Racionamento de querosene de aviação em aeroportos do norte da Itália ocorre em meio a pico de demanda e risco de interrupções no fornecimento global
A distribuição de combustível de aviação começou a ser racionada nos últimos dias, em aeroportos do norte da Itália, em meio a preocupações crescentes sobre possíveis restrições de oferta em toda a Europa.
A medida foi adotada pela empresa Air bp nos aeroportos de Milão (LIN), Bolonha, Treviso e Veneza, em meio ao bloqueio iraniano ao Estreito de Ormuz, local onde passa boa parte do petróleo produzido no mundo, por meio de navios.
De acordo com o plano emergencial, voos médicos, operações governamentais e voos comerciais com duração superior a três horas estão recebendo prioridade na alocação de querosene de aviação (QAV). A decisão ocorre diante de estoques limitados em hubs regionais relevantes para a malha aérea europeia.
A medida afeta tanto a aviação comercial quanto segmentos da aviação de negócios, especialmente operações com jatos executivos e aeronaves regionais que dependem de abastecimento rápido em aeroportos secundários.
Pico de demanda
Segundo a ENAC, a situação está diretamente relacionada à dificuldade de resposta ao aumento sazonal da demanda durante o período de Páscoa. “O sistema enfrenta desafios para acompanhar o pico de demanda registrado durante o feriado”, disse um diretor da autoridade à agência ANSA.
Risco sistêmico
No entanto, agentes da indústria avaliam que o problema pode se ampliar. A normalização do fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz é apontada como fator crítico para estabilizar a cadeia de suprimentos de combustíveis aeronáuticos.
Além da volatilidade nos preços do petróleo — considerada uma ameaça estrutural para operadores aéreos — há risco concreto de escassez física de combustível em determinados mercados europeus.
Reino Unido vulnerável
Segundo a imprensa europeia, o Reino Unido está entre os países mais expostos. Michael O’Leary, CEO da Ryanair, alertou para a dependência significativa do país em relação ao fornecimento proveniente do Golfo. Os estoques britânicos de QAV poderiam sustentar operações por cerca de cinco a seis semanas em caso de interrupção no abastecimento.
Medidas de contingência
Diante da incerteza sobre disponibilidade e preços do combustível de aviação, diversas companhias já iniciaram ajustes operacionais. Entre as medidas adotadas estão a redução de frequências e o redimensionamento de malhas aéreas.
A Air New Zealand, Vietnam Airlines, Scandinavian Airlines e United Airlines reduziram seus programas de voos em resposta à incerteza no fornecimento de querosene de aviação e à alta de custos operacionais.
Outras operadoras avaliam medidas semelhantes. A Ryanair sinalizou possíveis cortes em sua programação de verão, enquanto a Lufthansa considera a retirada temporária de até vinte aeronaves de sua frota.
Impactos potenciais
Embora não haja, até o momento, registros de interrupções operacionais relevantes, o cenário aponta para riscos crescentes de restrições na oferta de combustível de aviação na Europa.

