O recente aumento no preço do querosene de aviação (QAV) no Brasil já começa a impactar diretamente o mercado de viagens corporativas. De acordo com levantamento da Associação Latino-Americana de Gestão de Eventos e Viagens Corporativas (Alagev), 96% dos gestores de viagens entrevistados afirmam já perceber aumento no preço das passagens aéreas.
REDAÇÃO DO DIÁRIO – com assessorias
O reajuste do combustível, anunciado pela Petrobras, chegou a cerca de 55% a partir de abril, somando-se a aumentos anteriores. Com isso, o QAV passa a representar aproximadamente 45% dos custos operacionais das companhias aéreas, ampliando a pressão sobre as tarifas e também sobre a oferta de voos.
A pesquisa da Alagev ouviu 52 gestores de viagens corporativas associados e identificou um aumento generalizado nas tarifas. Entre os participantes, 38% relataram alta em torno de 20%, enquanto 27% apontam aumentos superiores a esse percentual. Outros 31% indicaram elevação média de 10%, e apenas 4% disseram não ter percebido mudanças até o momento.
Mercado doméstico é o mais afetado
Segundo os gestores consultados, o impacto é mais intenso nas rotas domésticas, citadas por 71% dos respondentes como as mais afetadas. Em seguida aparecem os voos para Europa (12%), enquanto América do Norte e América Latina registram 6% cada.
O aumento dos custos está ligado ao cenário internacional, especialmente à valorização do petróleo, influenciada por tensões geopolíticas recentes. Como o preço do QAV no Brasil segue a paridade internacional, o setor aéreo nacional acaba refletindo essas oscilações externas, mesmo com parte relevante da produção sendo realizada no país.
Na avaliação da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), o avanço dos custos pode gerar efeitos relevantes no setor, como redução da oferta de voos, menor abertura de novas rotas e impactos na conectividade aérea, fatores que afetam diretamente o planejamento de viagens corporativas.
Crescimento do setor contrasta com pressão de custos
O cenário ocorre em um momento de crescimento da demanda. Dados do Levantamento de Viagens Corporativas (LVC), elaborado pela FecomercioSP em parceria com a Alagev, indicam que o segmento movimentou R$ 12 bilhões em janeiro de 2026, alta de 5,2% em relação ao mesmo mês de 2025 e recorde histórico para o período.
A movimentação reforça a retomada das atividades presenciais e dos encontros de negócios. Dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) mostram que 9,4 milhões de passageiros foram transportados em janeiro, crescimento de 9,1% e também o maior volume da série histórica.
Apesar do cenário positivo, o aumento do combustível acende um sinal de alerta para o desempenho do setor ao longo do ano.
Estratégias para reduzir impactos
Para Luana Nogueira, diretora-executiva da Alagev, o momento exige planejamento estratégico por parte das empresas.
“Estamos acompanhando um movimento que já se reflete de forma prática no dia a dia dos gestores de viagens. O aumento das tarifas impacta diretamente o planejamento orçamentário e exige ainda mais eficiência na gestão, negociação e priorização de deslocamentos”, afirma.
Ela também destaca o contraste entre demanda aquecida e aumento dos custos. “Os dados mostram que o setor segue aquecido e relevante para a economia, mas o cenário internacional acende um sinal de alerta. É fundamental olhar para dados, revisar políticas de viagens e buscar alternativas que garantam equilíbrio entre custo, produtividade e experiência do viajante corporativo”, completa.
Diante desse cenário, entidades do setor e órgãos governamentais discutem possíveis medidas para mitigar os impactos do aumento do combustível, incluindo ajustes tributários e incentivos para reduzir a pressão sobre os custos das companhias aéreas.
Enquanto isso, o mercado permanece atento aos próximos meses, já que a tendência é de que os efeitos do aumento do QAV continuem sendo repassados às tarifas aéreas, influenciando diretamente o comportamento das viagens no Brasil.

