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Rússia revela o novo Tupolev Tu-454 para reconstruir sua aviação civil

Rússia revela o novo Tupolev Tu-454 para reconstruir sua aviação civil

Apresentado como resposta às sanções ocidentais e ao fim da parceria no CR929, o Tu-454 marca a tentativa russa de retomar o desenvolvimento de aviões de fuselagem larga

A Rússia apresentou o conceito do Tupolev Tu-454, proposta de aeronave de fuselagem larga voltada ao segmento intercontinental. Embora os detalhes técnicos ainda não tenham sido divulgados, a configuração projetada indica uma classe de capacidade e alcance próxima à dos Airbus A350 e Boeing 787, o que posiciona o programa como uma tentativa de reconstruir capacidade russa em um segmento hoje sem produto nacional.

O projeto surge em um contexto de forte restrição estrutural para a aviação civil russa. Desde 2022, sanções e embargos ocidentais ampliaram as dificuldades de acesso a aeronaves, componentes, suporte técnico e cadeias globais de fornecimento. Nesse cenário, o Tu-454 é apresentado como resposta à necessidade de reduzir a dependência externa e, ao mesmo tempo, preencher a lacuna deixada pelo colapso do programa sino-russo CR929, originalmente desenvolvido em parceria entre a United Aircraft Corporation (UAC) e a Comac para a mesma categoria de mercado.

De acordo com as informações preliminares divulgadas, o Tu-454 deverá ser equipado com dois motores UEC-Aviadvigatel PD-26. O propulsor teria empuxo estimado em 57.300 lbf, faixa compatível com motores que historicamente equiparam widebodies da mesma faixa de capacidade, como o GE CF6 e o Pratt & Whitney JT9D.

O programa PD-26 foi anunciado em meados do ano passado com foco inicial em um futuro cargueiro militar com capacidade de até 100 toneladas. Ainda sem confirmação oficial, é provável que parte da arquitetura tecnológica do PD-26 seja derivada do também projetado PD-35, turbofan de maior porte estimado entre 77.000 e 83.700 lbf, possivelmente com fan de 3,1 metros de diâmetro.

O anúncio foi feito durante o 20º Russian Venture Forum, em Kazan. Na apresentação, a UAC destacou o Tu-454 como parte de um esforço mais amplo para reduzir a dependência tecnológica do Ocidente e reconstruir a base industrial da aviação civil russa. Trata-se de um objetivo estratégico para Moscou, sobretudo porque, após o colapso da União Soviética em 1991, a indústria aeronáutica civil do país perdeu escala, competitividade e inserção internacional.

Nos anos seguintes, a Rússia lançou alguns programas para tentar recuperar parte dessa capacidade, com destaque para o Superjet. Ainda assim, os resultados operacionais e comerciais ficaram aquém do necessário para consolidar uma indústria civil robusta. Mesmo no mercado doméstico, a aceitação foi limitada, e parte relevante das encomendas ocorreu em ambiente fortemente induzido pelo Estado, condição que se tornou ainda mais evidente após as restrições impostas em 2022.

Caso avance até a fase de certificação e entrada em serviço, o Tu-454 poderá se tornar o primeiro widebody integralmente desenvolvido pela Rússia pós-soviética. O Ilyushin Il-96, embora ainda em operação, deriva de um projeto concebido na era soviética e permaneceu restrito em escala industrial, com produção total inferior a 40 unidades. O novo programa, portanto, tem importância que vai além do produto em si, funcionando como indicador da capacidade russa de retomar projetos em uma categoria de alta exigência técnica e industrial.

A ruptura com a China no antigo CR929 reforça esse isolamento. Diante das sanções, do ambiente financeiro russo e das diferenças de visão industrial, os chineses optaram por seguir com um caminho próprio no agora C929. A estratégia de Pequim tende a preservar uma lógica mais próxima do modelo ocidental, baseada em integração com fornecedores globais, como já ocorreu no C919, com o objetivo de reduzir riscos, controlar custos e ampliar o potencial de inserção internacional.

No caso russo, a lógica é distinta. O Tu-454 aparece menos como um programa com ambição global e mais como uma solução de soberania industrial para atender necessidades domésticas e recompor capacidades estratégicas perdidas.

A meta preliminar aponta para primeiro voo até 2030, prazo que, se mantido, ainda dependerá da maturação do motor, da disponibilidade de sistemas nacionais e da capacidade da indústria russa de sustentar um programa dessa complexidade sob sanções prolongadas.





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