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O novo drama argentino sobre reconciliação que acaba de posar na Netflix

O novo drama argentino sobre reconciliação que acaba de posar na Netflix

Boris (Matías Mayer) leva turistas de barco até a força esmagadora das Cataratas enquanto tenta manter a própria vida sob controle, mas tudo se desorganiza quando Julián (Oscar Martínez), o pai que o abandonou ainda criança, reaparece sem aviso em “O Último Gigante”, de Marcos Carnevale, decidido a pedir perdão e reconstruir uma relação que Boris nunca conseguiu esquecer, nem superar.

A primeira abordagem acontece de forma direta e desconfortável. Boris termina o expediente, ainda com o corpo cansado e a cabeça no automático, quando um homem o chama pelo nome. Julián tenta falar com urgência, mas sem agressividade. Quer alguns minutos, quer ser ouvido. Boris não concede nada. Não há discussão, nem cena dramática elaborada: ele simplesmente ignora e vai embora. É uma recusa limpa, quase burocrática, que deixa claro que aquele assunto está encerrado, pelo menos da parte dele.

Só que não está. E Boris sabe disso. Ele volta para casa, reencontra sua rotina, tenta se proteger no que é previsível: a namorada (Johanna Francella), as noites de karaokê, a convivência com a mãe Leticia (Inés Estévez), que canta para plateias pequenas, mas mantém uma presença vibrante. Há uma espécie de equilíbrio ali, frágil, mas funcional. A reaparição do pai não destrói isso imediatamente, mas cria uma rachadura visível.

Um pai dentro da sala

No dia seguinte, Julián abandona qualquer tentativa discreta. Ele vai direto à casa de Leticia e se apresenta. Sem rodeios, sem estratégia sofisticada. Ele entra, ocupa espaço, fala o que precisa falar. Não há como fingir que aquilo não está acontecendo. Leticia recebe, mas não acolhe completamente. Ela não fecha a porta, mas também não abre os braços. Mantém uma distância que diz muito.

Quando Boris chega e encontra o pai sentado ali, o choque não é explosivo, é contido. Ele escuta, ou melhor, permite que Julián fale. O pedido de desculpas vem acompanhado de justificativas, de histórias mal resolvidas, de uma tentativa de explicar o inexplicável. Julián menciona problemas pessoais, dificuldades, até uma certa urgência emocional. Mas Boris não compra. Ele não grita, não faz cena. Apenas recusa de novo, agora de forma mais consciente. E isso pesa mais.

Tentativas que não encaixam

A partir daí, Julián insiste. Ele passa a aparecer nos lugares onde Boris está, como quem tenta se inserir à força em uma vida que já seguiu sem ele. Surge no bar, observa, tenta puxar conversa em momentos aparentemente leves. Em um desses encontros, arrisca até um tom mais descontraído, quase como se quisesse recuperar o tempo perdido com humor. Não funciona. Soa deslocado, inadequado, até um pouco constrangedor.

Ele muda de abordagem. Tenta ajudar, se oferecer como solução prática para problemas que surgem. Propõe, sugere, insiste. Mas cada gesto esbarra em uma memória antiga que não se apaga. Boris não aceita dinheiro, não aceita companhia, não aceita proximidade. E não é birra. É cálculo emocional. Ele sabe exatamente o que está protegendo.

Entre hospital e polícia

A insistência de Julián acaba arrastando os dois para situações cada vez mais caóticas. Há episódios que envolvem hospital, outros que passam pela polícia, encontros com familiares e figuras do passado que reaparecem junto com ele. Julián tenta agir como pai nesses momentos, se posicionar como alguém útil, presente. Mas cada tentativa vem contaminada pelo histórico que ele não consegue apagar.

Leticia observa tudo com uma mistura de cansaço e lucidez. Ela conhece Julián, conhece Boris e entende o tamanho do buraco entre os dois. Não tenta resolver, não interfere mais do que o necessário. Sua casa vira um território instável, onde o pai pode entrar, mas nunca se estabelecer de fato. É um espaço de tolerância, não de reconciliação.

O peso do que já foi feito

Em determinado ponto, Boris deixa de apenas evitar e começa a confrontar. Ele verbaliza o abandono, coloca em palavras aquilo que sempre esteve implícito. Julián escuta, responde, tenta se defender, mas suas justificativas soam pequenas diante do tempo perdido. Ele quer perdão, mas não tem como oferecer reparação proporcional ao dano.

Carnevale conduz essas cenas sem pressa, deixando os diálogos se alongarem, quase como se o tempo precisasse compensar os anos de silêncio. A câmera insiste nos rostos, nos gestos contidos, nas pausas que dizem mais do que qualquer fala. E, ainda assim, há momentos em que o filme tenta forçar emoção com situações mais extremas, como se não confiasse totalmente na força do próprio conflito.

Boris decide o quanto Julián pode ou não fazer parte de sua vida, e essa decisão muda o tempo todo, conforme novos encontros acontecem. Julián continua ali, insistindo, tentando negociar um espaço que talvez nunca venha por completo. E cada nova tentativa carrega a mesma pergunta silenciosa: até quando ainda faz sentido pedir perdão quando o estrago já virou história?

Filme:
O Último Gigante

Diretor:

Marcos Carnevale

Ano:
2026

Gênero:
Drama

Avaliação:

8/10
1
1




★★★★★★★★★★



Fonte

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