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Fracassou nos cinemas, mas virou curiosidade instantânea no Prime Video por um motivo bem atual

Fracassou nos cinemas, mas virou curiosidade instantânea no Prime Video por um motivo bem atual

À medida que inventou demandas e criou novas necessidades, o homem precisou também elaborar novos jeitos de resolver os problemas a que ele mesmo dava azo. Foram surgindo objetos, mecanismos, programas, dispositivos antes completamente alheios ao dia a dia do cidadão comum. A partir de então, tudo o que a velha musa cantava tinha de cessar, para que novos anseios fossem alimentados, novas carências, supridas, e nos entulhássemos de outras parafernálias. A inteligência artificial é mesmo mais demoníaca do que santa, e pode remontar a um tempo em que computadores como os vemos hoje não passavam de uma delirante quimera, como se estivéssemos todos à beira de um buraco negro, no qual “Gênesis” e “Apocalipse” são livros de um só compêndio. Chris Weitz nos faz refletir sobre o momento embaraçoso que a humanidade atravessa em “dIAbólica”, uma trama cujo teor de ficção científica, já bem obsoleto, é compensado pela formação de um suspense matador, capaz de iluminar outras muitas revelações.

Guerra dos mundos

Tudo corre como ouro sobre azul para Curtis, um especialista em marketing cuja família o adora. Ele tem trabalhado numa campanha para lançar com todo o espetáculo possível uma assistente digital que vai, dizem eles, revolucionar o mercado não só por realizar as atividades corriqueiras mais tediosas, mas por antecipar-se às vontades mais íntimas do dono e trazer o sonho para perto. AIA, a tal invenção milagrosa, vem à luz sob os auspícios de uma megacorporação célebre por seu ótimo desempenho junto à clientela, o comentário que determina uma grande parte do que se vai ver. O diretor-roteirista continua a usar de fina mordacidade para dizer como AIA vai parar na casa de Curtis, ao lado de Meredith, a esposa, e dos filhos, Iris, Preston e Calvin, o Cal. O novo membro da família adapta-se rápido — e nem poderia ser diferente.

A usurpadora

Apressadamente, poder-se-ia definir o restante de “dIAbólica” como a exposição dos planos de AIA para dominar seus anfitriões, mas Weitz sempre acha um jeito de tirar seu filme do banal e do automático. John Cho faz de Curtis um anti-herói típico, um sujeito bem-intencionado que mete os pés pelas mãos e arrasta a família para um torvelinho de falsos prodígios que acabam em desgraça. A subtrama do malfadado namoro de Iris ocupa um tempo irrazoável, mas o trabalho de Havana Rose Liu como a ginoide usurpadora já vale o longa inteiro.

A inteligência artificial é mesmo mais demoníaca do que santa, e pode remontar a um tempo em que computadores como os vemos hoje não passavam de uma delirante quimera, como se estivéssemos todos à beira de um buraco negro, no qual “Gênesis” e “Apocalipse” são livros de um só compêndio. Chris Weitz nos faz refletir sobre o momento embaraçoso que a humanidade atravessa em “dIAbólica”, uma trama cujo teor de ficção científica, já bem obsoleto, é compensado pela formação de um suspense revelador.



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