Juarez Neto e Daniel Castanho, da Ancoradouro (Giulia Jardim/M&E)

CAMPINAS – A Ancoradouro deu a largada em 2026 com uma campanha que já mostra força logo nos primeiros minutos. Inspirada no universo do futebol e com itens colecionáveis como destaque, a ação tem mobilizado rapidamente os agentes de viagens e deve ser um dos principais motores de engajamento ao longo do semestre. Em apenas uma semana de lançamento oficial, a campanha já soma 200 agências cadastradas, 17 resgates realizados e outras 9 agências com pontuação suficiente para resgatar, mas que ainda não efetivaram o pedido, reforçando o rápido engajamento do mercado.

“A campanha entrou no ar e, em menos de 15 minutos, já tivemos resgate de camisa. Considerando que não é um volume baixo de vendas, isso mostra a força da ação”, afirmou Daniel Castanho, diretor Comercial da Ancoradouro. “Os clientes começaram curiosos e agora já estão engajados. Estamos fazendo uma divulgação massiva com nossos executivos em todas as bases, com vídeos e imagens das camisas. Já dá para sentir que será um sucesso, não temos dúvida disso”, completou.

A escolha por itens colecionáveis não foi por acaso. De acordo com Castanho, o histórico de campanhas anteriores ajudou a moldar o novo formato. “Itens colecionáveis sempre engajam bastante, e as camisas ficaram muito bonitas. Já tínhamos feito toys colecionáveis anteriormente e a ideia foi trazer algo novo, aproveitando o clima do futebol para potencializar a ação.”

Impacto da Copa ainda é sutil

Apesar do apelo esportivo e da força do calendário global, a Ancoradouro adota uma leitura equilibrada sobre os efeitos da Copa do Mundo no setor. Para Juarez Neto, sócio-diretor da companhia, o movimento gerado pelo evento não se traduz, necessariamente, em crescimento linear nas vendas.

“A Copa movimenta, claro. Existe a demanda do evento em si, mas também há pessoas que deixam de viajar nesse período ou optam por outros destinos. Para a consolidadora, que não trabalha diretamente com o produto Copa, isso se reflete principalmente na venda de passagens para o evento”, explica.

Ele ressalta que há nichos específicos que ganham força, como os grupos de incentivo. “Temos clientes que operam esses grupos e fazemos bloqueios, o que gera uma demanda pontual e relevante. Por outro lado, o corporativo costuma desacelerar nesse período. No fim, não vemos um crescimento expressivo diretamente ligado à Copa.”

Com alta de 10% no 1º tri, Ancoradouro aposta em campanhas para sustentar ritmo em ano desafiador
Juarez Neto, sócio-diretor da Ancoradouro (Giulia Jardim/M&E)

Conflitos redirecionam demanda, mas não freiam viagens

No cenário internacional, conflitos e instabilidades seguem impactando rotas específicas, mas sem reduzir o apetite global por viagens. Para Juarez Neto, sócio-diretor da Ancoradouro, o efeito é imediato nos destinos diretamente envolvidos, com adiamento de planos e até suspensão de voos, mas tende a ser compensado por uma redistribuição da demanda. “Há uma perda pontual nesses mercados, mas não uma retração geral”, resume.

Segundo o executivo, mesmo com o Oriente Médio consolidado como hub relevante e também como destino em alta no turismo de luxo, o impacto segue limitado e mais pontual do que estrutural. “As pessoas não deixam de viajar, elas mudam o destino”, afirma.

Nesse contexto, parte dos passageiros acaba adiando planos na região e redirecionando suas escolhas para outros mercados. “São viajantes que optam por destinos como Europa e Estados Unidos, ou fazem conexões mais rápidas, sem permanência”, explica Juarez Neto.

Destinos como Dubai, Doha e Arábia Saudita seguem no radar, mas com peso ainda limitado. “Tentamos mapear para onde essa demanda vai, mas ela se espalha entre diferentes rotas, inclusive com algum reflexo no doméstico. O fato é que o viajante continua ativo”, completa Daniel Castanho.

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Daniel Castanho, diretor Comercial da Ancoradouro (Giulia Jardim/M&E)

Tarifas pressionadas e desafio de ampliar acesso

O aumento nos custos operacionais já começa a aparecer no preço das passagens aéreas, impulsionado principalmente pela pressão do petróleo e do combustível. Segundo Juarez Neto, esse movimento é natural dentro da dinâmica do setor. “Houve alta nas tarifas e é esperado que as companhias reajam a esse cenário”, afirma.

Ainda assim, ele pondera que o desafio no Brasil vai além do momento atual e passa pelo equilíbrio entre sustentabilidade financeira e ampliação do acesso ao transporte aéreo. “Esse aumento não é positivo porque o país ainda precisa fazer mais gente voar. Hoje falamos de 120 a 130 milhões de passageiros transportados, mas isso não significa o mesmo número de pessoas. São cerca de 20 e poucos milhões de CPFs viajando repetidamente”, explica.

Na avaliação do executivo, fatores estruturais também pressionam os custos e ajudam a explicar o cenário. “O Brasil representa cerca de 3% a 4% dos voos no mundo, mas concentra até 98% das ações judiciais contra companhias aéreas. Isso gera custos muito elevados, que acabam sendo repassados para a tarifa”, completa.

Estratégia para 2026 combina cautela e tecnologia

Para 2026, a Ancoradouro projeta crescimento entre 10% e 12%, mantendo uma estratégia conservadora de expansão. “Somos cautelosos. Muitas vezes crescemos dentro dos mercados onde já atuamos”, afirma Juarez Neto.

Não há previsão de abertura de novas bases físicas, mas a empresa segue ampliando presença por meio de executivos em home office, especialmente fora do eixo Rio-São Paulo. “Essas regiões são, proporcionalmente, as que mais crescem para nós. Vamos continuar investindo nelas, sem deixar de fortalecer mercados consolidados.”

No calendário, o primeiro semestre será dominado pela campanha Football Travel Series e pela participação da consolidadora em eventos do trade, além da continuidade das capacitações com fornecedores — que devem superar as quase 40 edições realizadas no ano passado. Já no segundo semestre, a empresa confirma presença na Abav Expo, em São Paulo, com um estande de 100 m².

A tecnologia também ganha protagonismo. O portal da empresa passará por uma atualização ainda no primeiro semestre, com interface mais moderna e intuitiva. Paralelamente, iniciativas com inteligência artificial avançam em diferentes frentes. “A ideia é usar a tecnologia para ganhar eficiência em processos e tarefas mais burocráticas, mas sem perder o atendimento humano. Esse continua sendo um dos nossos principais diferenciais”, conclui Juarez Neto.

O M&E viaja com proteção GTA