A guerra no Irã já impacta o mercado aéreo brasileiro, com aumento médio de 15% no preço das passagens aéreas domésticas nos últimos 10 dias. Os dados são do Viajala, que analisou cerca de 400 mil buscas entre 18 de fevereiro e 15 de março.
Segundo o levantamento, o movimento ocorre após o fechamento do Estreito de Ormuz, que afeta o fornecimento global de petróleo. “A guerra leva o mundo a uma crise global de energia e de combustível, que é responsável por cerca de um terço da precificação das passagens aéreas. O impacto de um evento dessa magnitude é praticamente imediato nos preços”, afirma Felipe Alarcón, diretor comercial do Viajala.
Entre os destinos mais buscados, São Paulo apresentou aumento de 36% no valor médio das passagens de ida e volta, que passaram a custar R$ 1.338. Para Recife, a média chegou a R$ 1.497, alta de 22%. Já Rio de Janeiro registrou aumento de 11%, para R$ 1.232, enquanto Fortaleza e Salvador tiveram elevação de 14%, com médias de R$ 1.710 e R$ 1.338, respectivamente.
O aumento também foi observado nas tarifas das companhias aéreas. A Azul Linhas Aéreas registrou alta média de 13,5%, a Latam Airlines de 15% e a Gol Linhas Aéreas de 17%.
De acordo com Alarcón, o movimento contraria a tendência do período pós-Carnaval. “Precisamos considerar que, no período pós-Carnaval, é natural observar uma queda nos preços das passagens, já que o feriado é uma das maiores altas temporadas do país, com muita procura por passagens de última hora, aquecendo o mercado durante o período e desacelerando os preços na sequência. Ainda assim, a recente alta, que ficou na média de 15% nas companhias aéreas nacionais, demonstra um impacto claro da guerra”, afirma.
Antes do início do conflito, entre 18 e 28 de fevereiro, os preços apresentavam queda. As passagens para São Paulo tinham média de R$ 983, redução de cerca de 5%, enquanto Recife registrava média de R$ 1.228, queda de 3,5%. Outros destinos também apresentavam redução ou estabilidade, como Rio de Janeiro (-4,5%), Salvador (-12%) e Fortaleza (estável em R$ 1.500).
A alta no preço das passagens aéreas está relacionada ao aumento no custo do querosene de aviação, em virtude da guerra no Oriente Médio. No Brasil, a Petrobras elevou o preço do combustível em 9,4% no início de março.
Em nota, a Abear destacou o impacto do combustível nos custos do setor. “Com cerca de 30% de participação nos custos das companhias aéreas, o combustível de aviação (QAV) tem papel central na economia do setor. Com isso, oscilações no preço do petróleo tendem a pressionar os custos operacionais, reduzindo a oferta de serviços e prejudicando o acesso da população ao transporte aéreo. No entanto, com 80% do QAV produzido internamente, o Brasil reúne as condições para amortecer os impactos dos choques externos sobre o setor aéreo”, informou a entidade.
O aumento de custos também já é observado no mercado internacional. O grupo Air France-KLM anunciou acréscimo de 50 euros em passagens de longa distância. Outras companhias, como SAS e Qantas, também indicaram reajustes, enquanto a Aerolíneas Argentinas anunciou taxa adicional temporária de até US$ 50 em voos internacionais.
Alarcón alerta para o cenário de incerteza. “Essas cobranças são anunciadas como ‘temporárias’, mas não têm prazo definido para terminar, já que os desdobramentos da guerra ainda são incertos. Se você tem uma viagem planejada para os próximos meses, a recomendação é pesquisar e comprar o quanto antes”, finaliza.

