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Drama com Benjamín Vicuña no Prime Video está emocionando quem gosta de histórias intensas

Drama com Benjamín Vicuña no Prime Video está emocionando quem gosta de histórias intensas

Miguel García de la Calera dirige Benjamín Vicuña, Adriana Ugarte, Daniel Hendler e Félix Gómez em “O Silêncio de Marcos Tremmer”, drama romântico sobre um publicitário uruguaio radicado em Madrid que descobre ter uma doença letal e decide esconder isso da mulher. Marcos sabe que tem poucos meses de vida, mas, em vez de dividir o diagnóstico com Lucía, passa a se afastar dela como se pudesse poupá-la de um sofrimento maior. Tudo começa por uma omissão. Desde cedo, o filme fixa seu eixo nesse gesto e no estrago que ele produz dentro da casa, da rotina do casal e das conversas que já não chegam ao que importa.

O silêncio dentro de casa

A melhor parte aparece quando esse silêncio sai do campo da intenção e passa a moldar a vida prática dos dois. Marcos não sofre apenas em privado, porque transforma a convivência com Lucía em cálculo, recuo e distância, como se cada frase precisasse esconder o corpo que adoece e o medo que já entrou em casa. Vicuña sustenta esse impasse. Seu personagem continua apaixonado, continua olhando para a mulher com devoção, mas passa a agir como alguém convencido de que amar também lhe dá o direito de decidir sozinho o que ela pode ou não suportar.

Esse nó pesa mais porque Lucía já chega marcada por outra perda ligada ao câncer, a morte da irmã, dado que altera bastante o peso da escolha de Marcos. Em vez de protegê-la, o segredo a empurra para uma zona de desorientação em que o marido parece frio, arbitrário e até cruel sem que ela tenha acesso ao motivo real do afastamento. Adriana Ugarte segura essa frente. Sem conhecer a verdade inteira, Lucía reage a ausências mal explicadas, mudanças de humor e silêncios que corroem o casamento por dentro, e o longa acerta mais quando observa esses gestos do que quando tenta explicá-los.

Há também um círculo mais amplo apertando a história para fora da intimidade do casal. Daniel Hendler aparece como o irmão médico de Marcos, ligado ao tratamento, e sua presença basta para aumentar a pressão do segredo, porque a doença deixa de ser assunto de quarto e passa a envolver família, responsabilidade e uma decisão que já não cabe só ao protagonista. O mundo segue andando. Ao mesmo tempo, a produção espalha esse sofrimento por Madrid, Montevidéu, Colonia de Sacramento e República Dominicana, e a abertura desses espaços só reforça o tamanho da cela emocional em que Marcos decide se fechar.

Planos fechados e culpa

García de la Calera sublinha esse fechamento com planos fechados, cores frias e iluminação tenue, aproximando o espectador do rosto de Marcos e do modo como ele vai se isolando dentro do próprio corpo. Em muitos momentos, essa escolha ajuda, porque prende o personagem entre medo, culpa e desejo de controle, mas o longa às vezes pesa a mão e escorrega para um melodrama mais grosso, dado a golpes baixos. A emoção vem carregada. Quando a encenação insiste demais no sofrimento, parte da força da situação se dispersa, já que a premissa do homem que decide esconder da mulher a própria morte por amor bastava para sustentar a tensão.

Ainda assim, “O Silêncio de Marcos Tremmer” preserva um centro forte porque a pergunta principal continua aberta do começo ao fim. Marcos ama Lucía, sabe que vai morrer e resolve administrar sozinho a verdade, transformando o casamento numa espécie de arranjo montado para proteger alguém que nunca pediu esse tipo de proteção. Isso sustenta o filme. Entre o rosto fechado de Vicuña, a perplexidade de Lucía e o avanço desse silêncio para dentro da casa, fica a imagem de um homem parado num quarto frio, com luz baixa no rosto e a porta fechada diante de si.

Filme:
O Silêncio de Marcos Tremmer

Diretor:

Miguel García de la Calera

Ano:
2024

Gênero:
Drama/Romance

Avaliação:

9/10
1
1




★★★★★★★★★



Fonte

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