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Temporada de cruzeiros 2025/26 deve alcançar 37,2 milhões de passageiros

Temporada de cruzeiros 2025/26 deve alcançar 37,2 milhões de passageiros

Santos (SP) – A abertura do Cruise 360 Brasil, promovido pela Clia Brasil, revelou um panorama do mercado global de cruzeiros, com dados sobre a temporada de cruzeiros 2025/26, crescimento da demanda, expansão da frota e tendências de comportamento dos viajantes. A apresentação ocorreu neste sábado (14), no Centro de Convenções de Santos, e foi conduzida por Marco Ferraz, presidente da entidade.

Segundo Ferraz, a associação reúne atualmente 46 armadoras, além de 366 parceiros executivos, que incluem portos, destinos turísticos e empresas de diferentes segmentos ligados à atividade marítima. “São 18 mil agências de viagens associadas à Clia no mundo todo. Dentro dessas agências, são 75 mil agentes que se capacitam, participam dos nossos eventos e ajudam a vender todos os produtos dos nossos associados”, afirma.

O dirigente também destacou que a frota global das companhias associadas soma 310 navios, distribuídos em diferentes segmentos da indústria. “Existe um navio para cada tipo de gosto e de bolso. Temos cinco grandes categorias: contemporâneo, premium, luxo, expedição e fluvial. Cada um tem uma característica diferente e é importante que vocês conheçam isso na hora de vender e buscar novos clientes”, reforça.

Projeção de crescimento

Durante a apresentação, Ferraz detalhou as estimativas de passageiros da indústria global de cruzeiros. De acordo com ele, os números oficiais do último ano ainda estão em consolidação, visto que a temporada se encerra somente em abril, mas a expectativa é fechar 2025 com cerca de 37,2 milhões de cruzeiristas.

Para além da temporada de cruzeiros 2025/26, o executivo também destaca que a tendência é de crescimento contínuo nos próximos anos. “Esse ano já beiramos os 40 milhões e no próximo fica muito próximo disso. Vocês que vão preencher essas vagas. São vocês que vão ajudar a colocar esses navios em todo o mundo”, disse aos agentes de viagens presentes.

Frota em expansão

A expansão da frota acompanha o aumento da demanda global. Atualmente, as companhias associadas à Clia operam 310 navios, com capacidade de aproximadamente 651 mil leitos.

Nos próximos anos, novos navios devem ampliar essa oferta. “Até 2026 teremos 13 novos navios entrando em operação, com cerca de 27 mil leitos adicionais e aumento de 4% da capacidade”, afirma Ferraz.

No horizonte de longo prazo, o crescimento deve ser ainda mais significativo. “Até 2036 estão previstos 75 novos navios, que vão adicionar cerca de 200 mil leitos à frota global”, acrescenta.

Segundo o dirigente, a expansão da capacidade exigirá aumento proporcional na demanda. “Se hoje temos 651 mil leitos, essa oferta deve crescer cerca de 32%. Vamos precisar, em média, de pelo menos 2 milhões de novos cruzeiristas por ano para ocupar essas cabines”, explica.

Destinos

Entre os destinos mais procurados, o Caribe permanece como a principal região da indústria. De acordo com Ferraz, quatro em cada dez cruzeiristas navegam pelo Caribe, enquanto a Europa concentra aproximadamente um em cada seis passageiros. “Quatro a cada dez cruzeiristas estão no Caribe. É muita gente”, ressalta.

O executivo também chamou atenção para o crescimento da América do Sul como destino de cruzeiros. “Abaixo do Canal do Panamá já temos mais de 1 milhão de cruzeiristas vindo para a América do Sul. Tem muita gente de fora visitando a região e estamos trabalhando cada vez mais para trazer esses navios para cá”, salienta.

Saídas

A apresentação também destacou os principais portos de embarque do mundo. Segundo os dados apresentados, Porto de Miami lidera globalmente, concentrando cerca de 11% dos embarques. Na sequência aparecem Porto Canaveral e Port Everglades, reforçando a relevância da Flórida para a indústria. “Os três principais portos de embarque estão na Flórida, o que mostra como os Estados Unidos são fortes nesse mercado”, observou Ferraz.

Entre os demais portos com grande volume de passageiros para a temporada de cruzeiros 2025/26 aparecem ainda Nassau Cruise Port, Porto de Cozumel, além de destinos europeus como Barcelona, Roma e Southampton.

Na América do Sul, o principal porto em volume de cruzeiristas é o Porto de Santos, seguido por Porto de Buenos Aires, Porto do Rio de Janeiro e Porto de Montevidéu. Segundo Ferraz, o protagonismo de Santos se torna ainda mais evidente no recorte de embarques e desembarques. “Falando apenas do Brasil, cerca de 33% dos passageiros embarcam em Santos”, destaca.

O executivo ressalta, porém, que o crescimento da atividade depende de infraestrutura adequada. “Para ter embarque aqui, precisamos de aeroporto, hotel e transfer. Muitos vem de fora para embarcar nos portos brasileiros”, reforça Ferraz, destacando que os navios de cruzeiros fomentam toda a cadeia do Turismo.

Perfil e tendências

A apresentação também trouxe dados sobre o perfil do consumidor. Atualmente, a idade média do cruzeirista é de 46 anos, com presença equilibrada entre diferentes gerações. “O entusiasmo está muito forte entre os mais jovens. Cerca de 88% dos millennials demonstram grande interesse por cruzeiros”, afirma Ferraz.

Entre os passageiros que viajaram recentemente, 82% pretendem realizar um novo cruzeiro. No Brasil, segundo ele, esse índice é ainda maior. “No Brasil tivemos uma pesquisa que mostrou 95% das pessoas querendo voltar a fazer um cruzeiro”, revela.

Outro dado relevante da temporada de cruzeiros é o crescimento do número de novos passageiros. “Cerca de 31% dos cruzeiristas são de primeira viagem. Ou seja, três em cada dez clientes que entram na agência nunca viajaram de navio e precisam da orientação de vocês”, destaca.

Entre as tendências observadas pela indústria estão o crescimento de viagens em família e o aumento do número de cruzeiros por passageiro. “Muitas famílias viajam juntas, com avós, filhos e netos. É um produto muito adequado para celebrações e encontros familiares”, disse Ferraz.

Segundo ele, 25% dos passageiros realizam dois ou mais cruzeiros por ano, sendo que parte desse grupo chega a fazer até cinco viagens anuais.

Outra tendência é a busca por roteiros mais longos. “Muitos começam em um mini cruzeiro de três noites, depois passa para quatro, sete ou até 14 noites, chegando até a uma volta ao mundo”, relata.

Segmentos específicos também avançam rapidamente. Os cruzeiros de expedição cresceram cerca de 150% desde 2019, enquanto o segmento de luxo expandiu cerca de 300% desde 2010.

Papel estratégico das agências

Os dados da temporada de cruzeiros 2025/26 apresentados no Cruise 360 também reforçam a relevância das agências de viagens para o setor. Segundo a Clia, três em cada quatro (75%) cruzeiristas contam com o apoio de agentes para planejar a viagem. “Esse é um setor que tem uma ligação muito forte com as agências de viagens”, afirmou Ferraz.

O dirigente também destaca o potencial de vendas adicionais antes e depois do embarque. “Cerca de 60% das pessoas ficam pelo menos uma noite na cidade antes do cruzeiro, e 54% permanecem depois. É importante oferecer essas opções, porque o passageiro vai ficar de qualquer forma”, conclui.



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