Quatro astronautas estão perto da lua quando a Grande Guerra destrói tudo por aqui. Distraídos com a beleza da vista, não notam nada. Então Reid Wiseman olha pelo retrovisor e não vê mais Terra onde era uma bola azul. Cutuca Victor Glover:
— Ei, cadê o planeta que estava ali?
Eles tentam contato. Ouvem apenas um tuu-tuu-tuu de telefone antigo. Jeremy Hansen vira-se para Christina Koch:
— E agora? Há algo que possamos fazer?
— Não. A única coisa a fazer é tocar um tango argentino.
*
Na outra versão para a mesma história, os quatro estão justamente contemplando a Terra quando os derradeiros bombardeios ocorrem. Abraçados ali, no camarote-foguete, enxugam as lágrimas emocionados com o espetáculo.
— Tenho quase certeza de que ainda resta uma garrafa de espumante na geladeira. Vamos brindar — lembra um deles.
Quando um dos quatro saca o celular do bolso para tirar uma foto, os outros olham para ele em sinal de repreensão.
— É que, bem, essas explosões lá longe… Parece réveillon.
*
— Quer dizer que agora somos a humanidade?
— Sim.
— Vamos tirar uma selfie?
*
Ou:
A mais de 400 mil quilômetros da Terra, eles não haviam nem sequer notado algo de diferente no planeta. Chegada a hora de novo comando, Christina encarrega-se de chamar a base.
Alguns segundos de espera e a resposta vem em gravação automática, vozinha de telemarketing:
— Por motivos técnicos, planeta está temporariamente indisponível. Tente novamente mais tarde.
*
— Quer dizer que agora somos a humanidade?
— Sim.
— O que fazemos?
— Precisamos decidir quem daqui somos nós e quem são eles.

