Espanha proíbe o uso de seu espaço aéreo por aeronaves militares dos EUA na guerra contra o Irã
A Espanha fechou seu espaço aéreo para aviões militares dos Estados Unidos envolvidos na guerra no Irã, ampliando restrições já existentes ao uso de bases no território espanhol.
A informação foi divulgada nesta segunda-feira (30), pelo jornal El País, com base em fontes militares.
Segundo a publicação, a medida abrange tanto voos com origem em território espanhol quanto sobrevoos de aeronaves norte-americanas baseadas em terceiros países, como Reino Unido e França. A exceção prevista são situações de emergência.
A decisão amplia a política previamente anunciada por Madri de não permitir o uso de suas bases como plataformas de ataque ou reabastecimento em missões contra o Irã.
Contexto político
O posicionamento espanhol ocorre em meio a tensões com o presidente dos EUA, Donald Trump, que criticou publicamente o governo espanhol após a recusa inicial de uso das bases.
De acordo com a agência Reuters, Carlos Cuerpo, ministro da Economia espanhol, disse em entrevista à rádio Cadena SER que “a decisão faz parte da posição já adotada pelo governo espanhol” de não se envolver em um conflito “iniciado unilateralmente e contra o direito internacional”.
Uso das bases
As instalações da Base Naval de Rota e da Base Aérea de Morón, operadas conjuntamente com os Estados Unidos, permanecem sob soberania espanhola, o que garante a Madri poder de veto sobre operações militares ofensivas.
No início de março, ao menos quinze aeronaves militares norte-americanas deixaram essas bases após a restrição inicial ao apoio logístico para ataques ao Irã.
Apesar do impasse, Margarita Robles, ministra da Defesa da Espanha, declarou que não há expectativa de retirada das forças norte-americanas do país. “As atividades rotineiras no âmbito do acordo bilateral de defesa continuam”, disse.
Operações militares
A Espanha mantém participação em operações aliadas no Mediterrâneo Oriental, com o envio da fragata Cristóbal Colón para Chipre.
Outros países europeus também adotam postura cautelosa. O Reino Unido, por exemplo, limita o uso de suas bases aéreas a operações que envolvam diretamente a proteção de interesses britânicos, incluindo ameaças no Estreito de Ormuz.
Corredores aéreos
Desde o início da campanha militar no fim de fevereiro, bombardeiros estratégicos como o B-52H Stratofortress e o B-1B Lancer, operando a partir da base de RAF Fairford, utilizam dois principais corredores de trânsito rumo ao Oriente Médio.
Uma das rotas segue pelo Atlântico, contornando a Península Ibérica antes de ingressar no Mediterrâneo via Estreito de Gibraltar. A alternativa atravessa o espaço aéreo francês em direção ao sul da Europa. Embora essa rota permaneça disponível, Paris não concedeu autorização irrestrita para todos os voos militares relacionados à operação.

