Em “Maxxxine”, dirigido por Ti West, Mia Goth retorna ao papel de Maxine Minx, agora tentando se firmar como atriz em Hollywood, nos anos 1980, depois de sobreviver a um massacre que insiste em não ficar no passado. e que volta a ameaçar sua carreira no momento em que ela mais precisa avançar.
Maxine chega a Los Angeles com um objetivo claro: deixar para trás o cinema adulto e conquistar espaço na indústria tradicional. Ela corre atrás de testes, enfrenta olhares desconfiados e aceita o que aparece, inclusive um papel em um filme de terror de baixo orçamento. Não é exatamente o sonho ideal, mas é uma oportunidade concreta, e, naquele momento, é o que ela tem. O problema é que Hollywood até abre a porta, mas não esquece facilmente quem bateu antes nela.
A protagonista
Interpretada com intensidade por Mia Goth, Maxine é uma personagem que não pede permissão: ela entra, ocupa espaço e insiste. Só que essa insistência tem custo. Cada teste negado, cada comentário atravessado e cada produtor hesitante deixam claro que sua transição de carreira não depende só de talento, mas também de apagar, ou pelo menos esconder, um passado incômodo.
E é justamente esse passado que volta à tona quando um detetive particular, vivido por Kevin Bacon, começa a investigá-la. Ele não chega fazendo barulho, mas também não demora a mostrar a que veio. Vasculha registros, segue pistas e tenta conectar Maxine a eventos violentos anteriores. A investigação não precisa de provas públicas para causar estrago, basta a suspeita para colocar sua nova carreira em risco. E, nesse tipo de ambiente, reputação vale mais que qualquer teste bem-sucedido.
Crimes em série
Enquanto isso, um assassino em série conhecido como Night Stalker começa a atacar mulheres ligadas ao meio artístico. Os crimes não são apenas notícia de jornal: eles interferem diretamente na rotina de quem vive e trabalha ali. Filmagens mudam de horário, equipes reforçam segurança, e o clima nos bastidores fica cada vez mais tenso. Maxine, que já estava sob pressão, agora precisa lidar também com um medo real, físico, imediato.
O mais interessante é como o filme não transforma Maxine em vítima passiva. Ela reage. Evita certas pessoas, controla melhor o que diz, calcula onde vai e com quem fala. Não porque quer, mas porque precisa. Há uma consciência constante de que qualquer deslize pode custar caro, seja um papel perdido, seja algo mais grave. E ainda assim, ela não desiste. Pelo contrário, insiste em continuar trabalhando, como se manter-se visível fosse sua melhor forma de defesa.
Existe até um certo humor em alguns momentos de bastidores, especialmente nas interações mais desconfortáveis com produtores e colegas. Não é um humor escancarado, mas aquele tipo de ironia que surge quando a situação é tão absurda que só resta rir por dentro. Esses momentos dão respiro, mas não aliviam de fato a tensão que acompanha a personagem o tempo todo.
Desfecho
Ti West rege a narrativa com foco claro no percurso de Maxine. Não há grandes desvios: tudo gira em torno das escolhas dela e das consequências imediatas que essas escolhas trazem. A investigação avança, os crimes continuam, e a carreira dela segue por um fio, um fio que ela se recusa a soltar.
“Maxxxine” funciona justamente por manter essa linha de tensão constante entre ambição e ameaça. Maxine quer ser vista, reconhecida, lembrada, mas, ao mesmo tempo, precisa evitar que olhem de perto demais. É um equilíbrio instável, e o filme sabe disso. Cada passo à frente vem acompanhado de um risco novo, e a sensação é de que, a qualquer momento, tudo pode desmoronar.
Ainda assim, ela segue. Porque, para Maxine Minx, parar não é uma opção, e desaparecer, definitivamente, também não.

