São Paulo deixou de ser apenas um destino de passagem para se afirmar como um Estado de experiências. O turismo mudou — e o viajante também. Hoje, mais do que visitar, as pessoas querem viver o destino. Querem sentir, participar, experimentar.
Por Roberto de Lucena, secretário de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo
Os números confirmam essa transformação. As reservas de atividades turísticas no Brasil cresceram 8,9%, segundo levantamento da Paytour. Plataformas internacionais passaram a oferecer experiências como eixo central das viagens. Mas, para além das estatísticas, o que se observa nos municípios paulistas é algo ainda mais relevante: São Paulo compreendeu a força da própria identidade.
Ao longo dos últimos anos, a Secretaria de Turismo e Viagens tem acompanhado de perto experiências que revelam a diversidade e o potencial do Estado. Grandes eventos são um exemplo claro dessa consolidação. O Carnaval paulista, que já representou período de saída de moradores para outros destinos, hoje movimenta 4,7 milhões de visitantes e deve gerar R$ 7,3 bilhões em receitas diretas, segundo estimativas do Centro de Inteligência da Economia do Turismo (CIET). Festivais internacionais de música, a Fórmula 1, jogos da NFL, a Festa do Peão de Barretos e eventos tradicionais do interior demonstram como entretenimento e economia caminham juntos.
Mas a experiência paulista vai além dos grandes palcos.
Em Boituva, o passeio de balão se consolidou como símbolo do turismo de aventura. No interior, o enoturismo ganhou identidade própria. O programa Rotas do Vinho reúne 66 vinícolas em 33 municípios, oferecendo vivências como vindima, pisa da uva, degustações harmonizadas e hospedagens em meio aos parreirais. A iniciativa agrega valor à produção regional e fortalece cadeias produtivas locais.
No Litoral Norte, a observação de baleias jubarte tornou-se um marco na transformação da dinâmica turística. Em 2016, foram registrados 20 indivíduos na região. Em 2024, esse número chegou a 561. A atividade já movimenta cerca de R$ 138 milhões por temporada e ajuda a reduzir a sazonalidade histórica do litoral paulista, atraindo visitantes também nos meses de inverno.
O turismo ferroviário resgata memória e projeta futuro. O Programa de Turismo Ferroviário prevê a ampliação de circuitos e revitalização de trechos com potencial estimado de R$ 1,8 bilhão na próxima década. O mesmo ocorre com o turismo náutico, estruturado a partir de investimentos em novas infraestruturas ao longo dos mais de 4.200 km de rios paulistas — iniciativa que fortalece o turismo fluvial, a pesca esportiva e o uso sustentável das águas interiores.
A gastronomia é outra expressão da experiência paulista. O programa Sabor de São Paulo estruturou 14 rotas gastronômicas em 37 regiões turísticas, valorizando produtores artesanais, culinárias regionais e tradições culturais. Comer em São Paulo é compreender sua formação histórica — da influência da imigração à cultura caiçara, passando pela produção rural do interior.
No turismo religioso, o Estado reafirma sua vocação plural. O Vale da Fé, com o Santuário Nacional de Aparecida, consolida São Paulo como referência internacional no segmento. Ao mesmo tempo, o território paulista abriga diferentes tradições religiosas, refletindo diversidade cultural e respeito à convivência.
Essas experiências revelam uma convicção clara: o turismo é política pública estratégica. Ele gera emprego, distribui renda, impulsiona pequenos negócios e fortalece identidades regionais. Não se trata apenas de lazer, mas de desenvolvimento.
São Paulo é um Estado de contrastes — de cavernas no Vale do Ribeira às praias de rio no interior; da Serra da Mantiqueira ao litoral; da metrópole vibrante às pequenas cidades históricas. Essa diversidade é seu maior ativo.
Consolidar São Paulo como um Estado de experiências é transformar potencial em oportunidade. É integrar regiões, estimular inovação e promover crescimento sustentável.
Mais do que visitar São Paulo, o visitante é convidado a vivê-lo.

