O aumento no valor das passagens aéreas adquiridas próximo à data de embarque tem se consolidado como um desafio para empresas que dependem de viagens corporativas no Brasil. A prática está relacionada à lógica de precificação dinâmica adotada pelas companhias aéreas, que ajusta os preços conforme a demanda e a proximidade do voo, elevando os custos para compras realizadas com pouca antecedência.
Dados da Agência Nacional de Aviação Civil indicam que o preço médio das passagens aéreas no país vem apresentando variações nos últimos anos. Entre os fatores que influenciam esse cenário estão o custo do combustível, a variação cambial e a retomada da demanda após a pandemia. Esse conjunto de elementos tem contribuído para a elevação dos preços e maior volatilidade nas tarifas.
Estudos do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas apontam que a inflação de serviços no Brasil, que inclui o transporte aéreo, tem apresentado persistência. Esse comportamento impacta diretamente o custo operacional das empresas, especialmente aquelas que dependem de deslocamentos frequentes para reuniões, eventos e atividades comerciais.
No ambiente corporativo, o aumento das tarifas aéreas se traduz em menor previsibilidade orçamentária. Viagens marcadas com pouca antecedência, alterações de agenda e demandas emergenciais elevam os custos e dificultam o controle financeiro. A necessidade de deslocamento imediato, comum em algumas áreas, limita a possibilidade de planejamento e negociação de tarifas.
“Quando a compra acontece próxima à data do embarque, a empresa perde margem de negociação e previsibilidade. Isso impacta diretamente o orçamento e dificulta o planejamento financeiro. O desafio não é apenas viajar, mas viajar com inteligência”, afirma Humberto Cançado, CEO da Voetur Viagens.
Levantamento da Associação Latino-Americana de Gestão de Eventos e Viagens Corporativas mostra que a antecedência média na compra de passagens corporativas ainda é inferior ao recomendado em muitas empresas brasileiras. Segundo a entidade, aquisições feitas com pelo menos 15 a 30 dias de antecedência podem gerar redução de custos em comparação com compras de última hora.
Pesquisas desenvolvidas por instituições como o Massachusetts Institute of Technology e a Universidade de Chicago indicam que modelos de precificação dinâmica utilizados pelas companhias aéreas tendem a elevar os preços à medida que a ocupação dos voos aumenta. Esse comportamento reforça a importância do planejamento antecipado como estratégia para controle de despesas.
Diante desse cenário, empresas têm revisado suas políticas internas de viagens corporativas. Entre as medidas adotadas estão a definição de prazos mínimos para compra de passagens, a exigência de aprovação prévia para deslocamentos e o uso de ferramentas de gestão que permitam maior controle sobre reservas e gastos.
“Não se trata apenas de cortar custos, mas de estruturar processos. Empresas que adotam políticas claras e contam com apoio de tecnologia conseguem reduzir desperdícios e ganhar eficiência sem comprometer a operação”, acrescenta Humberto Cançado.
A adoção de soluções tecnológicas voltadas à gestão de viagens e despesas tem ganhado espaço no mercado corporativo. Plataformas integradas permitem centralizar reservas, aplicar políticas internas automaticamente e monitorar gastos em tempo real. Esse tipo de ferramenta amplia a visibilidade financeira e contribui para decisões mais alinhadas às estratégias das empresas.
Segundo dados da FecomercioSP, em parceria com a Alagev, o mercado de viagens corporativas movimenta mais de R$ 135 bilhões no Brasil. O volume reforça a relevância do tema para gestores financeiros e executivos responsáveis pelo planejamento de despesas.
Nesse contexto, a mobilidade corporativa passa a ser tratada como uma frente estratégica dentro das empresas. A gestão eficiente de viagens deixa de ser apenas uma questão operacional e passa a integrar decisões relacionadas à competitividade, controle de custos e otimização de recursos.
O aumento das passagens aéreas em compras de última hora evidencia a necessidade de maior planejamento nas viagens corporativas. A adoção de políticas internas, o uso de tecnologia e a antecipação nas reservas surgem como alternativas para reduzir custos e melhorar a previsibilidade orçamentária, em um cenário de alta demanda e variação de preços no transporte aéreo.

