Nem sempre uma carreira é planejada desde o início. Para Paula Rorato, diretora de Atividades da CVC Corp, o turismo surgiu quase por acaso, mas acabou se tornando o centro de uma trajetória marcada por desafios, mudanças de área e crescimento dentro da companhia.
Formada em Administração de Empresas, Paula iniciou sua carreira trabalhando com projetos em diferentes setores antes de chegar ao turismo. Entre suas experiências anteriores estão passagens pelo mercado imobiliário e outro setores, onde atuou com projetos e processos.
A entrada na CVC aconteceu por meio de um convite profissional.
“Eu caí de paraquedas no turismo”, conta. “Fui convidada por um ex-chefe para implementar um projeto de CRM na empresa, e foi assim que comecei”.
Mudanças que moldaram a carreira
A implementação do sistema de CRM foi apenas o primeiro passo dentro da companhia. Pouco tempo depois, a executiva acabou migrando para áreas diretamente ligadas ao negócio do turismo.
Foi quando passou a liderar a área de Caribe, uma experiência que considera fundamental para sua formação profissional. Mesmo sem falar espanhol na época, aceitou o desafio.
“Fui convidada para assumir a cadeira e disse que não falava espanhol. Me responderam: ‘vai no inglês e aprende’. Então comecei a estudar dia e noite”, relembra.
Durante cerca de cinco anos à frente da área, Paula desenvolveu experiência em negociação com hotéis, tarifas dinâmicas, contratos e relacionamento com fornecedores internacionais.
Flexibilidade como diferencial
Ao longo dos anos, Paula passou por diversas áreas dentro da empresa, experiência que ela vê como parte essencial do seu desenvolvimento.
Depois da gestão do Caribe, foi promovida para gerente executiva responsável por regiões do Brasil, incluindo Sul e Centro-Oeste. Mais tarde, participou da criação de uma área voltada à experiência do cliente e qualidade.
Em seguida, assumiu uma nova posição como diretora de vendas e, posteriormente, diretora da área internacional da companhia.
Em 2023, passou a liderar a diretoria de atividades, que reúne segmentos como mobilidade e cruzeiros.
Para ela, a capacidade de adaptação foi determinante. “Em todas as mudanças eu sempre me perguntava: tem aprendizado? Tem desafio? Se tem, então vale a pena”, afirma.
Carreira como prioridade
Diferentemente de muitas mulheres que precisam conciliar maternidade e carreira, Paula optou por dedicar grande parte do tempo ao desenvolvimento profissional.
“Eu fiz essa escolha. Sempre coloquei minha carreira como prioridade, porque queria crescer e ser independente”.
Segundo ela, essa mentalidade foi incentivada dentro de casa desde cedo.
“Cresci ouvindo que precisava cuidar da minha carreira e não depender de ninguém”, conselho que levou à sério.
Desafios de ser mulher na negociação
Ao longo da carreira, Paula também enfrentou situações comuns a muitas mulheres no mundo corporativo, especialmente em ambientes dominados por homens.
Ela conta que, em algumas negociações, percebeu que precisava se impor mais para ser ouvida. “Às vezes, numa sala cheia, você é a última a ser ouvida”.
Durante um período, acabou desenvolvendo uma postura mais rígida para lidar com esse cenário.
“Diziam que eu era dura, difícil, mais agressiva. Era uma forma de tentar equilibrar o jogo”.
Com o tempo, encontrou outro caminho para conquistar respeito: preparação e dados.
“Eu sempre chego muito preparada, com números e informações. Quando você traz dados, você tira o foco de ser homem ou mulher”.
A importância de apoiar outras mulheres
Apesar das dificuldades, Paula destaca que sempre teve muitas mulheres em suas equipes, algo que considera positivo para o ambiente de trabalho.
Para ela, um dos desafios ainda presentes é a rivalidade entre mulheres, algo que precisa ser superado.
“A mulher precisa apoiar mais a outra mulher. A gente ainda tem muito essa cultura de competir”.
Ela acredita que o fortalecimento coletivo pode ajudar a ampliar a presença feminina em posições de liderança.
Liderança feminina no turismo
O turismo é um setor onde grande parte da força de trabalho é composta por mulheres. Ainda assim, os cargos de liderança continuam sendo majoritariamente ocupados por homens.
Na própria CVC, Paula lembra que durante muito tempo foi a única diretora dentro de sua vice-presidência.
Mesmo assim, ela vê avanços acontecendo gradualmente.
“É um caminho mais difícil, sim. Mas se você quer e é capaz, é possível”.
Um futuro com mais mulheres no comando
Quando questionada sobre a possibilidade de a CVC ter uma mulher como CEO no futuro, Paula acredita que isso é apenas uma questão de tempo. Para ela, a liderança deve ser baseada em competência, independentemente de gênero.
“Tem que ser a pessoa mais competente. E as mulheres têm a mesma competência que os homens”.
Se isso acontecer, avalia, o impacto será simbólico não apenas para a empresa, mas para todo o setor de turismo.
“Seria uma evolução enorme para o mercado. Algo disruptivo”.
Enquanto isso, Paula segue construindo sua própria trajetória, mostrando que desafios, aprendizado constante e adaptação podem abrir caminhos para mulheres que desejam crescer na indústria do turismo.

