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Elisabeth Moss estrela na Netflix um dos suspenses mais aclamados dos últimos anos em uma experiência sufocante

Elisabeth Moss estrela na Netflix um dos suspenses mais aclamados dos últimos anos em uma experiência sufocante

Leigh Whannell dirige Elisabeth Moss, Oliver Jackson-Cohen, Aldis Hodge e Storm Reid em “O Homem Invisível” com uma precisão rara logo na abertura. Cecilia Kass dopa Adrian Griffin, atravessa de madrugada a mansão de vidro onde vivia sob vigilância e, com a ajuda da irmã Emily, consegue fugir para a casa de James Lanier, amigo de infância, onde também mora Sydney. A paz dura muito pouco ali. Quando Tom Griffin aparece para informar a morte de Adrian e a herança milionária deixada sob condições, o que parecia começo de liberdade vira outra forma de cerco, agora mais difícil de provar e mais fácil de tratar como desequilíbrio.

O vazio dentro da casa

A primeira sequência já coloca o corpo de Cecilia em estado de alerta, e o resto do filme não abandona essa condição nem por um instante. A casa de vidro, os corredores largos, as portas abertas e os cantos vazios fazem mais do que compor um cenário bonito, porque tudo parece montado para prolongar a sensação de que alguém continua olhando. O vazio pesa dentro da casa. Whannell sustenta isso sem fazer alarde, insistindo em enquadramentos onde a ameaça talvez esteja presente, talvez não, enquanto um cobertor fora do lugar, uma cadeira mexida ou um simples silêncio comprido passam a carregar um nervosismo físico.

Cecilia não enfrenta apenas uma presença que ronda a cozinha, o quarto e o corredor sem deixar prova clara. Ela também precisa aguentar a corrosão diária da própria palavra, e isso aparece quando o portfólio desaparece durante a entrevista de emprego, quando um e-mail enviado de sua conta destrói a relação com Emily e quando James e Sydney começam a olhar para ela com uma cautela que antes não existia. Cada ataque acerta um ponto vital. O trabalho, a família improvisada, a possibilidade de retomar a vida e até o direito de ser ouvida vão sendo atingidos por gestos pequenos e cruéis, e Elisabeth Moss segura tudo sem buscar grande efeito, deixando a exaustão surgir no corpo rígido, no olhar suspenso e naquele reflexo de encarar um canto vazio antes de terminar uma frase.

Na casa de James, o cotidiano deixa de ser neutro e passa a agir como uma armadilha que conhece os hábitos de Cecilia. No café da manhã, uma faca some do balcão e a chama do fogão aumenta quando ela sai do quadro, como se a cozinha inteira pudesse se mover sem ruído para desmontar sua pouca segurança. Até o fogão parece hostil. Mais tarde, a agressão a Sydney acontece diante dos outros e recai sobre quem já vinha sendo tratada como instável, ampliando o isolamento dentro do único lugar em que Cecilia imaginava encontrar abrigo. O acerto está justamente em prender a violência a esses espaços comuns, porque a perseguição não chega de um castelo distante nem de uma fantasia antiga, mas da sala, da mesa, do quarto e da pia.

Quando nada fica para trás

Adrian ganha força por continuar ocupando a história mesmo quando a notícia oficial garante que ele está morto. Ligado à riqueza, à pesquisa em óptica, à casa monitorada e à suspeita de que tenha usado tecnologia de invisibilidade para forjar a própria morte, ele segue definindo o ritmo de tudo o que cerca Cecilia. Nada fica realmente para trás. O horror se espalha pela entrevista de emprego, pela mesa do café, pela herança anunciada por Tom e pela convivência com James, Sydney e Emily, sempre no ponto exato em que a prova desaparece e a dúvida cresce. É um medo bem material, que sabe onde tocar para bagunçar uma rotina, romper um vínculo e transformar o desespero de uma mulher em espetáculo para os outros.

Por isso, “O Homem Invisível” não depende de reverência ao personagem clássico nem de truques grandiosos para se impor. O centro está na sobrevivência de Cecilia, nos laços que se desgastam dentro da casa de James, na presença de Tom como administrador dessa herança condicionada e no modo como Adrian continua tomando os lugares sem precisar aparecer. Whannell sabe a hora de parar. Em vez de encher a tela, ele deixa que uma porta entreaberta, uma faca fora do balcão, um corredor silencioso e a sensação de ar preso perto do rosto façam o trabalho.

Filme:
O Homem Invisível

Diretor:

Leigh Whannell

Ano:
2020

Gênero:
Drama/Ficção Científica/horror/Mistério

Avaliação:

8/10
1
1




★★★★★★★★★★



Fonte

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