Novos documentos divulgados pelo jornal argentino Clarín sugerem a existência de um suposto acordo financeiro de US$ 5 milhões relacionado ao lançamento da criptomoeda $LIBRA e ao apoio público do presidente da Argentina, Javier Milei.
Segundo a reportagem, o material foi encontrado durante a perícia no telefone do lobista Mauricio Novelli, apontado como intermediário entre o governo argentino e o empresário de criptomoedas Hayden Davis.
De acordo com o jornal, o documento teria sido registrado em um bloco de notas no iPhone de Novelli em 11 de fevereiro de 2025, três dias antes de Milei publicar em suas redes sociais uma mensagem sobre o projeto.
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O texto, redigido em inglês, descreveria um suposto acordo financeiro dividido em três pagamentos, que somariam US$ 5 milhões. A primeira parcela seria de US$ 1,5 milhão em tokens ou dinheiro. Um segundo pagamento do mesmo valor estaria vinculado ao anúncio público de Hayden Davis como assessor em temas ligados a blockchain.
O terceiro ponto menciona um pagamento adicional de US$ 2 milhões relacionado a um possível contrato de consultoria em blockchain e inteligência artificial para o governo argentino ou diretamente para Javier Milei.
Segundo o Clarín, o trecho recuperado não especifica quem seria o destinatário final desses valores.
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Rascunho de mensagem para conter a crise
Além do documento sobre o suposto acordo, a perícia também teria encontrado um rascunho de mensagem que poderia ter sido utilizado para responder à crise gerada pelo lançamento da criptomoeda.
O texto, datado de 16 de fevereiro de 2025, sugeria uma declaração pública afirmando apoio à “visão da moeda Libra”, ao mesmo tempo em que negava interesse financeiro direto no projeto.
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De acordo com a reportagem, o conteúdo indicaria uma narrativa preparada para ser divulgada nas redes sociais ou em entrevistas com o objetivo de conter a repercussão negativa do caso.
Contexto do escândalo
O caso $LIBRA ganhou grande repercussão na Argentina após Milei promover o token em uma publicação na rede social X. A postagem foi apagada pouco depois de ir ao ar.
Conforme já mostrou o InfoMoney, registros públicos da blockchain indicam que a criptomoeda foi criada poucos minutos antes da publicação do presidente.
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Após a mensagem gerar forte demanda pelo ativo e elevar seu preço, o token sofreu uma desvalorização abrupta horas depois, levando a suspeitas de um possível “rug pull”, tipo de fraude comum no mercado cripto em que os criadores inflacionam artificialmente o valor de um ativo antes de abandoná-lo.
Dados analisados por empresas de inteligência de blockchain indicaram ainda que uma única carteira concentrava cerca de 80% dos tokens criados. Segundo a plataforma Lookonchain, carteiras vinculadas ao projeto teriam movimentado cerca de US$ 107,3 milhões.
A Justiça argentina analisa se a publicação de Milei teve impacto direto na valorização do ativo e se o presidente ou integrantes de sua equipe obtiveram algum tipo de benefício financeiro.
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O governo argentino nega envolvimento no projeto, mas confirmou que Milei e membros de sua equipe se reuniram com os desenvolvedores da criptomoeda antes do episódio.

