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Tensão global eleva petróleo e ameaça cenário para mercados

Tensão global eleva petróleo e ameaça cenário para mercados

O avanço das tensões geopolíticas no Oriente Médio volta ao centro das atenções dos mercados globais e reacende um velho conhecido dos investidores: o risco inflacionário vindo do petróleo. Em meio a esse cenário, a possível escalada do conflito envolvendo Irã, Israel e Estados Unidos amplia a incerteza e traz impactos diretos sobre ativos como dólar e Ibovespa.

Além disso, a dinâmica do Estreito de Ormuz — por onde passa cerca de 20% da produção mundial de petróleo — surge como fator crítico para a precificação global da commodity. O risco de interrupção no fluxo eleva a volatilidade e pode desencadear uma cadeia de efeitos sobre juros, inflação e crescimento econômico.

Nesse contexto, o economista e analista técnico Rafael Perretti concedeu uma entrevista ao InfoMoney e detalhou os principais desdobramentos desse cenário, destacando os impactos no petróleo, dólar e mercado acionário brasileiro.

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Petróleo e guerra

Inicialmente, Perretti destaca que o petróleo é o principal vetor de transmissão do conflito para a economia global, sobretudo por conta da relevância do Estreito de Ormuz no fluxo energético mundial. O analista reforça que qualquer interrupção nesse ponto estratégico tende a pressionar fortemente os preços da commodity.

Além disso, ele observa que o Irã possui uma vantagem geopolítica relevante ao utilizar o estreito como instrumento de pressão econômica, mesmo diante de inferioridade militar frente a Estados Unidos e Israel. Esse fator adiciona um componente de risco difícil de precificar no curto prazo.

Por outro lado, o impacto mais imediato recai sobre a inflação global, especialmente nos Estados Unidos, que já enfrentam dificuldades para manter os preços dentro da meta. “O fechamento do Estreito de Ormuz traz uma alta no preço do petróleo”, afirma.

Consequentemente, esse movimento pode alterar completamente o cenário esperado para juros, uma vez que a inflação mais persistente pode forçar mudanças na política monetária. “Se a inflação começar a subir e se manter persistente, o que que eles vão ter que fazer? Subir os juros”, alerta.

Dólar sob pressão

Em seguida, ao analisar o comportamento do dólar, Perretti ressalta que a lógica tradicional de ativo de proteção pode não se aplicar neste momento específico. Isso porque os Estados Unidos estão diretamente envolvidos no conflito, o que muda a dinâmica de fluxo global.

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Além disso, ele observa que o aumento dos gastos militares norte-americanos tende a pressionar o crescimento econômico, desviando recursos que poderiam ser destinados à infraestrutura e desenvolvimento. Esse fator contribui para um enfraquecimento da moeda.

Ao mesmo tempo, o ingresso de capital estrangeiro no Brasil, impulsionado por juros elevados e desconto na bolsa, aumenta a oferta de dólares no mercado doméstico, pressionando ainda mais a moeda para baixo.

No entanto, esse movimento carrega riscos importantes, especialmente por seu caráter especulativo. “Esse ingresso de capital estrangeiro é especulativo”, explica.

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Por fim, o analista alerta que mudanças na política monetária dos EUA podem inverter essa tendência, especialmente em caso de alta de juros. “Se ao longo de 2026 a gente tiver algum aumento na taxa de juros por parte do Fed, a meu ver, essa tendência de queda do dólar pode ser impactada”, conclui.

Fonte: RocketTrader. Gráfico do dólar diário. Elaboração: Rafael Perretti.

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Ibovespa reage

Por outro lado, o Ibovespa demonstra resiliência diante do cenário externo adverso, recuperando-se após uma correção inicial provocada pelo início do conflito. O movimento reflete uma melhora na percepção de risco, diante da possibilidade de desaceleração das tensões.

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Além disso, o fluxo para renda variável brasileira segue sustentado por fatores internos, como juros elevados e expectativa de cortes futuros, o que mantém o apetite por ativos de risco no país.

No entanto, Perretti ressalta que essa trajetória depende diretamente dos desdobramentos geopolíticos e da condução da política econômica doméstica, incluindo eleições e contas públicas.

Ao mesmo tempo, o ambiente externo segue sendo determinante para o comportamento do índice, especialmente diante de possíveis mudanças no cenário de juros global.

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Nesse sentido, ele destaca a sensibilidade do mercado às variáveis macroeconômicas. “A performance do Ibovespa, a meu ver, vai estar muito atrelada também aos desdobramentos em relação ao conflito no Oriente Médio”, observa.

Fonte: RocketTrader. Gráfico do dólar diário. Elaboração: Rafael Perretti.

Risco no petróleo

Por fim, o grande ponto de atenção segue sendo o comportamento do petróleo nos próximos meses, especialmente se os preços permanecerem elevados por um período prolongado. Esse cenário pode desencadear um novo ciclo inflacionário global.

Além disso, preços sustentados acima de US$ 100 tendem a pressionar bancos centrais ao redor do mundo, reduzindo o espaço para políticas monetárias expansionistas e impactando diretamente ativos de risco.

Consequentemente, o atual ambiente favorável para a bolsa pode sofrer reversão, caso haja necessidade de aperto monetário, tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil.

Ao mesmo tempo, essa dinâmica também pode influenciar o comportamento do dólar, criando um cenário mais desafiador para investidores.

Nesse contexto, Perretti reforça a importância de monitorar a commodity. “Se ele permanecer por muito tempo em um patamar elevado acima de 100 dólares, isso pode trazer um carrego inflacionário em nível mundial muito grande”, conclui.

Fonte: Investing. Gráfico do dólar diário. Elaboração: Rafael Perretti.

(Rodrigo Paz é analista técnico)

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