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Sequência de slasher de Ti West, com Mia Goth, chega mais sanguinário que nunca na Netflix

Sequência de slasher de Ti West, com Mia Goth, chega mais sanguinário que nunca na Netflix

Em “Maxxxine”, dirigido por Ti West, Mia Goth retorna ao papel de Maxine Minx, agora tentando se firmar como atriz em Hollywood, nos anos 1980, depois de sobreviver a um massacre que insiste em não ficar no passado. e que volta a ameaçar sua carreira no momento em que ela mais precisa avançar.

Maxine chega a Los Angeles com um objetivo claro: deixar para trás o cinema adulto e conquistar espaço na indústria tradicional. Ela corre atrás de testes, enfrenta olhares desconfiados e aceita o que aparece, inclusive um papel em um filme de terror de baixo orçamento. Não é exatamente o sonho ideal, mas é uma oportunidade concreta, e, naquele momento, é o que ela tem. O problema é que Hollywood até abre a porta, mas não esquece facilmente quem bateu antes nela.

A protagonista

Interpretada com intensidade por Mia Goth, Maxine é uma personagem que não pede permissão: ela entra, ocupa espaço e insiste. Só que essa insistência tem custo. Cada teste negado, cada comentário atravessado e cada produtor hesitante deixam claro que sua transição de carreira não depende só de talento, mas também de apagar, ou pelo menos esconder, um passado incômodo.

E é justamente esse passado que volta à tona quando um detetive particular, vivido por Kevin Bacon, começa a investigá-la. Ele não chega fazendo barulho, mas também não demora a mostrar a que veio. Vasculha registros, segue pistas e tenta conectar Maxine a eventos violentos anteriores. A investigação não precisa de provas públicas para causar estrago, basta a suspeita para colocar sua nova carreira em risco. E, nesse tipo de ambiente, reputação vale mais que qualquer teste bem-sucedido.

Crimes em série

Enquanto isso, um assassino em série conhecido como Night Stalker começa a atacar mulheres ligadas ao meio artístico. Os crimes não são apenas notícia de jornal: eles interferem diretamente na rotina de quem vive e trabalha ali. Filmagens mudam de horário, equipes reforçam segurança, e o clima nos bastidores fica cada vez mais tenso. Maxine, que já estava sob pressão, agora precisa lidar também com um medo real, físico, imediato.

O mais interessante é como o filme não transforma Maxine em vítima passiva. Ela reage. Evita certas pessoas, controla melhor o que diz, calcula onde vai e com quem fala. Não porque quer, mas porque precisa. Há uma consciência constante de que qualquer deslize pode custar caro, seja um papel perdido, seja algo mais grave. E ainda assim, ela não desiste. Pelo contrário, insiste em continuar trabalhando, como se manter-se visível fosse sua melhor forma de defesa.

Existe até um certo humor em alguns momentos de bastidores, especialmente nas interações mais desconfortáveis com produtores e colegas. Não é um humor escancarado, mas aquele tipo de ironia que surge quando a situação é tão absurda que só resta rir por dentro. Esses momentos dão respiro, mas não aliviam de fato a tensão que acompanha a personagem o tempo todo.

Desfecho

Ti West rege a narrativa com foco claro no percurso de Maxine. Não há grandes desvios: tudo gira em torno das escolhas dela e das consequências imediatas que essas escolhas trazem. A investigação avança, os crimes continuam, e a carreira dela segue por um fio, um fio que ela se recusa a soltar.

“Maxxxine” funciona justamente por manter essa linha de tensão constante entre ambição e ameaça. Maxine quer ser vista, reconhecida, lembrada, mas, ao mesmo tempo, precisa evitar que olhem de perto demais. É um equilíbrio instável, e o filme sabe disso. Cada passo à frente vem acompanhado de um risco novo, e a sensação é de que, a qualquer momento, tudo pode desmoronar.

Ainda assim, ela segue. Porque, para Maxine Minx, parar não é uma opção, e desaparecer, definitivamente, também não.



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