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Pouca gente notou que a Netflix colocou no catálogo um filme com Mia Goth e Elizabeth Debicki

Pouca gente notou que a Netflix colocou no catálogo um filme com Mia Goth e Elizabeth Debicki

Dirigido por Ti West, com Mia Goth, Elizabeth Debicki, Moses Sumney e Kevin Bacon, “MaXXXine” leva a trilogia para Los Angeles, em 1985, e recoloca Maxine Minx diante daquilo que sempre perseguiu, a fama. Sobrevivente do massacre de “X”, ela tenta deixar o cinema adulto e entrar em “The Puritan II”, uma continuação de terror de baixo orçamento que pode lhe servir como passagem para outro tipo de carreira. É isso que a move. Ao mesmo tempo, a cidade vive sob o impacto do Night Stalker, e a polícia começa a se aproximar dela como se o passado ainda não tivesse terminado.

Hollywood sob cerco

A cena do teste para “The Puritan II” ajuda a entender por que Maxine continua sendo uma figura tão forte dentro dessa série. Diante de Elizabeth Bender, ela segura o corpo, mede a voz e ocupa a sala com a calma de quem sabe que será examinada antes mesmo de abrir a boca. Ela entra pronta. Ti West acerta ao não transformar esse momento num discurso sobre superação ou revanche; basta observar o modo como ela se coloca naquele espaço, entre o desejo de subir e a certeza de que será julgada pelo que fez, pelo que sobreviveu e pelo lugar de onde veio.

A mudança do Texas para Hollywood não está ali só para dar outra cor ao filme. “MaXXXine” passa por telejornais, fitas VHS, peep shows, letreiros de neon, corredores de estúdio e ruas marcadas pelo medo do Night Stalker, enquanto os detetives Williams e Torres tentam ligar a protagonista a uma sucessão de mortes que vai se aproximando de sua rotina. A cidade pesa. O brilho dos anos 1980 aparece sempre contaminado por algo mais áspero, como se a promessa de sucesso viesse grudada na sujeira do asfalto, no calor do camarim e na sensação de que qualquer passo em falso pode virar notícia policial.

Sangue nos bastidores

No meio disso tudo, John Labat aparece como a pior lembrança possível, um detetive particular contratado para persegui-la e para cavar o que ainda restou enterrado do massacre anterior. Maxine precisa segurar o papel em “The Puritan II”, suportar a pressão dos policiais e impedir que os crimes novos se misturem ao horror que ela trouxe do Texas. Não sobra muito ar. Quando Ti West a empurra por corredores, telefonemas ameaçadores e portas que nunca parecem fechar direito, o filme encontra um impulso mais firme, menos preso a revelações do que à sensação física de uma mulher acuada e obrigada a continuar andando.

Esse aperto fica ainda mais visível quando a ação se aproxima do maquinário de Hollywood, dos sets, dos bastidores e da violência mostrada sem pudor. Há uma perseguição por estúdio e backlot que desemboca numa referência material a “Psycho”, e a escolha não parece gratuita, porque coloca Maxine dentro de uma indústria que transforma medo em mercadoria, imagem em produto e sangue em espetáculo. O sangue corre solto. Os efeitos práticos de mutilação e as cenas de ataque mantêm a tensão em pé mesmo quando a trama se espalha um pouco mais do que deveria, sempre trazendo a personagem de volta ao mesmo impasse, ganhar espaço e seguir viva até o próximo passo.

Mia Goth segura o centro de “MaXXXine” com uma dureza que nunca parece decorativa. Sua personagem recusa tanto o papel de sobrevivente de “X” quanto o de atriz pornô tentando ser aceita por um mundo moralmente mais respeitável do que realmente é, e dessa recusa saem os momentos mais fortes do longa, com Elizabeth Debicki, Kevin Bacon e Michelle Monaghan gravitando ao redor dela. Ela continua andando. Ti West talvez não encontre aqui a mesma unidade de “X” e “Pearl”, mas encontra um modo direto de acompanhar essa mulher por Los Angeles, entre sirenes, refletores e o chão pintado de um estúdio que parece sempre prestes a ceder.



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