte novos C-130J Hercules, com entregas previstas a partir de 2028, substituindo a atual frota de doze unidades e ampliando a capacidade total.

Essa expansão pode compensar parcialmente a retirada de um transporte tático com rampa traseira em missões mais exigentes.

Possíveis alternativas

Entre os candidatos plausíveis está o ATR 72-600, turboélice amplamente operado por companhias aéreas do Pacífico e disponível em versão cargueira dedicada, com capacidade de até 9,2 toneladas. O modelo já possui aplicação militar, como na Marinha da Turquia, sob a designação TMUA (Turkish Maritime Utility Aircraft).

Apesar de não dispor de rampa traseira nem do mesmo desempenho em pistas não preparadas, o ATR 72-600 pode atender ao perfil de missões logísticas e de transporte leve delineado pela estratégia australiana.

Impactos no programa aéreo do Pacífico

A substituição do C-27J também considera o papel da aeronave no Pacific Air Program, responsável por prover transporte aéreo, vigilância e treinamento a países insulares parceiros. A NDS destaca que qualquer solução futura deverá manter esse compromisso regional.

Tendência

A retirada do Spartan segue um padrão recente na Austrália de descontinuação antecipada de plataformas militares com desafios de sustentação. O país já substituiu os helicópteros NH90 Taipan pelos UH-60 Black Hawk e prevê retirar os helicópteros Tiger até 2028.

Repercussões no mercado

A decisão australiana levanta questionamentos sobre a sustentabilidade de longo prazo do C-27J no mercado global. Atualmente, cerca de 87 aeronaves estão em operação em quinze países. A Lituânia, por exemplo, reportou dificuldades semelhantes de suporte e optou por modernizar sua frota até 2036, adiando uma possível substituição.

A Leonardo promove uma versão Next Generation do Spartan, com aviônicos atualizados e maior capacidade de missão, além de recentes vendas, como quatro unidades de patrulha marítima para a Arábia Saudita. Ainda assim, a saída da Austrália e a possível disponibilidade de aeronaves seminovas podem influenciar o cenário competitivo.





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