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Comédia ácida com Logan Lerman vai te fazer pensar duas vezes antes de se envolver com alguém, na HBO Max

Comédia ácida com Logan Lerman vai te fazer pensar duas vezes antes de se envolver com alguém, na HBO Max

Em “Oh, Sumido!”, dirigido por Sophie Brooks, a relação entre Iris (Molly Gordon) e Isaac (Logan Lerman) chega a um ponto crítico durante uma viagem de fim de semana, quando, no espaço isolado de uma casa alugada, ele revela que não quer um relacionamento sério, o que leva Iris, tomada pela frustração, a tomar uma atitude radical para evitar que ele simplesmente vá embora e encerre tudo ali.

A viagem começa com uma energia fácil de reconhecer. Iris se comporta como alguém que já atravessou a fase das dúvidas e agora só precisa confirmar o que, para ela, parece evidente: eles são um casal. Ela organiza o ambiente, sugere programas a dois e age com a naturalidade de quem já se vê dentro de uma rotina compartilhada. Isaac acompanha, mas de forma mais solta, quase como quem participa de algo agradável, sem necessariamente atribuir o mesmo peso.

O choque vem sem aviso e, justamente por isso, é mais contundente. Durante uma conversa íntima, Isaac admite que não vê a relação como exclusiva e que continua saindo com outras pessoas. O impacto sobre Iris é imediato. Não há espaço para digestão lenta ou racionalização elegante. O que ela acreditava estar construído simplesmente não existe nos mesmos termos para ele. E isso transforma completamente o ambiente, que deixa de ser refúgio e passa a ser um território de confronto.

Quando ninguém pode sair

A reação de Iris rompe qualquer expectativa de normalidade: ela algema Isaac à cama. É um gesto extremo, mas que, dentro da lógica emocional dela, faz sentido como tentativa de interromper uma fuga iminente. Se ele não pode sair, então precisa ficar, e, ficando, precisa ouvir, responder, se posicionar. A decisão muda o equilíbrio entre os dois de forma imediata.

Isaac, agora preso literalmente, perde o recurso mais simples que tinha até então: ir embora. Ele tenta negociar, questiona a atitude dela e busca algum espaço para retomar o controle da situação. Iris, por outro lado, conduz a conversa com urgência, exigindo clareza e tentando transformar aquele impasse em uma definição concreta. Cada fala deixa de ser apenas expressão e passa a funcionar como tentativa de abrir ou fechar caminhos.

Entre o absurdo e o riso

É nesse ponto que o filme encontra um tipo de humor muito específico. Não é uma comédia de situações planejadas, mas de desconforto prolongado. Iris alterna entre momentos de vulnerabilidade sincera e atitudes completamente desmedidas, o que cria um contraste que beira o absurdo. Ainda assim, há algo reconhecível ali, como se o exagero apenas amplificasse sentimentos comuns.

Isaac reage como pode: às vezes com ironia, às vezes com cansaço, às vezes tentando apaziguar o clima sem realmente ceder. Há uma tentativa constante de manter alguma leveza, mas ela nunca se sustenta por muito tempo. O riso surge nesses intervalos, quase como uma pausa involuntária diante de uma situação que já ultrapassou o razoável.

A entrada de Max (Geraldine Viswanathan) adiciona uma nova camada ao conflito. Diferente dos dois, ela observa de fora e traz uma perspectiva menos emocional, o que desestabiliza ainda mais Iris. Ao mesmo tempo, oferece a Isaac uma possibilidade de interlocução que não passa diretamente pelo controle dela. A presença de Max amplia o cenário e obriga os dois a lidarem com a exposição do que antes era apenas um problema entre eles.

O que cada um precisa admitir

Com o tempo, a situação deixa de ser apenas sobre o que vai acontecer com o casal e passa a girar em torno do que cada um está disposto a reconhecer. Iris insiste porque acredita que pode convencer Isaac a ver o que ela vê. Ele não diz, mas age como alguém que prefere perder a relação a assumir um compromisso que não deseja, e essa diferença de postura sustenta o conflito até o limite.

A direção de Sophie Brooks mantém o foco nesse embate sem recorrer a soluções fáceis ou explicações excessivas. O espaço restrito intensifica tudo: cada silêncio pesa mais, cada tentativa de conversa parece decisiva, cada interrupção prolonga o impasse. Há uma sensação constante de que algo precisa ceder, mas nunca fica claro quem vai dar o primeiro passo.

Iris precisa encarar o fato de que não pode impor um sentimento, por mais que acredite nele. Isaac, por sua vez, precisa lidar com as consequências de sua ambiguidade. E, entre tentativas de controle e escapadas frustradas, a situação encontra uma saída possível, não exatamente confortável, mas suficiente para que ambos deixem aquele quarto com uma compreensão mais clara do que realmente tinham.

Filme:
Oh, Sumido!

Diretor:

Sophie Brooks

Ano:
2025

Gênero:
Comédia

Avaliação:

8/10
1
1




★★★★★★★★★★



Fonte

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