Entre arquitetura icônica, cultura vibrante e uma cena gastronômica em ascensão, a Cidade do Panamá revela por que merece mais do que uma passagem rápida
Por Alan Victor (@alan.victorrr) – Colaboração para o DIÁRIO
Já tinha passado algumas vezes pelo Aeroporto Internacional de Tocumen e, em todas elas, ficava com aquela vontade de ir além da conexão, de realmente explorar o destino. Afinal, a Cidade do Panamá vai muito além de um hub aéreo: é um lugar onde modernidade e cultura se encontram de forma surpreendente.
Aproveitei o stopover de até sete dias oferecido pela Copa Airlines para transformar essa curiosidade em experiência. Uma pausa estratégica para quem está a caminho de outros destinos da América Central, Caribe e Estados Unidos.
Escolhi ficar cinco dias. Tempo suficiente para conhecer os principais pontos turísticos, mergulhar na cultura local e explorar a gastronomia, uma das grandes surpresas da viagem. E já saí com planos de voltar. Afinal, ainda quero descobrir destinos como San Blas e Bocas del Toro.

Onde ficar: conforto e sofisticação com vista para o Pacífico
Um dos grandes destaques da viagem foi a escolha do JW Marriott Panama, localizado a aproximadamente 20 minutos do aeroporto. Um dos hotéis mais icônicos da cidade, situado na moderna região de Punta Pacífica, se destaca pela arquitetura imponente e pelas vistas panorâmicas para o Oceano Pacífico.
Com 24 andares e 320 acomodações, entre quartos deluxe e suítes, todas com varanda privativa, o hotel combina estética contemporânea e conforto. Máquina de espresso, Smart TV e estação de trabalho moderna garantem uma estadia prática e elegante, tanto para lazer quanto para viagens de negócios.

A experiência se estende à gastronomia. O Azul Restaurant and Pool acompanha o ritmo leve da piscina, ideal para momentos descontraídos. O Masi apresenta uma leitura contemporânea da culinária local, em um ambiente elegante. Já o Cava 15 é aquele tipo de bar que convida a ficar, mais intimista, perfeito para drinks e jantares com mais calma.
Entre as facilidades, destacam-se academia 24 horas, acesso ao cassino Ocean Sun e a proximidade ao Multiplaza Pacific e aos principais pontos turísticos da capital.

Entre os atrativos, a cidade revela diferentes camadas
Na Cidade do Panamá, as experiências se dividem entre diferentes ritmos e atmosferas.
No Canal do Panamá, a visita vai muito além de observar navios. O complexo funciona como uma introdução à grandiosidade da engenharia moderna. No Miraflores Visitor Center, é possível acompanhar a passagem das embarcações pelas eclusas, enquanto exposições interativas ajudam a entender o impacto global da obra.
Já o Casco Viejo é o tipo de lugar que pede tempo. Fundado em 1673, após a destruição de Panamá Viejo por piratas, o bairro, hoje Patrimônio Mundial da UNESCO, impressiona pelo alto nível de conservação. Caminhar por suas ruas é um exercício natural de contemplação: casarões coloniais, igrejas, cafés, restaurantes e galerias.
Para momentos ao ar livre, a Cinta Costeira oferece um calçadão de 7 km com vista para o Pacífico. Já a Calçada de Amador conecta a cidade a pequenas ilhas em um cenário que mistura natureza e urbanidade.

O Biomuseo surpreende com exposições interativas sobre a biodiversidade do país, enquanto o Panamá Viejo revela as origens da cidade por meio de suas ruínas históricas.
Para um bate-volta, a Ilha Taboga funciona como uma pausa perfeita. Em cerca de 30 minutos de barco, o cenário muda completamente: praias tranquilas, ruas charmosas e um ritmo mais desacelerado. Apenas fique atento: é importante levar pelo menos US$ 1 em espécie para a taxa de acesso à ilha e também é importante comprar o acesso à balsa com antecedência pela internet.
A cultura local revela a identidade do país
A mola é uma das expressões culturais mais emblemáticas do Panamá, criada pelas mulheres do povo Guna a partir de uma técnica artesanal minuciosa.
Com camadas de tecidos coloridos costurados e recortados, surgem desenhos complexos inspirados nas antigas pinturas corporais. Mais do que estética, cada peça carrega identidade, história e tempo, podendo levar meses para ser finalizada.
No Panamá Viejo, essas peças aparecem em pequenas lojas e feiras. Uma oportunidade de levar um souvenir que vai além do óbvio.
Café Geisha: uma experiência sensorial
O Panamá também se destaca quando o assunto é café especial, tendo como protagonista o Geisha, considerado um dos mais sofisticados do mundo.
Originário da Etiópia e consagrado nas montanhas panamenhas, o grão ganhou notoriedade internacional pelo seu perfil sensorial único. Na xícara, entrega notas florais, acidez elegante e sabores frutados que lembram manga, pêssego e mel, uma experiência que se aproxima da lógica dos vinhos.

Para vivenciar isso, alguns cafés se destacam na cidade, como o Sisu Coffee Studio, ideal para degustações guiadas; o Geisha Experience, com foco na origem dos grãos; e o Café Unido, uma opção mais casual.
Onde comer: culinária regional e rooftops para aproveitar o pôr do sol
O El Trapiche é um dos restaurantes mais tradicionais da Cidade do Panamá para quem quer conhecer a culinária típica do país.
Com décadas de história, o local se consolidou como ponto de referência entre moradores e visitantes. O ambiente é simples e acolhedor, ideal para uma refeição sem pressa. No cardápio, clássicos como sancocho, ropa vieja, arroz com frango e tamales traduzem a essência da gastronomia panamenha.

A cena gastronômica contemporânea também chama atenção. O Casa Casco combina gastronomia, arte e hospitalidade em um edifício histórico no Casco Viejo, reunindo diferentes experiências em um só endereço. Já o Lazotea Restaurant & Rooftop é um dos spots mais disputados para o fim de tarde, com vista privilegiada, boa música e um pôr do sol que naturalmente se torna um dos pontos altos da viagem.
Dicas: planejando a viagem
Para planejar a viagem, vale saber que o Panamá utiliza o dólar americano (USD), facilitando pagamentos, e que o espanhol é o idioma oficial, embora o inglês seja amplamente falado em áreas turísticas.
O clima é tropical, com temperaturas elevadas ao longo de todo o ano, sendo a melhor época para visitar entre dezembro e abril, durante a estação seca. A locomoção é simples, com aplicativos como Uber funcionando bem na cidade, e o padrão de tomadas segue o modelo americano, podendo exigir adaptador.

Em termos de segurança, as áreas turísticas são relativamente tranquilas, mas é importante manter atenção, especialmente à noite. Brasileiros não precisam de visto para estadias curtas, apenas passaporte válido.
Mais do que uma escala
A Cidade do Panamá é muito mais do que uma escala estratégica, é um destino que se revela aos poucos, entre arquitetura, cultura, natureza e uma cena gastronômica cada vez mais interessante.
Seja em uma viagem dedicada ou durante um stopover, a cidade entrega experiências diversas em poucos dias, e deixa aquela sensação inevitável de retorno.

*Alan Victor (@alan.victorrr) – Assessor de comunicação e criador de conteúdo sobre destinos, hotelaria e gastronomia
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